terça-feira, 19 de julho de 2011

Treinamento de Handebol pelo método parcial

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    Os conteúdos de quaisquer áreas do conhecimento podem ser transmitidos de diversas maneiras que são denominadas em educação como métodos de ensino.

    Este texto trata o handebol como um conteúdo clássico da cultura corporal, portanto um conteúdo tradicional principalmente da Educação Física escolar. Entendemos também que o ensino dos esportes coletivos não se restringe ao âmbito escolar, pois há várias instituições de educação não formal ou mesmo instituições de outra natureza que se dedicam ao ensino de esportes. O texto tratará especificamente do ensino do handebol utilizando-se do método parcial e em qualquer ambiente, pois no que tange ao método de ensino este pode ser aplicado em qualquer instituição que se proponha a ensinar o handebol.

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    Os professores e os autores que optam pelo ensino através do método parcial acreditam que os conteúdos esportivos da Educação Física devem ser ensinados por etapas a partir do ensino fragmentado dos fundamentos dos esportes - através da seriação de exercícios, para após o domínio dos gestos técnicos específicos de cada fundamento o jogo propriamente dito ser vivenciado (praticado).

    A literatura específica da área1 até meados da década de 1990 não fazia menção a uma continuidade no processo de ensino-aprendizagem do método parcial em direção a aquisição de conhecimentos sobre as táticas individual, grupal e coletiva. Normalmente a produção da área apresentava o ensino do esporte específico mencionando os seus fundamentos e exemplificando com exercícios de como ensiná-lo, além de apresentarem justificativas limitadas e questináveis para os dias atuais, referente às restrições orgânicas da pratica de determindadas atividades físicas para crianças e adolescentes do sexo feminino, servindo apenas para a criação de mitos e preconceitos2.

    O objetivo desse trabalho é apresentar o método parcial situar, alguns conceitos e diferenciar a nossa opção metodológica no ensino do handebol, porque ainda hoje, a opção pelo método parcial no ensino do handebol é predominante na maioria dos cursos de licenciatura em Educação Física, o que nos permite deduzir que possivelmente muitos profissionais continuam tendo apenas este modelo de ensino para os esportes coletivos e especificamente para o handebol. Todos os métodos de ensino têm vantagens e desvantagens em adotá-los, o importante é ter consciência dos objetivos a atingir e conhecermos as necessidades e características de cada faixa etária, e optarmos por um método de ensino que leve nossos alunos a atingir os objetivos almejados de forma eficiente e respeitando as características bio-psico-social de cada grupo social. O fundamental para a boa docência é a consciência através do conhecimento de qual método adotarmos em função dos objetivos que temos. Porém, a opção de ensino de qualquer conteúdo através de um determinado método está imbuída de uma determinada visão de educação e de sociedade a qual nos dará elementos para a construção do projeto de ensino que será sempre um projeto político-pedagógico.

    Particularmente, apoiada nos estudos da pedagogia do esporte referenciados no novo conceito de treinamento esportivo sugerimos o ensino de handebol através de outro método de ensino-aprendizagem-treinamento diferente do método parcial, porém este trabalho irá abordar apenas o método parcial, porque o nosso objetivo é contextualizá-lo na produção da área e apresentar alguns meios didáticos para a utilização do mesmo, além de abordar os limites e as vantagens deste método ainda hegemônico na área de Educação Física.

    Alertamos os nossos leitores para a necessidade de se ensinar os esportes coletivos em geral e especificamente o handebol visando a aprendizagem do jogo propriamente dito para que os indivíduos caso não optem por uma carreira de atleta possam ter os conhecimentos necessários para a vivência dos jogos coletivos esportivizados como possibilidades de suas atividades de lazer, tanto no âmbito da vivência como da fruição (assistência), porém que nesta última forma eles tenham conhecimentos específicos para que os alunos tornem-se espectadores ativos3.


    1. Conteúdos do handebol

    Os conteúdos específicos do handebol podem ser classificados em: progressões, fundamentos, táticas individuais ofensivas, táticas individuais defensivas, táticas coletivas ofensivas, táticas coletivas defensivas, os postos específicos ofensivos e os postos específicos defensivos. Porém as propostas didáticas do método parcial apresentam apenas os fundamentos e as progressões, como conteúdos do handebol.

    Progressões - são quase todos os deslocamentos feitos com ou sem a posse da bola. Com a posse da bola ele pode ser realizado através de um, dois ou no máximo três passos em qualquer direção ou mesmo sem deslocamento. Lembramos que um passo no handebol é dado toda vez que se levanta um dos pés do chão e se torna a colocá-lo (apoiá-lo).


    2. Os fundamentos do handebol

    São movimentos fundamentais do handebol que são executados segundo um determinado gesto técnico que é a forma "correta" de execução de um movimento específico, descrito biomecanicamente. Por exemplo: O gesto técnico do passe de ombro no handebol - é a execução desse tipo de passe com o menor desperdício de energia, com a maior rapidez e velocidade, portanto com maior eficácia.

    A seguir descreveremos os diversos fundamentos do handebol.

    Empunhadura - é a forma de segurar a bola de handebol com uma das mãos. A mesma deve ser segurada com as falanges distais dos cinco dedos abertos e com a palma da mão em uma posição ligeiramente côncava.

    Observações: os dedos devem abarcar a maior superfície possível da bola, os dedos devem exercer uma certa força (pressão) na bola para que ela esteja bem segura. Sendo que a pressão exercida pelos dedos polegar e mínimo é muito importante para o êxito da empunhadura.

    Recepção - Deve ser feita sempre com as duas mãos paralelas e ligeiramente côncavas voltadas para frente. Recentemente os atletas utilizam-se comumente também da recepção com uma das mãos. Então, apesar da literatura específica sobre o método parcial haver considerado esse uso habitual recente como um erro, a prática atual e sua eficiência em diversas situações têm nos dado os elementos necessários para indicarmos o ensino e treinamento da recepção com uma das mãos como um elemento necessário para o jogo de handebol. A recepção pode ser classificada em: alta, média e baixa dependendo da altura que a bola seja recepcionada.

    Passes - São movimentos que permitem a bola ir de um jogador a outro, desta forma ele necessita sempre da interdependência de no mínimo duas pessoas. Os tipos de passes podem ser classificados da seguinte maneira:


    Passes acima do ombro: podem ser realizados em função da trajetória da bola para frente ou oblíquo, sendo que ambos podem ser: retificado ou bombeado.


    Passes em pronação: lateral e para trás.


    Passes por de trás da cabeça: lateral e diagonal.


    Passes por de trás do corpo: lateral e diagonal.


    Passe para trás: na altura da cabeça com extensão do pulso.


    Passe quicado: quando a bola toca o solo uma vez antes de ser recepcionado pelo companheiro, nesse tipo de passe a bola é atirada ao solo em trajetória diagonal.

    Greco & Ribas (1998) apresentam o passe em trajetória parabólica.

    Nem todos os passes acima descritos foram apresentados pela literatura específica do método parcial do ensino do handebol. A literatura apresentava até meados de 1990 apenas os seguintes tipos de passes no handebol: acima do ombro, por trás da cabeça - sem as classificações em função de trajetórias, por trás do corpo - também sem as classificações em função de trajetórias e o passes quicado. A respeito do passe de ombro, a literatura não incluía os passes retificado e bombeado como uma variação do passe de ombro.

    Arremesso - É um fundamento realizado sempre em direção ao gol. A maioria dos arremessos pode ser denominada "de ombro" e seguem basicamente a mesma descrição de movimento a seguir - a bola deve ser empunhada, palma da mão voltada para frente, cotovelo ligeiramente acima da linha do ombro, a bola deve ser levada na linha posterior a da cabeça e no momento do arremesso ser empurrada para frente com um movimento de rotação do úmero.

    Os arremessos podem ser classificados em função da forma de execução:


    Com apoio - significa que um dos pés do arremessador ou ambos esteja(m) em contato com o solo.


    Em suspensão - significa que no momento do arremesso não há apoio de nenhum tipo do arremessador com o solo.


    Com queda - significa que após a bola ter deixado a mão do arremessador, o mesmo realiza uma queda, normalmente a mesma se dá dentro da área adversária e de frente - arremesso bastante comum entre os pivôs e eventualmente entre os pontas.


    Com rolamento - significa que após a bola ter deixado a mão do arremessador, o mesmo realiza um rolamento, na maioria das vezes um rolamento de ombro. Este tipo de arremesso é mais comum entre os pontas4 e eventualmente por pivôs. 5

    Drible - É o movimento de bater na bola contra o solo com uma das mãos estando o jogador parado ou em movimento.

    Ritmo Trifásico - (conhecido entre os atletas como "3 passadas") é considerado pela literatura específica do método parcial como um fundamento onde o jogador dá três passos à frente e em direção a meta adversária com a posse da bola.

    Duplo Ritmo Trifásico - (conhecido entre os atletas como "dupla passada") é considerado pela literatura específica do método parcial como um fundamento onde o jogador dá "sete" passos com a posse da bola, sendo obrigatoriamente realizados à frente, da seguinte forma: os três primeiros passos são dados com a posse da bola imediatamente após ter recebido a mesma, e simultaneamente na execução do quarto passo o jogador terá que quicar a bola no solo uma vez, tornar a empunhá-la e dar mais três passos com a bola dominada. Ao final do sétimo passo ele terá obrigatoriamente que passar ou arremessar a bola. A literatura indica que o primeiro passo deverá ser executado com a perna contrária ao braço que realizará o arremesso.


    3. O método parcial na fase inicial do procedo de ensino-aprendizagem-treinamento do handebol

    Até meados da década de 1990 a literatura sobre os jogos coletivos esportivizados (esportes coletivos) era baseada no princípio analítico-sintético que apresentava como seu principal método de ensino dos esportes coletivos o método parcial. Este surgiu das experiências positivas dos treinamentos de esportes individuais como o atletismo e a natação.

    Na época foi a principal proposta de ensino dos jogos coletivos esportivizados, baseando-se no princípio analítico-sintético os autores e estudiosos da área passaram a descrever como deveria ser o ensino dos esportes coletivos. A lógica da proposta partiu da fragmentação dos gestos técnicos do jogo, dividindo-os em partes (fundamentos) e cada uma deles subdividos em movimentos mais simples, desta forma um passe no handebol (por exemplo) deve ser ensinado após o domínio da empunhadura e observando o posicionamento correto de ombro, braço, ante-braço e mãos, assim como o posicionamento das pernas no momento de execução do mesmo. Para que o aluno atingisse a performance sugeriu-se um aprendizado por partes e etapas


    ... com exercícios que apresentam uma divisão dos gestos técnicos, das técnicas, da ação motora em seus mínimos componentes. O aluno conhece, em primeiro lugar, os componentes técnicos do jogo através da repetição de exercícios de cada fundamento técnico, os quais são logo acoplados a séries de exercícios, cada vez mais complexos e mais difíceis; à medida que a ajuda e a facilitação diminuem, gradativamente aumenta a complexidade e a dificuldade das ações. À medida que o aluno passa a dominar melhor cada exercício, passa-se a praticar uma nova sequência. Estes movimentos já dominados passam a ser integrados em um contexto maior, que logo permitirão o domínio dos componentes básicos da técnica inerente ao jogo esportivo, na sua situação do modelo ideal, orientado ao gesto do campeão, realizando-se, desta forma, o processo de ensino-aprendizagem-treinamento do esporte (Greco, 1998, p. 41).

    As aulas ou treinamentos baseados neste tipo de método sempre começam com um aquecimento e na sequência é apresentado normalmente pelo professor o exercício que deve ser feito e repetido até o seu domínio, ao comando também do professor outras propostas de exercícios vão sendo apresentadas por ele. A vivência do jogo propriamente dito fica restrita a alguns minutos finais da aula ou treino, onde são avaliados os gestos técnicos ensinados até o momento. O jogo pode aparecer também em muitos casos como um momento de descontração, pois as séries de exercícios muitas vezes são monótonas e desmotivantes, e nesse caso o jogo livre seria uma forma de "premiação" aos alunos.


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    Na fase inicial do processo de ensino-aprendizagem-treinamento do handebol não apontamos vantagens (de um modo geral) do uso deste método porque ele não contribui para a formação do "jogador inteligente" e restringe-se apenas a aquisição de gestos técnicos específicos por meio da repetição de movimentos até alcançar-se sua automatização, isso em uma idade em que as crianças deveriam vivenciar o jogo tanto pelas características da infância como pela possibilidade na aquisição de conhecimentos táticos do jogo coletivo (ainda não específicos de um único esporte) que serão importantíssimos nas fases subsequentes do processo de ensino-aprendizagem-treinamento.

    O novo conceito de treinamento esportivo prevê o aprimoramento da técnica específica apenas entre as fases de direção e especialização (Greco, 1998, p. 77). Então, nesta fase, os exercícios sugeridos no método parcial poderiam ser bons exemplos no aperfeiçoamento da técnica específica do esporte ensinado.


    Porém, é indiscutível que o método parcial: 1. aperfeiçoa a técnica; 2. facilita a aprendizagem das técnicas por meio da fragmentação dos movimentos e pelos níveis de dificuldade; 3. facilita o domínio dos fundamentos pela repetição e automatização dos gestos. No entanto, ele também cria limites como: 1. inibe a criatividade; 2. favorece a imitação; 3. determina as ações; 4. não permite o aprendizado tático do jogo; 6. desmotiva a criança, que é especialista em brincar e fica submetida desde muito cedo a exercícios mecânicos.


    4. Propostas de atividades para o ensino do handebol baseada no método parcial

    A seguir apresentaremos algumas sugestões de exercícios para o ensino dos fundamentos do handebol seguindo o princípio analítico-sintético do método parcial.

    Para iniciar o desenvolvimento de qualquer fundamento com os alunos, é necessário que o professor ou técnico inicialmente explique o que é cada um deles e qual é a forma correta para realizá-lo.


    Empunhadura


    Exercício 1: Empunhadura Individual


    Descrição:

    Posição Inicial: Todos os jogadores, livres pela quadra, com bola na mão.

    Tarefa: Segurar a bola de forma correta, onde a superfície de contato é realizada pela superfície dos dedos e pela face palmar média da mão.

    Variações:


    Para elevar o nível de complexidade, o aluno deve passar a bola de uma mão para a outra, sem que esta bola escape.


    Utilizar duas bolas, uma em cada mão.



    Exercício 2: Empunhadura em Duplas


    Descrição:

    Posição Inicial: Em duplas, os jogadores posicionados um frente para o outro, com os braços estendidos a frente do ombro, a uma distância de no máximo 1 metro. Os dois jogadores segurando a mesma bola, utilizando o exercício da empunhadura.

    Tarefa: Cada jogador deve utilizar a força na realização da empunhadura para conseguir puxar a bola. Caso algum jogador consiga puxar, retornar ao início do exercício para realizá-lo novamente.

    Variações:


    Utilizar o braço estendidos a frente do abdômen


    Criar nova posições para o braço que irá realizar a empunhadura.


    Passes/recepção


    Exercício 1: Passe acima do ombro na parede


    Descrição:

    Posição Inicial: O exercício será realizado individualmente, ficando o jogador de frente para a parede, a qual realizará o passe.

    Tarefa: Lançar a bola contra a parede e recebê-la novamente. Neste momento o professor deve individualmente realizar correções, principalmente sobre a posição do cotovelo, que deve estar ligeiramente acima da linha do ombro.

    Variações:


    Realizar o passe com ambas as mãos, notando a diferença entre as duas.


    Realizar neste mesmo exercício o passe picado, onde a bola deve bater no solo, depois na parede e retornando à mão do jogador logo em seguida.


    Determinar alvos na parede (círculos desenhados) para treinar a precisão do passe.



    Exercício 2: Passe acima do ombro em duplas


    Descrição:

    Posição Inicial: O exercício será realizado em duplas. Os jogadores devem se posicionar de frente, um para o outro, à uma distância de aproximadamente quatro metros.

    Tarefa: Realizar o passe para o outro jogador e recebê-la novamente. Neste momento o professor deve individualmente realizar correções, principalmente sobre a posição do cotovelo, que deve estar ligeiramente acima da linha do ombro. Como o passe ainda não estará sendo realizado com perfeição, é interessante abordar as formas de recepção, para que o aluno a realize, independente da posição em que ela for recebida(alta, média e baixa).

    Variações:


    Realizar uma série de passes com a mão direita e outra série com a mão esquerda, notando a diferença entre as duas.


    Realizar neste mesmo exercício o passe quicado, onde a bola deve bater no solo.


    Aumentar a distância entre a dupla.


    Determinar o local onde a bola deve ser recepcionada.


    Arremesso


    Exercício 1: Arremesso com apoio parado


    Descrição:

    Posição Inicial: Todos os jogadores parados e espalhados atrás da linha de seis metros, de frente para o gol, sem goleiro.

    Tarefa: Um aluno de cada vez deve arremessar a bola para o gol.

    Variações:


    Determinar o local para a realização do arremesso (exemplo: ângulo superior esquerdo).


    Cinco alunos com uma bola distribuídos atrás da linha de seis metros (nos postos específicos ofensivos de pontas e armadores), ao sinal do professor ou técnico, todos devem arremessar a bola ao mesmo tempo.


    Utilizar uma seqüência, onde cada jogador arremessa por vez, utilizando assim o goleiro.



    Exercício 2: Arremesso com apoio com deslocamento


    Descrição:

    Posição Inicial: Uma coluna de jogadores nas posições do armador central, cada jogador com uma bola.

    Tarefa: Realizar o arremesso, de forma livre, sem cobrar o ritmo trifásico. O arremesso pode ser realizado entre os nove e seis metros. Neste momento o professor pode corrigir a posição do cotovelo, bem como do pé de apoio no chão, que deve ser contrário ao braço de arremesso.

    Variações:


    Realizar arremessos alternando os braços.


    Determinar o local que a bola deve atingir o gol (determinado pela divisão do gol em partes)


    Aumentar a distância do arremesso, em relação ao gol.



    Exercício 3: Arremesso em suspensão


    Descrição:

    Posição Inicial: Três filas nas posições de armador central, armador esquerdo e armador direito.

    Tarefa: Cada jogador deve realizar o arremesso em suspensão. Neste momento o professor não deve interferir na forma de deslocamento do jogador (drible, ritmo trifásico). Ele apenas deve realizar as correções no apoio do pé que irá impulsionar o jogador para o arremesso em suspensão.

    Variações:


    Utilizar um cone (deitado) para o jogador pular durante a fase aérea do arremesso em suspensão.


    Aumentar a distância do arremesso para o gol.


    Variar as posições de arremesso, de acordo com a posição inicial.


    Drible


    Exercício 1: Drible Individual


    Descrição:

    Posição Inicial: Cada jogador com uma bola, espalhados pela quadra.

    Tarefa: Realizar o drible numa seqüência que será descrita pelo professor, ao mesmo tempo em que ele realiza as correções necessárias sobre a posição da mão e do braço em relação a bola.

    Variações:


    A seqüência das variações fará o nível de complexidade crescer da seguinte forma: driblar parado em pé, driblar abaixando-se até sentar, driblar deitado até erguer-se novamente, deslocar-se andando, deslocar-se correndo, realizar paradas bruscas, realizar mudanças de direção e realizar tudo isso com ambas as mãos.


    Exercício 2: Drible utilizando cones


    Descrição:

    Posição Inicial: Uma coluna no final da quadra de frente para uma coluna de cones colocados a diferentes distâncias um do outro.

    Tarefa: O jogador deve driblar inicialmente andando e depois correndo, assim como com uma mão e depois com a outra, realizando o deslocamento em zigue-zague entre os cones.

    Variações:


    Diminuir o espaço entre os cones.


    Fazer o retorno nestes mesmos cones, de costas.


    Utilizar o contorno (giro em volta do cone) para alguns cones.



    Progressão


    Exercício: Progressão com 3 passos


    Descrição:

    Posição Inicial: Vários tipos de materiais posicionados entre a linha de seis metros e a linha de nove metros, entre eles: 3 cordas esticadas, 3 arcos, 3 pés (formato) desenhado no chão, etc.

    Tarefa: Os atletas devem realizar uma progressão com três passos para frente utilizando a posição correta dos pés de acordo com os materiais e/ou as sinalizações feitas no chão.

    Variações:


    Realizar três passos andando.


    Realizar três passos correndo.


    Estimular um aumento progressivo da velocidade de execução;


    Aumentar a amplitude das passadas


    Incluir um salto no final da realização do ritmo trifásico



    Ritmo trifásico


    Exercício 1: Ritmo trifásico

    Descrição:

    Posição Inicial: Idem ao exercício anterior, só que com a bola empunhada.

    Tarefa: Idem ao anterior, utilizando a bola e uma das mãos.

    Variações:


    Idênticas às do exercício anterior.


    Exercício 2: Ritmo trifásico com finalização


    Descrição:

    Posição Inicial: Idem ao exercício anterior, porém cada jogador com a bola empunhada de frente para o gol, próximo da linha de 9 metros, para realizar o arremesso.

    Tarefa: Idem ao anterior e arremessar para o gol.

    Variações:


    Aumentar a velocidade de execução.


    Aumentar a distância do gol.


    Notas


    Sobre o tema consultar Reis (1994).


    Sobre o tema dos mitos e preconceitos em relação a pratica esportiva feminina ver Reis (1996) e Lessa (2003).


    Conceito de Dumazedier.


    Por alguns profissionais denominados de alas.


    Observamos no Campeonado Mundial Juniores Masculino de 2003, realizado em Foz do Iguaçu, o desuso deste tipo de arremesso. Em âmbito de campeonatos internacionais houve nas últimas décadas um incremento nos arremessos com apoio.


    Referências bibliográficas


    Greco, Pablo Juan. In: Greco, P.J. & Benda, (orgs.) Iniciação Esportiva Universal: v.1, 1998, pp.


    Greco, Pablo Juan. Revisão da metodologia aplicada ao ensino-aprendizagem dos jogos esportivos coletivos. In: Greco, Pablo Juan. Iniciação Esportiva Universal: v.2, 1998, pp. 39-56.


    Lessa, Eriberto de Moura. As relações entre futebol, lazer e gênero. Campinas: 2003 (Mestrado em Educação Física) - Faculdade de Educação Física, Unicamp.


    Reis, Heloisa Helena Baldy dos. O ensino dos jogos coletivos esportivizados. Santa Maria: 1994 (Mestrado em Ciência do Movimento Humano) - Centro de Educação Física e Desportos, UFSM.


    ________. Fútbol feminino en el país del fútbol: mitos, preconceptos y desafíos: un abordaje cultural. Nexosport, n. 164, nov. 1996.

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  • sábado, 16 de julho de 2011

    7 benefícios do Muay Thai

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  • O Muay Thai, conhecido também como Boxe Tailandês ou Kickboxing Tailandês, é um dos estilos de artes marciais mais procurados de hoje em dia. Essa arte marcial brutal que é originária da Tailândia de mais de mil anos atrás atrai a atenção e o interesse de muitos entusiastas das artes marciais e fanáticos por fitness através do mundo todo. O Muay Thai pode ser um tanto intimidador para alguém tentar praticar porque é um esporte físico muito intenso, em todos os sentidos. Ele demanda alto desempenho físico e psicológico por conta de todos os socos, chutes e a pressão da luta envolvida. Embora tudo isso, o Muay Thai é definitivamente uma arte marcial que vale a pena tentar. Existem muitos benefícios que você terá da prática dessa arte marcial além da mais óbvia que é sua aplicação para a autodefesa.

    1. Uma estrutura muscula bem tonificada. O treino do Muay Thai ativa o metabolismo do seu corpo que faz você queimar as calorias e as gordurinhas indesejadas. Com apenas alguns meses de treinamento você já se sentirá muito mais flexível, leve e sua silhueta estará visivelmente mais definida. Além de tonificar os músculos do seu corpo todo, o Muay Thai também é eficaz em fortalecer o seu sistema imunológico, tornando-o menos suscetível às doenças.
    2. Maior flexibilidade. Com o treino regular seu corpo se tornará mais flexível e condicionado.
    3. Aumento da força e agilidade. O treino regular ajuda a aumentar a resistência e faz seu corpo ficar em ótima forma. Conforme seu corpo estiver em exposição às intensas rotinas de exercício físico, seu corpo se tornará mais forte e mais resiliente através do tempo.
    4. Maior coordenação física e mental. O treino constante habilita sua mente e corpo a se conectarem instantaneamente e eficientemente enquanto você treina a defesa contra os ataques desferidos do seu parceiro de treino. Esse tipo de treino também aumenta significativamente seu tempo de resposta.
    5. Menor tempo de resposta e maior foco. O Muay Thai envolve muita estratégia nas suas lutas, então sua mente também será treinada para desenvolver novas táticas para ajuda-lo a atacar e defender-se do seu oponente.
    6. Valores de espirito desportivo e disciplina. O Muay Thai é realmente um esporte muito competitivo, então você irá aprender como controlar-se e como respeitar seus semelhantes mesmo quando eles são seus oponentes.
    7. Expande e fortalece os laços sociais. O treino regular trará a você a oportunidade de conhecer novas pessoas e de socializar com diferentes tipos de gente. Essa também é uma ótima forma de aumentar sua confiança e autoestima.


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  • quarta-feira, 13 de julho de 2011

    O treino da velocidade no contexto desportivo

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    Se perguntarmos a uma criança ou até a um adulto o que é a velocidade ouviremos muitas vezes a resposta “correr depressa”, tal resposta não está errada mas velocidade não pode ser só definida por um deslocamento rápido e continuo como é o caso de “correr depressa”, pois um remate numa bola também está relacionado com velocidade. Neste artigo procuraremos mostrar quais os tipos de velocidade que conseguimos identificar nas várias modalidades e como melhorá-la para um melhor desempenho. Através do testemunho de vários autores veremos as suas divergências e convergências sobre esta capacidade física que é estudada desde, há várias décadas, procurando achar uma resposta válida às nossas dúvidas. Sendo esta capacidade física (velocidade) de extrema importância para chegar ao êxito, será em conjunto com a coordenação aconselhada a ser trabalhada precocemente, cabendo a todos nós, intervenientes na área do desporto, criar os estímulos que proporcionem aos nossos jovens o seu desenvolvimento.

    O que é a velocidade

    Para começar a falar do treino da velocidade temos antes de mais de relembrar várias definições de velocidade que nos foram transmitidas por especialistas na área do treino desportivo ao longo dos tempos.

    Bompa (2002) fala-nos da velocidade como sendo a capacidade de se transportar ou se mover rapidamente, em que mecanicamente a velocidade é demonstrada por meio da relação entre espaço e tempo.

    Já Raposo (2000), na perspectiva da metodologia do treino define a velocidade como sendo a capacidade de o atleta realizar acções motoras (movimentar) no mínimo tempo para determinadas condições (desportos cíclicos ou acíclicos).

    Garganta (1999) também nos diz que a velocidade não decorre apenas na brevidade de reacção aos estímulos ou da velocidade gestual, mas também do tempo necessário à identificação, ao tratamento rápido da informação e ao reconhecimento e avaliação das situações complexas de jogo.

    Podemos dizer então de uma forma abreviada que a velocidade é a capacidade de produzir um movimento/deslocamento, de uma parte do corpo ou o seu todo, mas também de pensar e encontrar uma resposta para resolver determinada tarefa, no mais curto espaço de tempo.

    Diferentes tipos de velocidade

    Existem vários tipos de velocidade em que uns são mais frequentes numas modalidades do que outras e cada um com a sua importância para um bom desempenho.

    Encontramos então vários autores a falar-nos de dois tipos de velocidade, velocidade simples e velocidade complexa. De referir que vários autores se referem à primeira de várias designações, em que Matvéiev (1986) se refere como velocidade simples, já Carvalho (2000) de “velocidade pura” e Adelino, J.; Vieira, J,; Coelho, O,; (2000) como velocidade elementar, pode-se dizer que os autores se referem a uma velocidade base onde não existe complexidade nas suas formas de velocidade. Em relação à velocidade complexa existe um maior consenso entre os autores.

    Matvéiev (1986) fala-nos da velocidade de reacção motora simples que exige uma constante atenção na especialização em modalidades que, na fase inicial da competição, ou durante esta, exijam resposta imediata a sinais ou situações previamente determinados como é o caso do tiro de partida, o apito do árbitro, o aparecimento do alvo nas provas de tiro rápido, etc.

    Este mesmo autor dá-nos a conhecer também a velocidade de reacção motora complexa, em que os requisitos são mais elevados nas modalidades que se caracterizam por uma constante e súbita mudança da acção como acontece nos jogos ou num slalom em que um atleta tem de escolher de várias acções possíveis aquela que se adapte à situação em que se encontra.

    Podemos então dizer que na velocidade de reacção simples existe a reacção a um estímulo já conhecido (tiro de partida) e que já é conhecida a resposta a dar a esse mesmo estímulo (arrancar o mais rápido possível).

    No caso da velocidade de reacção complexa existe a reacção a um estímulo desconhecido (golpe rápido de um adversário) e é desconhecida a resposta a dar a esse mesmo estímulo (com esquiva em defesa ou com contra ataque).

    A velocidade de reacção simples pode ainda subdividir-se em velocidade de reacção simples acíclica ou seja a velocidade de realizar movimentos únicos como é o caso do lançamento do dardo e velocidade de reacção simples cíclica, o mesmo é dizer, realizar movimentos repetidos como acontece num sprint.

    Segundo Adelino et al. (2000) a velocidade complexa manifesta-se em associação com outras capacidades, como por exemplo:

    Velocidade associada com força (força de impulsão, força de remate, força de aceleração)

    Velocidade associada com a resistência (velocidade resistência)

    Velocidade associada à tomada de decisão e à actuação táctica (acções colectivas (rápidas) nos jogos desportivos colectivos)

    Velocidade associada ao gesto técnico

    Podemos também acrescentar o que nos diz Garganta (1999) que a capacidade de previsão, por exemplo, permite que um jogador, mesmo sendo ”mais lento” do que outro, do ponto de vista neuromuscular, possa chegar mais depressa a um determinado lugar do terreno de jogo, porque previu e antecipou a resposta. (Velocidade de percepção e de antecipação)

    Factores que influenciam a velocidade

    A complexidade de um movimento/deslocamento rápido seja ele cíclico ou acíclico tem sempre a presença de todas as capacidades motoras (velocidade, força, resistência, flexibilidade e coordenação) ora seja na conjugação de velocidade com força como é o caso do lançamento do martelo, ou na corrida dos 200 metros onde podemos encontrar a velocidade e a resistência de manter o mesmo nível até o final do percurso. A flexibilidade também tem a sua importância ao facilitar a amplitude de movimentos e impedindo a sua rigidez resultando num equilíbrio entre as diferentes capacidades motoras. Mas mais importante ainda encontramos no sistema nervoso central o papel de regular e mobilizar todos os sistemas necessários para a realização de movimentos, que através do rápido envio de impulsos nervosos provocam a contracção dos músculos sinérgicos e relaxamento dos antagonistas, também a coordenação e concentração, factores importantes para uma boa performance estão dependentes de um bom funcionamento do sistema nervoso central.

    Por essa razão o factor hereditário ou genético torna-se na principal causa de sucesso nas provas de velocidade, ou não encontrássemos nós em vários estudos sobre a velocidade a célebre frase “os sprinters nascem não se fazem”.

    A importância das fibras musculares na velocidade

    No músculo humano podemos identificar três tipos de fibras, lentas de tipo I e dois tipos de fibras rápidas, tipos IIa e IIb (Correia 2007) este autor continua dizendo que as fibras de contracção lenta do tipo I dependem sobretudo do metabolismo oxidativo, possuindo características adaptadas a este tipo de perfil metabólico tais como o abundante número de mitocôndrias e o número de capilares circundantes mais elevados. No outro extremo temos as fibras de contracção rápida tipo IIb com um metabolismo energético sobretudo glicolítico, quase desprovidas de mitocôndrias e com abundante quantidade de enzimas da via glicolítica. Colocadas em posição intermédia situam-se as fibras IIa, que combinam uma contracção rápida a um perfil metabólico misto.

    A grande diferença das fibras lentas, (também chamadas de fibras vermelhas devido à maior presença de capilares), e das fibras rápidas, (também chamadas de fibras brancas devido a uma mais baixa percentagem de capilares), é segundo Correia (2007) na diferença manifestada na velocidade com que se encurtam, sendo que as fibras rápidas ou brancas existem em maior predominância em atletas de velocidade levando a produzir uma elevada potência mecânica, mas que entram rapidamente em fadiga devido à baixa presença de oxigénio. Por sua vez as fibras lentas ou vermelhas como nos diz Vieira (2000), contém uma percentagem elevada de mioglobina, o que permite grande acumulação de oxigénio, e estão, por isso, aptas a realizar “performances” de resistência; todavia, contraem-se mais lentamente que as fibras brancas, ou fásicas, que têm percentagem elevada de miofibrilhas, aptas pois à velocidade, mas de resistência relativamente fraca.

    De realçar também as fibras intermédias que como nos diz Weineck (1999) existem em maior quantidade nas crianças em comparação com os adultos, sendo que crianças precocemente treinadas em velocidade apresentam um aumento de fibras rápidas, pois as fibras intermédias transformam-se em fibras rápidas, atingindo um potencial para a velocidade melhor do que aquele herdado geneticamente.

    Métodos para o aumento da velocidade

    O treino da velocidade deve começar ainda na infância, altura em que o sistema nervoso central ainda está em desenvolvimento, sendo esta fase de grande importância para melhorar o que a genética nos deu.

    Um treino para a força muscular pode aumentar 300%, para aumentar a velocidade apenas 10%, pois não se consegue obter tantos resultados, e de forma tão rápida e acessível como no treino da força ou resistência.

    Os exercícios devem ser de curta duração mas de alta intensidade, os resultados estão dependentes da qualidade e não da quantidade.

    Os exercícios devem ser executados com rapidez e não com lentidão dai os exercícios com pesos nos tornozelos ou correr na areia não serem os exercícios mais adequados pois terão o efeito contrário ao pretendido.

    No treino de exercícios de velocidade simples utiliza-se muito o método competitivo em que os atletas se servem da própria competição para treinar utilizando a emoção e motivação gerada à volta da competição para melhorar a sua prestação. Isto só é possível devido à curta duração das provas de velocidade, o que permite ao atleta participar num grande número de provas oficiais ao longo do ano.

    Um dos métodos do treino da velocidade é a execução de exercícios com a redução de carga externa, no entanto é encontrado um problema, onde o peso do corpo do atleta é a carga adicional. Matvéiev (1986) fala-nos de vários métodos para procurar facilitar a obtenção de maior velocidade nesses exercícios onde o peso do atleta é «reduzido» por meio da aplicação de forças exteriores, com o auxílio de um parceiro, do treinador ou de dispositivos de suspensão e transporte, em que o atleta é suspenso no ar permitindo a aplicação de uma força de tracção, dirigida para cima e regulada com precisão, a fim de realizar os diversos valores de aligeiramento doseado.

    A resistência do meio natural é diminuída como acontece na natação em que o atleta nada com corrente a favor ou em água do mar, a utilização das condições exteriores é usada em corrida com a pista inclinada ou em descida no ciclismo.

    Estes métodos também nos são relatados por Bompa (2002) em que a repetição é o método básico usado no treino da velocidade, podendo também serem realizados exercícios de velocidade máxima sob condições de uma resistência crescente, como patinar, nadar ou correr enquanto são segurados por uma corda de borracha. A velocidade de execução de um exercício é superior se antes dela, por um curto período, o atleta faz treino com pesos (Florescu et al. 1969) citado por Bompa (2002), ou o executa contra uma resistência.

    Ozolin (1971) afirma que o atleta deveria direccionar pensamentos, vontades e concentrações na direcção da execução de uma repetição à máxima velocidade, porque tal preocupação psicológica e mental ajuda-o a alcançar a velocidade superior e a coordenação neuromuscular. Um atleta enquanto corre em curtas distâncias deverá concentrar-se em acelerar o movimento dos braços, o que, baseado na coordenação entre eles e as pernas, resultará em movimento de pernas mais rápido.

    O método da desvantagem proporciona um bom treino e com atletas de vários níveis resolvendo também ao treinador o problema da individualidade em que é dada uma desvantagem inicial aos atletas mais rápidos em comparação com outros, de maneira a que no final todos cheguem ao mesmo tempo, dando também assim motivação aos atletas para realizarem o exercício na velocidade máxima.

    Também a redução do espaço e do tempo são utilizados para melhorar a velocidade como acontece nos exercícios cíclicos em que se reduz a distância a percorrer em comparação à competição, nos jogos é reduzido o espaço onde se realiza o exercício de forma a acelerar a resposta motora e psíquica como acontece nos jogos colectivos como o futebol o andebol ou mesmo nos jogos de luta.

    Deverá existir a atenção de em todas as idades mas principalmente no treino dos jovens, a utilização do princípio da variabilidade, não devendo para isso serem sempre utilizados os mesmos métodos de treino, pois acabarão por criar uma rotina nos movimentos, além da desmotivação, tendo como resultado o difícil desenvolvimento da velocidade.

    Weineck (1999) diz-nos que a constante repetição de um movimento num mesmo ritmo pode consolidar o mesmo, induzindo uma estagnação do desenvolvimento da velocidade e a formação de uma barreira de velocidade.

    Sendo portanto de evitar que no treino de velocidade precoce se trabalhe muito com carga máxima ou estímulos muito fortes que acabarão por criar a barreira de velocidade.

    Zaciorskij (1972) citado por Weineck (1999), mostrou que o melhor atleta mundial de sprint apenas treinava uma vez por semana com a carga máxima e que a parte principal da preparação de força rápida consistia de exercícios especiais, treino com cargas adicionais, saltos múltiplos e corridas em baixa velocidade.

    Vieira (2000), também nos alerta para que o volume da carga no treino da velocidade de ser tal que não permita o aparecimento de fadiga, pois a intensidade elevada da carga é um factor fundamental no treino de velocidade. Para que esta se mantenha em níveis elevados é fundamental que o treino seja executado na ausência de fadiga, já que esta é considerada como um factor inibidor, senão não estaremos a trabalhar para o objectivo que pretendemos mas sim outro, como a velocidade resistente.

    Sob estado de fadiga não se atinge a velocidade máxima, pois há uma inibição dos processos coordenativos do sistema nervoso central, exigidos para o desenvolvimento da velocidade, que tem o seu desempenho prejudicado (Weineck 1999).

    Matvéiev (1986) diz-nos que o intervalo de repouso entre series deve ser o suficiente para que se possa executar o exercício seguinte a uma velocidade idêntica à anterior e dá-nos como exemplo exercícios de velocidade até 100 metros em que se o atleta for bem treinado precisará de 5 a 8 minutos para se restabelecer. Nos intervalos entre os exercícios além do repouso passivo recomenda-se a realização de movimentos ligeiros semelhantes ao exercício principal de forma a manter a afinação psicomotora para a acção.

    Já Bompa (2002), refere que os intervalos de descanso devem facilitar uma recuperação óptima, durante a qual o ácido láctico é reduzido e o débito de oxigénio é restaurado quase inteiramente. Considerando as características individuais, o intervalo de descanso entre estímulos intensivos pode estar por volta de 4 a 6 minutos. Se são usados intervalos mais longos, como 12 minutos, recomenda-se um curto aquecimento para elevar o nível de excitabilidade do sistema nervoso central. Durante os intervalos aconselha-se um descanso activo com corrida leve ou caminhada.

    Conclusões

    Podemos concluir que a velocidade está presente nos mais variados jogos ou modalidades e que a sua utilização está associada ao êxito da execução de uma tarefa, seja ela individual ou colectiva, com movimentos cíclicos ou acíclicos, que poderão ir de um simples sprint, à capacidade que um jogador tem de se antecipar a um adversário para ficar na posse da bola (velocidade de antecipação).

    É de notar também que a velocidade é uma capacidade física que é herdada geneticamente, por essa razão o seu aperfeiçoamento comparado com outras capacidades físicas é mais difícil.

    São encontrados no entanto métodos que podem aprimorar a velocidade de um atleta, devendo o seu treino começar em idade precoce, altura em que o seu sistema nervoso central ainda está em desenvolvimento e altura também que o seu elevado número de fibras intermédias pode ser transformado em fibras rápidas do tipo II, fibras que são predominantes em velocistas.

    O treino do atleta deve ser realizado de preferência sem carga exterhttp://www.blogger.com/img/blank.gifna, ou quando com carga externa que seja por curtos períodos, de maneira a que o exercicio seja sempre realizado à maior velocidade possível, para isso teremos que estar perante a ausência de fadiga, devendo para isso respeitar sempre os períodos de descanso, senão já estaremos a treinar para outro objectivo que não a velocidade. Deverá no entanto ser dada atenção às constantes repetições e utilizações de cargas máximas de maneira a evitar criar a barreira de velocidade.

    Também a redução do espaço e do tempo são excelentes métodos para melhorar a velocidade motora e psíquica, tão importante nos dias de hoje em que é necessário encontrar uma resposta ao problema no mais curto espaço de tempo e de seguida colocá-la em prática.

    Fonte

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  • segunda-feira, 11 de julho de 2011

    Estruturação das categorias de base no futebol

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  • O processo de formação da cultura organizacional do futebol brasileiro teve início através de Charles Miller em 1895, com o surgimento dos clubes, o São Paulo Atletic Club; a Associação Atlética Mackenzie; o Sport Club Germânia, todos no Estado de São Paulo De acordo com Carravetta (2006) nessa época, o futebol era amador e, ao mesmo tempo, elitista, excludente e racista, representando na época um mecanismo de distinção da elite brasileira, a começar pelo material utilizado na prática do esporte, pois esse era importado de renomadas lojas inglesas. No início do século XX, as fábricas e indústrias começaram a implantar a prática do futebol com a classe operária, deu-se ai início a proliferação de novos clubes de futebol em toda a extensão do território brasileiro.

    Com a proliferação dos campeonatos, a massificação e popularização do futebol, os clubes de elite começaram a se desligar do esporte e as ligas começaram a aceitar os times oriundos das várzeas. Com essas mudanças aumentaram as disputas, a busca por melhores resultados, o sentimento de rivalidade, melhor qualificação das equipes e o aumento de torcedores, é o início da profissionalização.

    Desde sua criação até os dias atuais muitas transformações ocorreram no futebol, o que vem configurando como o esporte mais praticado do país. Hoje o futebol tornou-se um fenômeno de massa e não fica limitado aos jogadores, mas “transborda” do campo para as arquibancadas e, graças ao rádio e a TV, chega às imensas multidões. Provavelmente, é o fato social que envolve o maior público de todas as condições sociais e de todas as idades, em qualquer parte do mundo, em especial no Brasil (PAIM & STREY, 2004).

    Atualmente o futebol é visto como processo e sistema, onde compreende aspectos humanos, sociais, culturais, comunicativos, relacionado entre si em uma grande engrenagem, com regulamento, normas e valores. De acordo com Carravetta (2006) a Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA), serve de mecanismos formais e informais para introduzir objetivos, valores, normas, estabelecendo um equilíbrio para a criação coletiva e a capacidade de regulação da prática do futebol em seus diferentes aspectos e contextos. A FIFA transformou o futebol contemporâneo em uma atividade economicamente ativa, a qual movimenta em média US$ 225 bilhões por ano. É constituída por 204 federações nacionais, milhares de federações estaduais ou regionais e cerca de 300 mil clubes filiados e 1,5 milhão de equipes. Sendo no Brasil a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), a entidade com representatividade perante a FIFA. Compete a CBF administrar a prática do futebol profissional e não-profissional em todos os níveis, bem como a promoção de campeonatos, entre outras. Além dessa estrutura há a estrutura interna dos clubes, sendo essa responsável pelo processo comunicativo-relacional que sustenta intercâmbios informativos, culturais, educativos, normativos, técnicos, entre outros.

    Sem dúvida o futebol ocupa atualmente um espaço privilegiado no mundo global dos negócios e na indústria do entretenimento, e como vimos grandes mudanças foram ocorrendo no futebol ao longo dos anos, no mundo e em especial, no Brasil, foi ocasionada após a Lei Pelé, a qual modificou a relação dos jogadores com os clubes, e vários deles estão se transformando em empresas que movimentam somas astronômicas. Esta não é a primeira mudança pela qual o futebol passa e certamente não será a última. As circunstâncias mudam, mas a paixão dos torcedores permanece inalterada. Ao contrário de outras paixões, a do futebol é eterna. De acordo com Carravetta (2006) joga-se futebol em mais de 200 países, e no Brasil atrai e mobiliza a atenção de milhões de pessoas. É então perfeitamente normal que um esporte que atinge proporções dessa magnitude, e com este nível de aceitação pública seduza as crianças, levando-as a procurar um clube onde possam buscar o sonho de um dia atingir o sucesso.

    O futebol, dentre os esportes coletivos, talvez seja o que mais precocemente inicia seu processo formativo de forma sistemática e organizada. Entretanto, curiosamente é uma modalidade que carece de pesquisa científica sobre os efeitos das atividades aplicadas a milhares de crianças e jovens em suas escolas de formação, sejam de clubes ou particulares (FRISELLI & MONTOVANI, 1999). Percebe-se que o futebol vem se caracterizando pelo salto qualitativo na área do treinamento e, conseqüentemente, na performance dos atletas e das equipes. Concepções táticas variadas, didáticas e modelos de treinos diferenciados e a interdisciplinaridade de tratamento dos atletas são algumas mudanças no futebol atual. Muitos ainda acreditam que um bom jogador de futebol nasce pronto, porém dados comprovam que o “dom natural” de um jogador precisa ser direcionado e desenvolvido corretamente (MELO, 1999).

    A busca de atletas para as categorias de base é um processo permanente de seleção, em especial no futebol que vêm se solidificando como o esporte mais popular do mundo, atraindo inúmeros espectadores. Durante muito tempo a formação de jovens talentos para a prática do futebol em nosso país se deu de forma quase espontânea, germinando nos quintais das casas, ruas, campinhos, praias, entre outros lugares mais inusitados. Aquela seleção que surgia de forma quase espontânea, às vezes com a ajuda de alguns adultos com alguma dose de bom senso (pais, professores de Educação Física, treinadores), hoje necessita de uma estimulação cada vez mais consciente e mesmo profissional. De acordo com Kunz (2003), o processo de formação de jogadores no Brasil teve seu grande marco na década de 60. As categorias de base surgiram neste período com o intuito de formar jogadores para os clubes. A necessidade de formar o jovem dentro do clube começou seqüencialmente ligada à crise futebolística instalada na Copa de 1966 à necessidade do nascimento de novos jogadores.

    Atualmente as chamadas categorias de base ou categorias formativas ganham importância na visão dos dirigentes futebolísticos. O alto preço dos passes de futebolistas já consagrados, juntamente com uma maior concorrência das equipes mais poderosas na busca de bons jogadores jovens e desconhecidos, fez com que nos últimos anos os investimentos na formação do atleta de futebol profissional aumentassem de forma significativa. As categorias de base dos clubes brasileiros vêm ganhando destaque cada vez maior nos últimos anos. Além de importantes na conquista de títulos, como aconteceu com a geração de Robinho e Diego do Santos, que foram na sua época, fundamentais para a arrecadação de recursos com negociações para o exterior.

    Percebe-se que dentre os objetivos das categorias de base dos clubes de futebol, pode salientar: a correção de “vícios”, iniciação do trabalho físico mais pesado, adequação do jogador às normas do clube e conseqüentemente as do mercado de trabalho. Carravetta (2003) destaca que para os jovens deve-se elaborar um sistema de treinamento e competição de grande exigência para obter um rendimento pleno de todos os fundamentos. Enfatiza também que não se deve ter apenas um objetivo didático a análise do movimento, mas buscar um comportamento competitivo por meio de movimentos sempre renovados e adaptados às situações de estresse que surgem nas diferentes etapas do jogo. Tudo isso só vem provar que a velha frase “jogador brasileiro já nasce pronto” não passa apenas de um mito. Mesmo habilidades e técnicas podem ser aperfeiçoadas com treinamento desde o início de sua carreira. Com as novas exigências, direcionamentos e ordenamentos do futebol, tornam-se imprescindível a passagem do futuro atleta pelas escolinhas de futebol, administradas e operacionalizadas por especialistas, que podem ser ex-jogadores ou ex-treinadores do profissional ou professores de educação física.

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  • sexta-feira, 8 de julho de 2011

    Treinamento mental na performance dos atletas

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  • O treinamento mental sendo originário da psicologia cognitivista, busca influenciar os pensamentos e as representações mentais dos atletas objetivando a melhoria da sua performance. No que diz respeito à aprendizagem de habilidades motoras segundo Magill (1998) a primeira etapa da aprendizagem motora envolve um alto grau de atividade cognitiva e muito dessa atividade está relacionada à questão sobre o que fazer com essa nova tarefa, assim o treinamento mental pode ajudar nas respostas referentes à performance sem a pressão que acompanha o desempenho físico da habilidade, além de ser benéfico na consolidação das estratégias e na correção de erros nas etapas finais da aprendizagem, que seriam as fases associativa e autônoma.

    As demandas cognitivas vividas pelos atletas durante as situações de competição e a busca pelo domínio das emoções e sentimentos dentro desse contexto fazem do treinamento mental uma variável significativa que o faz estar incluso nos programas de treinamento de grandes atletas de alto rendimento, conforme pode - se observar dentro da bibliográfica científica atual, porém, aqui no Brasil ainda é bem pouco utilizado. Dessa forma torna-se importante o conhecimento teórico, bem como, o conhecimento da aplicabilidade de um programa de treinamento mental, para que possamos o inserir na qualificação do desporto brasileiro.


    Conceito

    É um trabalho dirigido ao condicionamento tanto da mente que pensa quanto da mente que sente, é parte do Treinamento de Capacidades Psíquicas, utilizado principalmente para incrementar a performance de atletas e se baseia no princípio de que podemos exercer domínio maior dos nossos pensamentos, dos sentimentos e conseqüentemente, do nosso comportamento (FLEURY,1998).

    A imaginação de realizar uma ação em movimento denomina-se ação imaginada, ensaio mental ou visualização (GONZÁLEZ, 1996).

    Recapitulação cognitiva de uma habilidade física na ausência dos movimentos físicos e explícitos (MAGILL, 1998).

    Imaginação de forma planejada, repetida e consciente das habilidades motoras e técnicas esportivas (SAMULSKI apud FRANCO, 2000)

    Procedimento na qual os indivíduos pensam sobre a realização da habilidade motora, na ausência de movimento observável. (SCHMIDT e WRISBERG, 2001)

    A Prática Mental conforme Schmidt e Wrisberg (2001), é um procedimento de treinamento mental no qual os executantes pensam sobre os aspectos cognitivos, simbólicos ou processuais da habilidade motora, na ausência de movimento observável.


    Breve histórico

    Segundo Tzachou-Alexandri apud Becker (1996) no período clássico, cinco séculos AC, em Atenas, nos ginásios existiam zonas com todas as facilidades para que treinadores e atletas realizassem " o treinamento, tanto do corpo quanto da mente " e segundo Santos apud Becker (1996) os filósofos Platão e Descartes davam grande importância à utilização de técnicas mentais, como recursos de aprendizagem e memorização.

    O início do estudo científico das práticas mentais segundo Becker (1996) foi em 1892 com Jastrow que estudou os movimentos involuntários produzidos durante várias operações mentais.

    Conforme Rúbio et al (2000) a Psicologia do Esporte Americana foi marcada nos anos 80 por uma produção voltada para o enfoque cognitivista, com especial atenção para as questões relacionadas com pensamentos e representações mentais em atletas, como eles mentalizam sua ação e qual a influência dessa mentalização no seu desempenho.

    O trabalho realizado pela psicologia cognitiva do esporte fomentou um grande interesse pela representação mental de imagens, daí a chegar a conclusões como atletas que de forma natural se imaginam rendendo o máximo ou se estão treinados em se imaginar triunfando aprendem, em ambos os casos, como responder melhor às demandas vividas em situações competitivas. A conseqüência desse desenvolvimento é que a sugestão e as técnicas cognitivas converteram-se em uma parte substancial da maioria dos programas de treinamento.


    Teorias explicativas sobre Treinamento Mental

    Franco (2000) afirma que é comprovado cientificamente, que um movimento imaginado e exercitado mentalmente produz microcontrações e conseqüentemente uma melhoria da coordenação neuromuscular, há um efeito fisiológico significativo, pois uma maior irrigação de sangue é constatada na musculatura envolvida.

    Segundo Fleury (1998) a Teoria Psiconeuromuscular (PNM) afirma que existe relação neurofisiológica direta entre a experiência artificial imaginada e o desempenho real, quando uma pessoa imagina estar desempenhando determinada atividade pequenas quantidades de atividade neural podem ser medidas por todo o nosso corpo, em outras palavras, ao imaginar fortemente uma situação específica, pode-se criar marcas neurológicas que atuam como se o atleta estivesse vivendo realmente aquela experiência.

    Conforme a autora acima citada a Teoria Simbólica do Aprendizado, que está intimamente relacionada à Teoria Psiconeuromuscular, parte do princípio que a imaginação pertence a um sistema de códigos que pode ajudar atletas a entender e aperfeiçoar seus movimentos, isso significa que os movimentos realizados pelo atleta, influenciados diretamente pela mente, são compostos de uma seqüência de atividades que pode ser desmembrada, observada e aprimorada. A grande maioria dos fundamentos de desportos em geral, podem ser aperfeiçoados através dessa teoria.


    Utilização e vantagens do Treinamento Mental

    Utilização segundo Magill (1998) :

    Aquisição de habilidades motoras;

    Reaprendizagem de habilidades motoras;

    Melhoria no desempenho de uma habilidade motora bem aprendida;

    Programas de reabilitação.

    Vantagens segundo Franco (2000) :

    Diminui a carga física - menos cansaço;

    Diminui a carga psíquica - situação sob total controle;

    Eliminação de lesões físicas - sem risco;

    Menor gasto de tempo;

    Sem exigência de espaço adequado;

    Sem exigências de condições físicas - casos de contusões;

    Maior chance de concentração - não há estímulos perturbadores externos.

    Benefícios do Treinamento Mental na aprendizagem de habilidades motoras (SCHMIDT e WRISBERG, 2001)

    Pode envolver a prática de aspectos cognitivos, simbólicos e de tomada de decisão da habilidade;

    Pode permitir ao aprendiz imaginar ações possíveis e estratégias, estimulando os resultados prováveis na situação real;

    Pode ser acompanhado por atividade muscular mínima, muito longe da necessária para produzir a ação, que envolve os músculos que são utilizados durante o movimento real;

    Pode auxiliar na focalização da atenção dos executantes nas dicas relevantes da tarefa, o que pode ser útil para a performance física subseqüente.


    Os sistemas sensoriais e o treinamento mental

    Segundo Suinn apud Becker (1996) durante uma sessão de treinamento mental é possível atuar sobre os sistemas sensoriais, em quatro dimensões distintas: visual, cinestésica, auditiva e emocional.


    Dimensão visual

    Para Becker (1996) na dimensão visual o atleta imagina-se realizando a ação desportiva e pode produzir diferenças na perspectiva (interna X externa), isto significa que além das informações externas, a imaginação visual pela sua característica de colocar a atenção em todos os detalhes possíveis da ação (posição corporal, seqüência motora, etc) pode proporcionar ao praticante informação interna sobre modelos de ação motora.


    Dimensão cinestésica

    Segundo Hall, Rodgers & Bar; Suinn apud Becker (1996) esta dimensão trata da imaginação da percepção interna que o atleta vivência, antes, durante e depois da ação motora, e que juntamente com a dimensão visual é a mais utilizada pelos atletas. Os mecanismos proprioceptivos recebem informações importantes dos músculos, ossos e do sistema responsável pelo equilíbrio e os mecanismos interoceptivos recebem também informações das vísceras.


    Dimensão Auditiva

    Durante a execução real das ações motoras, segundo Becker (1996), os atletas registram ruídos que ocorrem tanto em si mesmo, como no objeto ou objetos que maneja e no ambiente desportivo que o rodeia. A utilização da imaginação auditiva, somada às dimensões visual e cinestésica contribui para o aumento do rendimento dos atletas.


    Dimensão emocional

    Conforme Becker (1996) por mais que um atleta esteja preparado para uma competição, é impossível deixar de sentir a emoção relacionada ao movimento. A visualização das emoções que podem ocorrer em situações cruciais de uma competição, é uma técnica de imaginação, também utilizada na psicologia clínica chamada de Coping Imagery que significa imaginação pela superação, que pode levar a um melhor controle destes fatores por parte do atleta.

    A posição corporal do praticante de treinamento mental (BECKER, 1996):

    A posição corporal do praticante para a execução do treinamento mental pode ser de três maneiras:

    Deitada

    Para que o atleta fique mais acomodado é recomendada a posição deitada em decúbito dorsal, frontal ou, se preferir, na posição lateral.

    Sentada

    Esta posição pode facilitar que a execução da técnica realizasse uns momentos antes de entrar em quadra, por exemplo.

    Em pé

    A posição em pé permite ao praticante efetuar o treinamento mental dentro da competição, uns instantes antes que o atleta execute uma ação de grande responsabilidade.

    Segundo o autor, as posições corporais dos praticantes de treinamento mental, que são utilizadas durante as sessões, são as que têm sido citadas pela literatura internacional porém, não vem sendo realizadas investigações científicas que possam determinar as possíveis vantagens de uma das posições em relação as demais.

    Programa de treinamento mental (GONZÁLEZ, 1996):

    A visualização psicológica é uma das técnicas mais eficazes que existe para a melhora das atuações de desportistas, muitos desportistas antes de uma competição imaginam mentalmente as ações e movimentos que deverão ser realizados.

    Antes do ensaio mental se tornar um treinamento mental utilizado conscientemente, as pessoas o utilizam de forma natural (inconsciente) sem poder evitá-lo.

    A diferença individual no nível de habilidade de desportistas é muito grande, e normalmente cada um adapta as instruções conforme a sua maneira de ser, já que este procedimento é mais efetivo que seguir ao pé da letra as instruções gerais da psicologia. Outra advertência importante a ser considerada é o nível de habilidade individual e o desporto praticado.

    Existem algumas evidências de que os desportistas de maior habilidade beneficiam-se mais da visualização do que desportistas com menos habilidade.

    Um grande número de técnicas psicológicas desenvolvem o emprego da combinação relaxamento - visualização, por estimar serem mais efetivas ambas as técnicas juntas, do que aplicadas separadamente.


    A influência da forma de pensar do desportista na sua performance

    Muitos desportistas e treinadores são convencidos de que a maneira de atuar do jogador é diretamente dependente da sua forma de pensar. Em outras palavras, existe uma continuidade necessária entre a maneira de mentalizar um movimento e a forma de realizá-lo. Se a mentalização de uma ação for realizada erroneamente, a execução desta mesma ação será realizada também erroneamente ou de forma inadequada.

    As relações entre a mentalização e execução têm fundamento na investigação psicológica. Praticamente todos as fundamentações da orientação cognitiva da psicologia indicam que uma mentalização inadequada produz resultado desfavorável na sua execução da ação. O comportamento poderá ser modificado se houver alterações na conduta (pensamentos e cognições) do indivíduo.

    As pesquisas têm corroborado amplamente que, um sujeito ao imaginar um movimento, produz algum tipo de atividade muscular, principalmente dos músculos envolvidos na realização do mesmo. A representação mental de um movimento tem repercussões musculares, porém o registro da atividade muscular que resulta da imaginação de um movimento é mais intensa em indivíduos que possuem hábito de exercitar este movimento. A imaginação, portanto, é o principal fator que inicia a ação muscular para preparar o desportista para a competição.

    A utilização de biofeedbacks confirma de forma convincente a relação estreita entre os pensamentos e emoções relativos a uma atividade particular.

    Para que a prática mental consiga os efeitos desejados, deve cumprir algumas condições. Consequentemente deve ser investigado quais variáveis asseguram o emprego positivo da visualização de imagens na execução, evitando aquelas condições onde a visualização pode ser menos efetiva.


    Características das imagens para serem efetivas

    a) Orientação

    Uma característica da mentalização que se considera importante é " a orientação da imagem" ". A orientação da imagem divide-se em imagem interna e imagem externa.

    Imagem interna: é aquela produzida pelo próprio aspecto da mentalização e também é chamada de imagem cinestésica.

    Imagem externa: ocorre quando uma pessoa vê a si mesma, como um observador, como se estivesse vendo-se em uma televisão.

    Os estudos realizados não apresentam conclusões que possam ser confirmadas, parece que ambas, a imagem interna e a externa, podem melhorar a atuação e que sua efetividade depende do nível de habilidade do desportista e do tipo de tarefa a ser realizada.

    b) Claridade (nitidez)

    Outra característica importante da efetividade das imagens refere-se a claridade ou nitidez da imagem. A nitidez se refere à claridade da imagem produzida. Uma mentalização confusa do que se quer fazer, dificilmente trará uma execução satisfatória. Por exemplo: um jogador de basquete que visualiza um tiro livre sem ver claramente o aro da cesta, conseqüentemente na execução do movimento irá falhar.

    c) Controlabilidade

    Controlabilidade refere-se à capacidade da pessoa em alterar a imagem: aumentando-a, diminuindo-a ou vê-la em movimento. Trata-se de um fator decisivo para determinar a efetividade da imagem. O controle se refere a mudar a imagem conforme a vontade do desportista. Aprender a controlar as imagens de acordo com os desejos e necessidades, se não houver controle das imagens, haverá repetição de erros.


    Convencer os desportistas da utilidade do treinamento mental

    A experiência de grandes campeões:

    Existe uma ampla evidência de desportistas que se serviram eficazmente do treinamento mental na melhora do seu rendimento. O melhor será oferecer exemplos do próprio desporto.

    Fazer algumas demonstrações:

    Demonstrar através de biofeedbacks que as imagens processadas no nosso cérebro influenciam na tensão muscular, na sudorese, na respiração, na temperatura e na freqüência cardíaca, por exemplo.

    Usar expressões positivas:

    Deve-se se expressar aos desportistas de forma positiva, o mais concretamente possível.

    A expressão "não pode ficar nervoso " é recordar o nervosismo, enquanto que a frase "conserve a calma" sugere a imagem contrária.

    Recomendações para a efetividade dos objetivos do treinamento mental

    O relaxamento, se preceder a prática do treinamento mental, poderá ser mais efetivo;

    Imaginar os movimentos ou tarefas de forma real, para conseguir uma imagem clara.

    Focalizar a atenção em uma execução perfeita.

    Utilizar a imagem para aprender diferentes estratégias para serem utilizadas ao decorrer do jogo.

    Usar todas as modalidades sensoriais (visão, olfato, audição, tato e degustação) no treinamento mental.

    Praticar o treinamento mental dentro de bases realistas, isto é, adaptando aos níveis do rendimento para melhorá-los.

    Avaliar a habilidade de imaginar, qualquer procedimento é bom quando se consegue demonstrar os progressos.


    Métodos de treinamento mental

    O treinamento mental pode ser realizado através de exercícios, questionários e biofeedbacks, onde o local mais apropriado é o local dos treinamentos e o das competições. A prática deve ser individual e ter uma duração média de 15 minutos.


    Conclusão

    Conclui-se que o treinamento mental é uma variável importante a ser considerada tanto para melhoria da performance atlética, quanto para a aquisição de habilidades motoras, mas que, deve ser como qualquer outro treinamento, planificado e planejado considerando, além das suas peculiaridades próprias para a sua eficiência a individualidade biológica e a especificidade do desporto ou habilidade motora objetivados.

    Fonte

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  • terça-feira, 5 de julho de 2011

    Treinamento de recepção Voleibol

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  •     O voleibol no Brasil sofreu com a distância dos grandes centros desenvolvidos do Voleibol mundial, Europa e Ásia. As informações chegavam com atrasos e até mesmo, ocorreu de o Brasil chegar a uma competição mundial sem conhecer o fundamento técnico da recepção, denominado de Manchete, isto aconteceu no Campeonato Mundial adulto masculino de 1964.

        A equipe brasileira comandada na época pelo professor Sami Melinski, treinador que conquistou todos os títulos para o Brasil a nível mundial na época, conheceu e treinou pela primeira vez a Manchete um dia antes do campeonato mundial (RIZOLA, 2003).

        A recepção do saque nos tempos inicias do Voleibol era feita apenas com o toque por cima da cabeça, pois na época o saque não tinha tanta força e precisão, mas tomou outra proporção, quando este fundamento passou a ser trabalhado com o objetivo de maximização da técnica e da tática. Surge então a manchete, devido a necessidade de dominar a recepção (RIZOLA, 2003).

        Segundo Alberta (1998) e Murpy (1991) o sucesso do ataque no voleibol esta interligado com a qualidade da recepção. Assim o levantador terá uma gama maior de opções para distribuir o jogo e dificultar a ação do bloqueio adversário. Todavia a obtenção de eficácia esta dependente da qualidade de execução das habilidades técnicas neste momento do jogo, nomeadamente da manchete (MESQUITA, 1998).

        A aprendizagem dos esportes tem acontecido, na sua grande maioria, pela repetição de gestos técnicos e cópias de treinamento de equipes adultas. Báfero (1996, p.26) diz que: "A maioria das "escolas" de voleibol, fundamentadas na cultura do voleibol brasileiro, proclamam que "saber voleibol" é jogar como se joga no alto nível." No trabalho desenvolvido visou-se a adaptação dos exercícios para cada situação de jogo, e não com a repetição dos gestos isolados, a variedade de estímulos deve ser feita durante cada sessão de treinamento.

        Kaplan (1974) relembra, uma nova etapa para o Voleibol mundial se abriu, justamente antes da Olimpíada de Tóquio quando a defesa baixa (manchete) passou a ser uma forma fundamental do jogo. Isto causado pelo efeito do saque.

        Fiedler (1976), divide a recepção em 3 fases, os movimentos de que antecedem o contato com a bola, movimentos no momento do contato com a bola e os movimentos após o contato com a bola, valorizando todos na mesma proporção e importância.

        Slaymaker e Brown citados por Báfero (1990), quando mencionam as habilidades do Voleibol, dividem em dois grupos: os de habilidades iniciais e os de habilidades avançadas. As primeiras compreendem o toque, a manchete, o recurso (dig-pass), o saque por baixo, o saque por cima, a cortada e o bloqueio. O segundo grupo compreende o saque flutuante, o levantamento para trás, o levantamento em suspensão, o mergulho, o rolamento, a manchete invertida, a largada e as mudanças do ritmo das cortadas.

        Especialistas em Voleibol concordam, que a habilidade da Manchete é responsável pela maior consistência de jogo atualmente, isto é, maior tempo de disputa do ponto com a bola no ar (SCATES, 1972; GUILHERME, 1978; VELASCO, 1996, MESQUITA, 2002).

        Sobre o uso da manchete, Cherebetiu (1969), Writehall (1964) citado por Báfero (1996) e Bizzocchi (2000) colocam que o uso original era apenas com propósitos defensivos, usados como recurso emergencial. Hoje é um fundamento básico e específico, que merece estudo diferenciado em função da sua constante solicitação, sendo parte integrante do repertório motor do atleta.

        O que é específico é exclusivamente próprio a alguma finalidade, e a finalidade do movimento da manchete no Voleibol é receber e passar a bola para um lugar pré-fixado (BÁFERO, 1996).

        Segundo Velasco (1996), o recebedor deve ter como principal característica uma superfície de apoio, a maior possível, colocando e enfatizando a habilidade espaço-temporal: o problema não é tanto pelo deslocamento, mas sim entender ou avaliar bem, aonde vai a bola.

        O mesmo autor lembra que, na correção da técnica não se deve treinar todos os jogadores da mesma maneira, e como exemplo cita que em recepção x saque ao invés de trabalhar 40´ de forma analítica, trabalha-se 10' a 15' analítico para que o jogador fixe o movimento técnico e imediatamente após, o saque x recepção em situação de jogo.

        A analise da trajetória da bola é ponto fundamental na qualidade e eficiência de uma boa recepção. A antecipação da ação de receber o saque possibilita a atleta definir a velocidade de sua ação e com melhor equilíbrio, uma precisão melhor.

        Paolini (2001), cita que a posição de expectativa deve ser baixa, mas não definida para receber somente um tipo de saque, para receber é necessário deslocar-se rapidamente e, sobretudo em antecipação, para poder avaliar previamente a trajetória do saque adversária atleta deve ser capaz de estabelecer a profundidade e a força da bola, e isto está relacionado com uma boa visão.

        Estabelecendo que, os elementos que distinguem uma correta execução técnica de recepção de saque flutuante (floating) podem ser sistematizadas em 4 pontos essenciais (PAOLINI, 2001):

    a predisposição morfológica;

    o deslocamento;

    o contato com a bola;

    o modo de empurrar a bola.

    Objetivo

        A proposta deste trabalho é propor uma metodologia de treinamento para o fundamento de recepção de saque no voleibol para jovens atletas.


    Treinamento da recepção

        O jogo é elemento central na aprendizagem, deverá por isso estar sempre presente em cada faixa etária no treinamento e ser organizado de modo tal, que todos os que participam devem tocar na bola o maior número possível de vezes. A recepção do saque é durante o treinamento um dos pontos de maior atenção. O Voleibol do Brasil é carente de atletas que o executem a recepção permanecendo em boas condições de equilíbrio para realizar um ataque, também pela representação que tem o fundamento na continuidade e na organização do jogo.

        A aplicação do método global no treinamento objetiva recriar situações de forma semelhante àquelas dos jogos, não para treinar a equipe na sua coletividade e sim visando treinar melhor e de forma mais veloz todas as técnicas do voleibol. Desta forma o jogador se adaptará imediatamente durante o jogo, as situações treinadas durante a semana. De outra forma a passagem da situação treinada àquela que se apresenta no jogo, solicitaria muito tempo de treinamento. A teoria do treinamento global, todavia apresenta problemas, isto é, se começa a treinar uma situação de jogo e se transgride nos problemas técnicos. Sobretudo na sua correção, ou quando se corrigi, se arrisca de faze-lo somente em situação analítica.

    Treinamento da técnica

        O recebedor deve ter como característica uma boa superfície de apoio, a maior possível, executa-se trabalhos utilizando como recurso a parede. A atleta se posiciona diante de uma parede de superfície plana e realiza a manchete, com alternância de altura da bola, distancia da parede e velocidade da bola. No programa aplicado estes trabalhos eram realizados em uma freqüência semanal de três vezes no primeiro mês, e duas vezes por semana na continuidade do treinamento.

        O problema na recepção de saque não é tanto pelo deslocamento, mas sim, entender ou avaliar bem, aonde vai e como é a trajetória da bola. Desta forma dedicou-se um trabalho específico para a avaliação de trajetória de saque. As variações são executadas primeiro com o saque dos treinadores, em distancias alternadas, em planos superiores e em velocidade alternadas, e em outro momento com o saque das próprias atletas. No procedimento de correção da técnica não se deve treinar todos os jogadores da mesma maneira. A individualização do treinamento fez-se necessária e os exercícios devem apresentar graus de dificuldades diferentes para cada atleta.

    Treinamento tático

        As novas táticas de saque (saque partindo de qualquer ponto de fundo quadra) a partir de 1994 promoveram uma grande alteração no sistema de recepção.

        A proposta apresentada consiste em empregar a estrutura de três passadoras nas seis posições. As passadoras foram as jogadoras atacantes de ponta e a líbero, tendo como opção a jogadora oposta para algumas situações de jogo. A recepção com quatro atletas foi utilizada quando, nosso adversário utilizasse um saque em salto (tipo viagem) com força e eficiência.

        Nos treinamentos técnico-táticos foram treinadas além da parte técnica a relação entre as jogadoras da posição 6 e 1 e das posições 6 e 5, alternando as atletas.

        Numa mesma sessão de treinamento a recepção deve ser treinada de forma variada, para que haja uma boa adaptação das atletas as situações solicitadas no jogo. A atleta deve realizar gestos que serão aplicados no jogo, na cronologia da partida, tomando decisões conforme a situação solicitada. Os treinamentos devem ser realizados prevendo estas situações, tais como jogos de 1 x 1, atacante de fundo contra atacante de fundo após a recepção, obrigando a efetivação do ataque, independente do tipo de saque aplicado pelo adversário.

        A qualidade da recepção definirá a possibilidade do primeiro ataque da equipe e a velocidade do jogo. No período da tarde os treinamentos foram dirigidos para esta relação, ou seja, o treinamento das situações de jogo, com "jogos combinados", exercícios que proporcionam situações imprevistas e situações preestabelecidas de jogo.

        O ajuste da recepção dependendo da colocação do sacador adversário, e do tipo de saque, deve ser treinada em situações de continuidade de jogo. Uma das formas que podem ser utilizadas são os exercícios competitivos. Exemplo: Saque e Recepção 3 contra 3; duas equipes sendo uma em recepção e outra em saque. A equipe que saca efetua 20 saques, a pontuação para a equipe que recebe é feita a cada recepção perfeita ou a cada erro de saque do adversário, perdendo um ponto a cada "ace" do adversário. Após os 20 saques, troca-se de função, passando a equipe que sacou a receber e vice e verso. Vence o jogo, aquele que realizar maior numero de pontos em melhor de 5 sets.

        Nas partidas do Campeonato Mundial Juvenil, apresentaram-se situações de jogo, onde a tática de recepção foi modificada em função da eficiência do saque adversário. Optou-se pela inclusão da jogadora de saída de rede (oposta a levantadora) para receber o saque da equipe da República Tcheca, pois estas estavam dirigindo o saque nas jogadoras de ponta. Esta tática de saque estava atrasando o ataque e com nossa mudança a seleção brasileira retomou o controle do jogo.

    Conclusão

        A base de uma boa recepção do saque, muitas vezes não está na qualidade técnica das atletas que fazem parte da recepção, mas de uma boa estrutura tática.

        A perfeição do gesto técnico não esta na biomecânica perfeita para a ação, mas na sua adaptação ao momento e às variações do jogo, ou seja, para cada situação existirá o gesto certo. Sendo o Voleibol um esporte de "situação", a manchete para recepção do saque, representa exatamente o que foi dito anteriormente.

         Um treinador de jovens atletas deve ter e dar o maior número e a qualidade de informações possíveis, para propiciar que a atleta desenvolva uma gama cada vez maior de atitudes motoras, representando assim uma forma de evolução.

        Na recepção, deve-se em primeiro lugar, definir as atletas que farão parte desta estrutura tática, observando os seguintes aspectos: qualidade técnica da execução da manchete, condições de adaptação ao esquema tático proposto, coragem, qualidade de deslocamentos.

    Fonte


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  • sábado, 2 de julho de 2011

    Você sabe o que está treinando no treinamento funcional?

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  • Segundo duas definições do dicionário, a palavra funcional significa:

    1 Relativo às funções vitais.

    2 Em cuja execução ou fabricação se procura atender, antes de tudo, à função, ao fim prático.

    Não se refere em nenhum momento em treinamento em desequilíbrio, movimentos proprioceptivos ou corridas em zig-zag.

    Hoje em dia é muito comum vermos o termo “treinamento funcional”, onde as pessoas fazem movimentos não convencionais, que necessitam muitas das vezes de coordenação motora e equilíbrio, controle da musculatura da região do CORE e muito esquema e controle corporal. Exercícios excelentes muitas das vezes e que nos tiram na monotonia do treinamento convencional.

    Muitos desses exercícios são indicados para tratamento de algumas lesões e recuperação pós-trauma, pois trabalham além da musculatura principal a musculatura mais intrínseca (interna), velocidade de contração e reação do músculo (por usarem superfícies instáveis), e o sistema nervoso central.

    E onde entra a luta nisso? Se usarmos os conceitos descritos acima, na fase de inicial do macrociclo, ou de recuperação pós-trauma, o uso desses movimentos é de muita importância para os praticantes de artes marciais, mais só! Da forma que são feitos e executados esses exercícios são na sua grande maioria, movimentos lentos e com isso que acabam nos deixando lentos, e se ao final de um macrociclo de treino procuramos estar fortes e rápidos, estaríamos contradizendo os princípios do treinamento. Mesmo que o movimento pareça rápido, a musculatura necessária para controlá-la é uma musculatura de mais resistência, de movimentos estabilizadores, de movimentos lentos.

    Sendo assim, seguindo a linha de definição do dicionário, o treinamento funcional é aquele que diz respeito a função de alguma coisa, treinamento funcional para algo, ou seja, treinamento funcional para Jiu-Jitsu, treinamento funcional para MMA, e assim por diante. Se o treino é funcional para MMA ele não serve para o vôlei. E muitos dos exercícios que são ditos funcionais hoje em dia são para todos os esportes. É comum ver academias e estúdios de “treinamento funcional” onde todo mundo treina igual, seja o lutador, o surfista ou a dona de casa que busca um corpo mais delineado, onde esta a especificidade?



    Por exemplo: O movimento de remada aberta apoiado no banco, não esta em desequilíbrio, e é totalmente funcional para remadores, pois reproduzem o movimento real do desporto. Os exercícios funcionais para Jiu-Jitsu devem reproduzir movimentos específicos da luta, trabalho de guarda com caneleira, puxadas na polia, e por ai vai, e não rosca bíceps em um pé só, remada alta em cima do bozu, ou deslocamento em zig-zag através de cones. A própria corrida se descaracteriza do “funcional” por trazer uma especificidade zero.

    Ao montar um programa de treinamento, saiba o que você esta fazendo, exercícios e movimentos bonitos e diferentes ficam legais no vídeo, mais na hora da competição o importante é que tenhamos treinado exatamente aquilo que vamos fazer, e nem tudo aquilo que é difícil de executar ou nos deixam cansados pode ser bom para nos fazermos evoluir.

    Não caia na moda, não se deixe ser enganado, procure o que é funcional para você e para a modalidade que você pratica, e não aquilo que te deixa cansado ou é difícil de fazer.

    Fonte

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