quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Lesão esportiva x emoção do atleta

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  •     A lesão esportiva é um problema comum no cotidiano esportivo, desta forma deve ser amplamente estudada por profissionais da saúde, dentre os mesmos estão os psicólogos, os quais devem compreender como a mesma pode influenciar o rendimento do atleta e sua qualidade de vida. São diversos os fatores que estão atrelados a uma lesão e cada atleta possui suas particularidades que precisam ser entendidas pelo psicólogo que deseja tornar ótimo o tratamento a fim de recuperar o atleta lesionado visando sua melhora integral, portanto é preciso dissecar este tema de forma cautelosa e bem apurada.

        Atualmente, a participação nos mais diversos esportes, sejam estes de alto rendimento, lazer ou recreação, vem aumento de forma significativa e concomitante a esta crescente adesão das pessoas as atividades desportivas observa-se o aumento de lesões esportivas dos mais variados tipos (SMITH, 1996). Portanto, torna-se imprescindível que os profissionais da saúde possam estudar o tema com o intuito de auxiliar em todos os esportes para que os sujeitos possam lidar da melhor forma possível com a problemática que os acomete. Para tanto, o profissional precisa estar ciente que a grande maioria dos atletas, sejam estes de esportes de rendimento, lazer ou recreação buscam nos eventos competitivos ou recreativos seu rendimento máximo que somada com uma carga excessiva de trabalho nos treinamentos tem aumentado de forma significativa o número de lesões em desportistas (MENDO, 2002).

        No que se refere às lesões esportivas sabe-se que há fatores psicológicos fortemente atrelados à predisposição a mesma, bem como ao tempo de reabilitação e ao retorno às atividades desportivas. Os fatores psicológicos também podem interferir no nível de sucesso dos processos de reabilitação (WEINBERG; GOULD, 2001). Outra questão que deve ser considerada e avaliada pelo profissional da saúde ao se deparar com uma lesão esportiva é que quando o atleta se lesiona, este problema é considerado pelo desportista de alto nível como um dos maiores fatores de stress esportivo (DE ROSE JR., 1999).

        Buceta (1995) afirma que três tipos de avaliações psicológicas são essenciais a fim de garantir um adequado acompanhamento psicológico de um atleta após a lesão esportiva, são estas: a avaliação da lesão propriamente dita, a avaliação do impacto emocional da lesão esportiva, bem como a avaliação da adesão, do rendimento e do progresso do tratamento. Sabe-se que a avaliação da lesão propriamente dita é competência do médico esportivo, desta forma, cabe ao psicológico trabalhar de forma integrada com o mesmo para que possa obter informações essenciais para o seu trabalho. Além do médico, fisioterapeuta e outros profissionais também poderão ser importantes neste momento para que possam trocar informações e trabalhar de forma interdisciplinar visando uma ótima evolução do processo e o bem-estar do atleta. As informações advindas do técnico são de suma importância e permitem mapear a situação do atleta no contexto de treinamento e competições.

        O psicólogo juntamente com a equipe que atua com o atleta lesionado deve compreender que a lesão é um dano causado por traumatismo físico sofrido pelos tecidos do corpo humano, as quais podem ser acompanhadas de experiências psicológicas que afetam o bem-estar do esportista lesionado e podendo vir a afetar, em algum nível, todos os que estão a sua volta. (ANDREOLI, WAJCHENBERG; PERRONI, 2003)

        É fundamental compreender a classificação das lesões esportivas com o intuito de desenvolver o trabalho de acordo com o grau e intensidade do problema, ou seja, individualizar ao máximo o processo nos aspectos psicológicos. Guerrero (2001) classifica os tipos de lesão em leves, moderadas, graves, incapacidade desportiva e incapacidade funcional. As lesões leves são caracterizadas por traumatismos que necessitam de tratamento, mas não chegam a afetar o comportamento do atleta nos treinamentos nem mesmo nas competições. Já as moderadas chegam a provocar algum desconforto no treinamento e diminuem o rendimento do esportista em competições. As lesões graves, por sua vez, são caracterizadas por um período considerável de disfuncionalidade que esta diretamente relacionada com um ou mais meses de afastamento dos treinos e competições. O atleta pode precisar de internação hospitalar e, em alguns casos intervenção cirúrgica. A incapacidade desportiva refere-se às lesões que têm como conseqüência de sua gravidade, um tempo muito longo de recuperação, o que desfavorece que o esportista recupere o seu nível anterior a lesão de rendimento no esporte. Por fim, a incapacidade funcional caracteriza as lesões muito graves que são assinaladas pela permanente disfuncionalidade motora do atleta.

        A contribuição de Andersen e Williams (1998) sobre a explicação do papel que os fatores psicológicos desempenham em lesões esportivas, sendo tal relação vista a partir de situações desportivas estressantes. Os autores observam que é importante complementar que o "estresse, entretanto não é o único fator que influencia lesões esportivas", junto com outros fatores como "de personalidade, história de estressores e recursos de controle influenciam o processo estresse e, por sua vez, a probabilidade de lesão" (WEINBERG; GOULD, 2001, p.420). Desta forma, a entrevista psicológica é um dos instrumentos importantes para que este possa mapear a real situação que o atleta vivencia.

        O começo de uma lesão ocasiona, na maioria das vezes, conseqüências negativas tanto para a participação quanto para o rendimento do atleta no seu esporte. Desta forma, não é raro que o esportista apresente medo, tensão, fadiga, incredulidade, depressão, queixas somáticas (enjôos, perda de apetite, insônia, entre outras) e também dificuldade com o período longo de reabilitação e a restrição de atividades podendo a sentir uma sensação de ser dominado pela lesão esportiva. (BECKER JUNIOR, 2008; MAY, CAPURRO; STUOPIS, 1999).

        De acordo com Becker Junior (2008) é preciso compreender que a lesão é um fator negativo e é um problema que pode acometer o desportista a qualquer momento. A lesão é uma das dificuldades que mais tende a preocupar a equipe técnica e, até mesmo, os torcedores. Em alguns esportes são permitidas jogadas mais fortes e violentas fazendo com que tenham maior risco de lesão do que outros.

        Machado (2006) afirma que o medo é um aspecto interligado ao processo emocional do atleta, isto porque é uma emoção presente freqüentemente nos desportos e que pode ser decorrente de diversas causas, dentre elas o desportista pode estar com medo que do "fracasso que ameaça sua performance e carreira" (p.32). Além disso, não são raros atletas que possuem medos relacionados com contusões que poderão ameaçar suas carreiras, seja temporária ou definitivamente, por movimentos mal executados ou por jogadas de impacto.

        A incidência repetitiva de lesões esportiva demonstra ser um fator indicativo da existência de necessidade de intervenção psicológica para com o atleta acometido pelo problema (MADDISON; PRAPAVESSIS, 2005). Desta forma, Rúbio (2007), afirma que o psicólogo do esporte tem como uma de suas funções acompanhar os atletas lesionados durante a sua reabilitação com o intuito de favorecer este processo e promover um melhor entendimento dos sentimentos experiênciados, assim como se busca vivenciar o problema de uma forma mais proativa.

        Becker Junior (2000) assinala que algumas mudanças ocorrem na vida do desportista após a lesão, as quais englobam os aspectos desportivos, físico e psicossocial. Dentre as principais mudanças destacam-se no bem-estar físico a lesão física, a dor, o tratamento e a reabilitação, bem como as restrições físicas temporárias podendo existir mudanças físicas permanentes. Já no bem-estar emocional é comum observar trauma psicológico, ansiedade, depressão, sentimento de perda e ameaça à performance no futuro. O atleta também precisa lidar com as demandas emocionais do tratamento e da reabilitação. O bem-estar social, de acordo com Becker abarca possíveis perdas de importante papel social, separação da família, amigos e companheiros de time, um novo relacionamento com os profissionais do departamento médico e, em alguns casos, a necessidade de depender dos outros. O autor também engloba o autoconceito do desportista, no qual a sensação de perda de controle, alteração da auto-imagem, ameaça de metas futuras e até mesmo questionamento de valores morais, ameaça de perda da posição na equipe, necessidade de tomar de decisões sobre circunstâncias estressantes como fatores que podem sofrer mudanças após uma lesão esportiva.

        A reação emocional de um atleta a uma lesão esportiva é similar àquela de pessoas que encaram a morte iminente, as quais são desenvolvidas por Kübler-Ross (1997). De acordo com essa visão da psiquiatra e abordada por Samulski (2009), atletas que se deparam com uma lesão geralmente seguem cinco fases: 1)Negação, 2) Raiva, 3) Barganha, 4) Depressão e 5) Aceitação. Embora, os esportistas possam apresentar diversas destas emoções em resposta à lesão esportiva, elas não seguem um padrão estereotipado pré-estabelecido. Nem todos os indivíduos passam pelos cinco estágios ou fases após a lesão, por isto é importante observar cada indivíduo na sua individualidade.

        Segundo Becker Junior (2010) psicólogos estão ampliando seu trabalho com atletas utilizando técnicas com o intuito de recuperá-lo da falta de motivação, bem como da falta de energia, de estresse e com os próprios procedimentos do processo de reabilitação visando o retorno do atleta as competições. O autor afirma que as técnicas que estão sendo utilizadas são: manejo da dor e técnicas de imaginação e visualização visando diminuir a dor do atleta no período de recuperação. As técnicas de preparação psicológica e relaxamento também são utilizadas e objetivam o rendimento do desportista durante o período de recuperação.

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  • quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

    Técnica de treinamento é um salto para a saúde

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  • Exercícios pliométricos são inseridos em aulas funcionais para coordenação, resistência e força

    O treinamento de pliometria trabalha o desenvolvimento da força explosiva e é indicado para melhorar a perfomance de atletas em diversas modalidades esportivas. O treino, que tem como base exercícios de salto e arremesso, consiste em um ciclo de alongamento e encurtamento da musculatura.

    "Ativa o músculo em uma fase de pré-alongamento e, em seguida, acontece de forma natural a contração. Ele trabalha força e velocidade, desenvolvendo a potência do movimento", explica Gislaine Satyko Kogure, personal trainer da Clínica Corpore.

    De acordo com o personal João Zanetti, da Wellness Sport Club, a pliometria gera fortalecimento da musculatura porque recruta tanto as fibras de contração rápida, quanto as lentas. "Desenvolve a agilidade, coordenação, explosão rápida, ou seja, melhora a impulsão e a performance do atleta", cita Zanetti.

    Esportistas
    A pliometria é voltada a atletas que precisam ter bom arremesso, impulsão e força nos saltos, como os praticantes de corrida, vôlei, atletismo, basquete, handebol e futebol.

    "Acabam sendo exercícios próximos aos movimentos que se vão executar no esporte. Na corrida, que é uma sucessão de saltos, o treino de pliometria melhora a performance do corredor, ao passo que dá mais explosão, força e resistência", explica Gislaine.

    E embora seja voltada a esportistas de condicionamento médio a avançado, o conceito de pliometria também é aplicado a crianças, de uma forma lúdica. "Entra nas atividades infantis como pular corda, amarelinha, corridas e jogos de salto. Não como umo um treino específico", ressalta a personal trainer.

    Treino exige postura correta no 'aterrissar'

    O treino de pliometria deve ser programado dentro da condição física do aluno. A personal trainer Gislaine Satyko Kogure explica que existe uma progressão no treinamento, apesar de os mais difíceis serem desafiadores. "É necessária essa progressão para permitir a aprendizagem do exercício. Existe a forma correta de aterrissar. É preciso aprender a postura durante a queda nos movimentos do salto para que a musculatura das coxas absorva o impacto e não a articulação do joelho", detalha a personal.

    A fase inicial é montada com saltos no mesmo lugar ou com pequenos deslocamentos e em pequenas alturas. "Para fazer o treino de pliometria são precisos coordenação, nível de condicionamento de força e flexibilidade, de nível intermediário a avançado", alerta. E, devido a sua intensidade, ele tem restrições. Não pode ser praticado por pessoas sedentárias ou iniciantes, que tenham sofrido uma lesão de joelho sem a recuperação total, e deve ser sempre realizado em superfícies lisas e antiderrapantes.



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  • quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

    Fundamentos do Treinamento de Força Muscular

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    • Nesta edição atualizada, revisada e ampliada de Fundamentos do Treinamento de Força Muscular, dois dos maiores especialistas mundiais em treinamento de força exploram a utilização do conhecimento científico no desenvolvimento de programas de treinamento personalizados. Os autores cobrem o treinamento de força, a bioenergética e as adaptações dos sistemas muscular, nervoso e cardiovascular e discutem os sistemas básicos de treinamento e as prescrições de programas com o objetivo de melhorar a força, a potência e a resistência aeróbia. Este livro o auxiliará a:

    • Elaborar, com base científica, programas de treinamento de força individualizados.
    • Modificar e adaptar programas para atender às necessidades de populações especiais.
    • Compreender como a prescrição de exercício funciona na prática.

      Esta é uma ferramenta fundamental para treinadores, professores e estudantes que desejam ampliar seu conhecimento e obter sucesso na elaboração de programas de treinamento de força.

    • Editora: Artmed
    • Autor: STEVEN J. FLECK & WILLIAM J. KRAEMER
    • ISBN: 8536306459
    • Origem: Nacional
    • Ano: 2006
    • Edição: 3
    • Número de páginas: 375
    • Acabamento: Brochura
    • Formato: Grande

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  • segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

    Flexibilidade na natação

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  • É na natação, sem dúvida, que se pode encontrar a maior quantidade de trabalhos demonstrando evidências de como a flexibilidade pode influenciar no desempenho de uma modalidade esportiva. Cureton (1941), já na década de 30, documentava a grande associação entre flexibilidade e nadadores de uma forma geral. Em 1932, realizou diversas medidas nas equipes olímpicas do Japão e Estados Unidos, observando nítida vantagem para os primeiros, donos dos melhores resultados na competição realizada naquela ocasião. Comparando, ainda, nadadores olímpicos com universitários, constatou que estes últimos eram, em média, 11,4% menos flexíveis na articulação do tornozelo e 7,7% menos flexíveis nos ombros. Corroborando essas observações, Araújo (1999) comparou atletas de diversas modalidades entre si e com não atletas, evidenciando que os praticantes de natação encontravam-se entre os mais flexíveis.

    Em 1976, com os Jogos Olímpicos de Montreal, a atenção dos pesquisadores foi despertada novamente pela natação, devido aos resultados alcançados pelas nadadoras da então República Democrática Alemã. Métodos sofisticados de medida e avaliação de nadadores foram desenvolvidos, objetivando discriminar potencialidades e orientar o praticante segundo suas características fisiológicas e antropométricas (Marino, 1984). A flexibilidade, invariavelmente, toma parte nesses instrumentos (Colman, Desmet, Daly & Persyn, 1989a).

    Um bom exemplo pode ser encontrado no sistema de avaliação do Leuven Evaluation Center (Bélgica) para predizer o sucesso do nadador, com base em parâmetros como somatotipo e condição atual, aliada ao treinamento de qualidades como a força, a resistência e a flexibilidade (Persyn, 1984; Persyn, Tilborgh, Daly, Colman, Vijfvinkel & Verhetsel, 1988; Daly, Persyn, Van Tilborgh & Riemaker, 1988). Esta última e os tipos de treinamento que se propõem a melhorá-la têm um peso ponderado de quase 30% no valor de predição. Assim, a flexibilidade aparece como fundamental para o bom rendimento do nadador, desejável por permitir um melhor aproveitamento de sua força, velocidade e coordenação.

    O tipo específico de mobilidade vai depender do estilo do nado. Geralmente, encontramos maiores graus nos tornozelos e ombros (Sprague, 1976; Rodeo, 1985). Tornozelos flexíveis significam uma maior possibilidade de aplicação efetiva de força na fase propulsiva da Flexibilidade e esporte pernada em todos os estilos. Nos nados 'crawl', borboleta e costas, a boa flexão plantar permitirá que os pés do nadador fiquem em boa posição para impelir a água para trás e para baixo ('crawl' e borboleta) ou para cima (costas), em uma angulação mais favorável à propulsão. Já no estilo de peito, o movimento do tornozelo é mais importante na flexão dorsal, uma vez permitindo um posicionamento mais precoce e eficiente dos pés para a aplicação da força (Marino, 1984).

    No nado de peito isso ainda é mais crítico, pelo fato da pernada ser a fase mais importante da propulsão. Vervaecke & Persyn (1979) sugerem que, entre os melhores nadadores, a capacidade de execução do gesto de forma tecnicamente eficiente parece resultar de uma flexibilidade particularmente desenvolvida nas articulações de tornozelos, aliada ao tamanho da superfície dos pés. Ainda com relação a esse estilo, Colman, Daly, Desmet & Persyn (1989b) propõem ser a flexibilidade a principal determinante da ondulação característica que lhe é característica.

    Hay (1978) acrescenta que a flexibilidade dos tornozelos, em muitos aspectos, pode ser mais importante para a propulsão na natação que a própria força muscular. O autor justifica essa proposição pelo fato de que a potência da pernada seria muito mais definida pela técnica de execução e pela boa angulação de aplicação da força, do que pela potência muscular em si. A vantagem de uma boa técnica de execução de movimento de pernas, aliada a uma boa flexibilidade poderia equivaler a mais de 50% da propulsão obtida. No uso de braços, ombros e tronco, a maior mobilidade articular auxiliaria porque os movimentos poderiam ser realizados mais facilmente, sem perturbar a posição do corpo na água. Como exemplo, temos a fase de recuperação da braçada no nado 'crawl' – para recuperar o braço e passá-lo por cima da água, sem tocá-la, um nadador com pouca flexibilidade seria obrigado a realizar uma rotação maior de seu corpo, efetuando um percurso de braço mais longo do que faria um nadador maior flexibilidade de ombros. Isso resultaria em uma maior reação – empuxo lateral – de suas pernas, dificultando sua progressão e diminuindo a eficiência da pernada. Uma boa flexibilidade de ombros também facilita a recuperação da braçada no nado borboleta, além de ser crucial no nado de costas durante a fase de puxada (Marino, 1984).

    O valor da flexibilidade para a natação de forma geral pode ser percebido em vários outros estudos. Vervaecke & Persyn (1981), por exemplo, compararam homens e mulheres em relação a variáveis que consideraram importantes para o bom desempenho. A comparação partiu da premissa de que as mulheres seriam relativamente mais eficientes do que os homens na natação, uma vez que as diferenças de rendimento entre os dois sexos são menores do que em outras atividades esportivas. Os autores concluíram que, se os homens revelam-se mais fortes e com maiores superfícies de mãos e pés, teriam flutuabilidade equivalente, enquanto seriam menos flexíveis do que as mulheres, especialmente na articulação do tornozelo.

    Pode-se, ainda, citar os estudos de Persyn, Daly & Vervaecke (1983), sobre a influência dos padrões de flexibilidade nas variações de execução do nado 'crawl' em nadadores de elite ou de Chatard, Lavoie & Lacour (1990), examinando a economia de gestos na execução dos diversos estilos, ou de Skipka, Rader & Wilke (1986), propondo que problemas de simetria na execução das técnicas de natação poderiam, na maior parte dos casos, ser creditados a perfis de flexibilidade igualmente assimétricos.

    Retirei daqui


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  • Saiba tudo sobre a qualidade física: velocidade

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  • A velocidade é uma característica neuromuscular que está presente em todas as situaçoes nos vários esportes. Popularmente, diz-se que a velocidade é uma capacidade de realizar movimento no menor espaço de tempo. Na física, diz-se que é a distância percorrida na unidade de tempo, e expressa-se pela fórmula:

    A velocidade é bastante específica e também relativa. Certas pessoas podem executar um movimento bem rápido e outro bem lento. Segundo diversos autores, citados por BARBANTI (1979), a transferência de velocidade somente ocorre quando os movimentos apresentarem coordenaçoes semelhantes. Em movimentos de coordenaçoes diferentes nao existe correlaçao entre suas velocidades. Isto, contudo, nao está bem definido, pois em certas pessoas destreinadas verificou-se uma grande transferência da velocidade.

    A velocidade se constitui na base de vários esportes e mais precisamente no atletismo. Tudo se orienta pela velocidade, onde, pela diversificaçao de movimentos, a mesma pode ser diferenciada.

    2. CONCEITOS

    "É a máxima velocidade de movimento que pode ser alcançada"(Hollmann & Hettinger apud BARBANTI, 1979).

    "Capacidade de realizar um esforço de máxima freqüência amplitude de movimentos durante um tempo curto"(Chanon apud BARBANTI, 1979).

    "Qualidade que permite a execuçao de um movimento de intensidade máxima (rapidez), num mínimo de tempo -curta duraçao". (ROCHA, 1978).

    "Capacidade que temo o músculo de contrair-se ante a um estímulo e no menor tempo possível"(Risco apud BARBANTI, 1979).

    3. CLASSIFICAÇAO

    VELOCIDADE MOTORA

    Velocidade de movimentos cíclicos ou acíclicos

    VELOCIDADE DE BASE

    Com partes do corpo

    Com movimentos do corpo todo

    Velocidade de movimentos com partes do corpo

    Velocidade de progressão (com movimentos do corpo todo)

    RESISTENCIA DE VELOCIDADE

    Os movimentos acíclicos se caracterizam por nao apresentarem nenhuma repetiçao de partes de fases em seu processo de movimento. As atividades básicas de lançar, saltar, empurrar, levantar, sao exemplos típicos de movimentos acíclicos. No esporte temos diversos exemplos como o drible, o soco, o saque, a prática do tênis de mesa, que sao realizados com velocidade. Estes movimentos nunca se repetem da mesma forma.

    Os movimentos cíclicos sao aqueles que mostram repetiçoes de fases. A maioria dos movimentos de locomoçao sao cíclicos, como o andar, correr, nadar, remar, andar de bicicleta, etc.. Em alguns esportes exige-se uma rapidez de movimentos cíclicos com partes do corpo. Por exemplo: canoagem, ciclismo, no trabalho à manivela ergométrica, etc.. Em outros esportes há uma característica de velocidade de progressao, que é a velocidade de todo o corpo ou organismo ao percorrer uma distância, como, por exemplo, no remo, nas corridas de velocidade no gelo, na nataçao, etc..

    O fator comum entre todos os tipos de velocidade é a velocidade de base. Segundo Hill apud BARBANTI (1979), a velocidade de base se caracteriza pela máxima capacidade de deslocamento na unidade de tempo sem perdas aparentes de energia.

    Para o mesmo autor, na corrida, essa velocidade alcança uma distância de aproximadamente 60m. Acima desta distância entra o fator resistência, que já denominamos de resistência de velocidade ou velocidade prolongada, ou, somente, velocidade.

    Para GIRALDES (1978), a velocidade de base depende dos seguintes fatores ou condiçoes:

    - força pura;

    - coordenaçao;

    - velocidade de contraçao da musculatura;

    - viscosidade das fibras musculares;

    - relaçao das alavancas tronco-extremidades;

    - capacidade de reaçao ante a um estímulo apropriado.

    A velocidade de base é um fator herdado, portanto, um indivíduo nasce com ou sem uma boa velocidade de base, mas nunca se nasce um velocista.

    Existem outras classificaçoes de diversos autores, entretanto, definiremos à seguir, alguns tipos de velocidade que consideraremos importantes para nosso conhecimento.

    Velocidade de reaçao é o tempo decorrido entre um sinal até o movimento muscular solicitado (Steinbach apud FERNANDES, 1981).

    Velocidade de deslocamento- é a máxima velocidade que tem o atleta para se deslocar dentro de um espaço (FERNANDES, 1981).

    Velocidade dos membros- é a máxima capacidade que tem o atleta para movimentar com rapidez seus braços e pernas (FERNANDES, 1981).

    Velocidade de sprint- é a capacidade de executar movimentos cíclicos com bastante rapidez (BARBANTI, 1979).

    4. CARACTERíSTICAS FISIOLOGICAS

    A velocidade depende da perfeita relaçao do sistema neuromuscular. O sistema nervoso central (SNC) regula os processos que acionam as diferentes musculaturas com o seguinte procedimento: os nervos sensitivos ou receptores recebem os estímulos e, através dos nervos aferentes, transferem o estímulo para o SNC , onde se processa a ordem a ser transmitida às massas musculares correspondentes. Esta ordem é enviada pelos nervos eferentes aos fascículos musculares através da placa motora terminal, havendo uma excitaçao do músculo, originando uma atividade muscular, realizando, entao, o movimento.

    Do ponto de vista bioquímico, a velocidade depende da quantidade de ATP no músculo e da rapidez da sua decomposiçao sob influência de impulsos nervosos, ou, ainda, do tempo de ressíntese do ATP. Como os movimentos sao rápidos, a ressíntese do ATP só se dá, quase que exclusivamente, por mecanismos anaeróbios, ou seja, o fosfato creatina (CP) e o metabolismo glicolítico(Jacolew apud BARBANTI, 1979).

    De acordo com Volkov apud BARBANTI (1979), nas corridas de até 200m e em nataçao até 50m, os mecanismos anaeróbios participam com mais de 90%. Forma-se, entao, um grande débito de oxigênio, que só é removido após um longo tempo.

    A velocidade independe do biótipo. Há indivíduos bastante altos e velozes e outros baixos e com grande grau de velocidade. Contudo, os indivíduos dotados de membros grandes, especialmente as pernas, devem ser mais rápidos, como conseqüência de condiçoes de trabalho mais favoráveis das alavancas ósseas((Cureton apud BARBANTI, 1979).

    Karpovich apud BARBANTI (1979), argumenta que, nas atividades de destreza, a velocidade depende principalmente do estabelecimento de reflexos condicionados, mas nas corridas, depende simplesmente do fato da reduçao do tempo necessário para uma contraçao e um relaxamento muscular completos.

    Um aumento de 20% na velocidade de contraçao é causado por um aumento de 2 graus centígrados na temperatura corporal. Forte queda do valor do PH intracelular pode diminuir a velocidade de contraçao (Hill apud BARBANTI, 1979).

    O comprimento da fibra muscular também é importante. Segundo LEIGHTON (1987), uma fibra muscular mais longa pode contrair-se mais rapidamente do que a fibra de tamanho menor.

    Sabemos que o músculo, órgao que tem a propriedade de contrair-se sob a influência de estímulos, está constituído por dois tipos básicos de fibras, conforme a menor ou maior quantidade de mioglobina.

    As fibras oxidativas, vermelhas ou escuras, que sao ricas em mioglobina,; sao de contraçao mais lenta, assim como seu estímulo; possuem uma ramificaçao nas terminaçoes nervosas e sao encontradas em maior volume nos indivíduos com tendência à resistência (trabalho aeróbio em geral).

    As fibras glicolíticas, claras ou brancas, sao pobres em mioglobina; fatigam-se rapidamente; provêm de ramos nervosos relativamente mais grossos; o número de estímulos por minuto é maior e sao encontradas em indivíduos com tendência à velocidade (trabalho anaeróbio).

    Está constatado entao, que pessoas com tendência à resistência possuem maior quantidade de fibras vermelhas ou tônicas do que aquelas que tem tendência à velocidade, que possuem maior quantidade de fibras brancas ou fásicas.

    Baseado neste fenômeno, há duas correntes:

    a. uma que parece-nos contar com uma grande parte dos estudiosos, defende a hipótese de que o indivíduo nasce com determinado tipo de fibra muscular com predominância do tipo tônica ou fásica ou, até mesmo, pode ter uma igualdade do tipo de fibras, permanecendo assim em toda a sua existência, nao havendo métodos de treinamento capazes de modificar esta estrutura inata.

    Desta maneira, uma biópsia muscular orientaria um atleta para sua especialidade, dependendo da predominância do tipo de fibra muscular.

    b. outra, defende o fato de que através do treinamento é possível transformar a constituiçao dos elementos da fibra muscular. Dizem que um tipo de fibra muscular pode transformar-se em outro, dependendo da atividade física.

    5. VELOCIDADE EM RELAÇAO A IDADE E SEXO

    HOLLMANN & HETTINGER (1983), segundo os resultados das medidas da velocidade máxima afirmam que, tanto para um movimento segmentar como para a velocidade de corrida de 30m (máxima), com tensao prévia em saídas de bloco, a velocidade em movimentos aumenta ininterruptamente dos 7 aos 17 anos de vida, mas sobretudo, entre os 8 e os 14, 15 anos. GIRALDES (1978) comenta que as diferenças específicas do sexo se manifestam na puberdade e que é o menino que apresenta maiores possibilidades de rendimento.

    HOLLMANN & HETTINGER (1983) acrescentam ainda que, depois dos 14, 15 anos surge uma estabilizaçao ou até mesmo um ligeiro decréscimo da velocidade de movimento, ao passo que a freqüência de movimentos aumenta sensivelmente entre os 8 e os 11 anos. O aumento da velocidade básica nesta idade é condicionado, sobretudo, devido ao aumento da potência e da força estática. Assim sendo, adquire-se a velocidade entre os 7 e 12 anos, pela utilizaçao de métodos de treinamento da elevaçao da freqüência de passos e da velocidade de movimentos. Em se tratando de pessoas de 12 a 15 anos, o treinamento subsequente de velocidade deveria ser feito aumentando-se a freqüência e a força estática.

    De acordo com, Thorner apud GIRALDES (1978), a velocidade de reaçao se aperfeiçoa até os 25 anos, permanecendo constante até, aproximadamente, os 60 anos, para depois decrescer.

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    • Manual do Técnico Desportivo - traz importante análise sobre o tema abordado. Excelente fonte de pesquisa.
    • Editora: Ícone
    • Autor: M. GUARINO
    • ISBN: 8527403943
    • Origem: Nacional
    • Ano: 1996
    • Edição: 1
    • Número de páginas: 138
    • Acabamento: Brochura
    • Formato: Médio
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  • domingo, 8 de janeiro de 2012

    Algumas caracteristicas do goleiro no futebol

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  • O goleiro talvez tenha um dos papéis que mais exigem de um jogador de futebol. A área de pênalti é de seu domínio e ele tem que decidir como responder aos desafios. O goleiro faz muito mais do que deter os chutes, ele é parte fundamental da equipe. Ele deve então, nos treinamentos diários e ao longo do decorrer de sua atividade tem que desenvolver sua técnica.

    O goleiro em grande importância do ponto de vista tático, por estar de frente para o jogo o goleiro possui o privilégio de ter ampla visão da partida, sendo assim, tem a incumbência de comandar sua defesa e se possível à equipe toda para isso deve ter um grande entrosamento com os colegas de equipe .O goleiro deve dominar totalmente sua área de meta, sua presença deve impor respeito e confiança a seus companheiros, ele deve estar em condições de defender todas as bolas que forem sobre a sua área, sob pena de fracasso total na sua função.

    Veja DVD de TREINAMENTO PARA GOLEIROS

    Numa abordagem específica, a técnica é a primeira e mais importante dentre todos os requisitos para um bom goleiro, os fundamentos técnicos devem estar sempre prontos a serem exigidos em condições favoráveis .

    Algumas convicções citadas pelos mais graduados treinadores e atletas devem ser consideradas para que o goleiro possa ter a sua carreira coroada de êxito.

    • A relação do goleiro com o futebol deve ser tão íntima como um grande caso de amor;
    • Qualquer carreira dependerá sempre da força de um desejo;
    • O objetivo definido vence todas as dúvidas;
    • Ter muita paciência, pois sucesso leva tempo;
    • Escolher grandes homens como exemplo;
    • Acreditar e confiar sempre no seu treinador;
    • Não se resignar nas más fases;
    • Conhecer primeiramente as suas fraquezas;
    • Saber que toda realização tem o seu preço;
    • Escolha e cuide você mesmo do seu equipamento de jogo;
    • Aproveite todos os momentos para observar e aprender;
    • Acredite em si, mas não subestime o seu adversário;
    • A segurança inspira confiança;
    • Uma perfeita colocação simplifica a defesa;
    • Os músculos e os reflexos devem sempre ser cuidados;
    • Não negligenciar na forma física;
    • Seja sóbrio, não enfeite a jogada;
    • Tenha sempre um perfeito domínio de si;
    • Treine muito as bolas rasteiras;
    • O trabalho consciente é mais importante que a inspiração;
    • Não hesite em decidir, faça o mais rápido possível;
    • Contar com a sorte, sim, mas, antes de tudo, treinar muito, sempre e seriamente.




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  • sábado, 7 de janeiro de 2012

    Treinamento Funcional no Futebol

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  • Com o passar dos anos a ciência aliada ao treinamento desportivo vem buscando aperfeiçoar mecanismos de aplicação de treinamentos que busquem a excelência em rendimento através de métodos específicos de cada modalidade. Os esportes individuais no decorrer dos anos alcançaram resultados mais diretos na busca pela especificidade da manipulação das cargas de treinamento comparado aos esportes coletivos.

    O futebol, dos esportes coletivos, sempre foi a modalidade que mais impõe barreiras para a implantação de técnicas novas de treinamento que visam não somente alto rendimento individual e coletivo, mas geram uma adaptação ao organismo do atleta, proporcionando uma maior equilíbrio muscular e com isso um menor risco de lesões muscular e articular.

    O treinamento funcional tem como foco dentro do futebol dois objetivos claros e interdependentes:

    1- Melhora do movimento específico do futebolista durante as fases mais intensas e decisivas do jogo;
    2- Um maior equilíbrio das cadeias musculares, minimizando com isso as chances de dores e lesões inerentes ao futebolista.

    As vertentes que compõe o treinamento funcional dentro do futebol são:

    Treinamento de Força, core e Propriocepção.


    A força é aplicada com o principal objetivo de melhora da resposta muscular aos movimentos mais intensos e específicos do jogo. O treinamento de força tem como função primária melhorar a ação motora do futebolista dentro dos treinamentos e jogos.

    O futebol é um esporte misto e intermitente, onde o atleta realiza diversas ações musculares intensas e curtas com longas pausas para as novas ações. As ações motoras na fase ativa da partida, na maior parte das vezes, são realizadas através de movimentos rápidos e intensos com ação específica dos grandes grupos musculares.

    A manipulação dos exercícios de força pretende dentro do futebol, criar uma adaptação ao atleta, para poder realizar os movimentos com mais intensidade e segurança, prorrogando ou diminuindo a chance de fadiga muscular. As manifestações de força do futebolista são força máxima, força explosiva e resistência de força explosiva. Para o futebolista poder desempenhar o seu melhor desempenho através do treinamento de força, o fortalecimento das suas articulações e bem como seu centro de equilíbrio e controle deve ser treinado e aprimorado através do treinamento do core e da propriocepção.

    A região do core pode ser entendida com a conexão entre os membros superiores e inferiores, se tornado a base do movimento de cada indivíduo, pode ser entendido como o produto de um controle motor e da capacidade muscular do complexo quadril-lombar-pelve. Os movimentos realizados pelos membros são iniciados e posteriormente equilibrados pela região do core. Com o core bem equilibrado e fortalecido, o futebolista conseguirá realizar as ações musculares com maior segurança, gerando mais força com menos gasto de energia e conseqüentemente uma menor possibilidade de fadiga.

    Contudo por mais força que o atleta conseguir realizar pelos membros e por mais fortalecido e equilibrado estiver a região do core, de pouco adianta se as articulações específicas não forem treinadas e fortalecidas da forma pontual e correta. A propriocepção tem como principal característica o fortalecimento das articulações correspondentes ao futebolista (tornozelo, quadril e joelho).


    A propriocepção não age isoladamente na articulação, ela fortalece também a musculatura que compõe cada articulação. O fortalecimento articular através da propriocepção acontece através da estimulação dos receptores (especialmente os mecanorreceptores), da estimulação ao fuso muscular e ao órgão tendinoso de Golgi.

    O treinamento funcional dentro do futebol é realizado dentro dessas três vertentes (força, core e propriocepção). A principal diretriz para a aplicação treinamento funcional dentro do futebol é conseguir aplicar cada uma das vertentes de forma específica, simulando os exercícios com gestos iguais ou parecidos com os realizados pelos futebolistas dentro dos treinos e jogos.

    Os exercícios para serem específicos devem ser realizados pelos grupamentos musculares específicos dos futebolistas, com a alta intensidade, com a velocidade de movimento parecida com a de jogo, e com a freqüência de movimentos próxima a da realidade encontrada em uma partida de futebol. É possível o treinamento de forma integrada, com as três vertentes do treinamento funcional estimuladas ao mesmo tempo, ou isolando cada uma das vertentes em cada sessão de treino, essa divisão é pedagógica e pode evoluir de acordo com aceitação e evolução dos atletas.

    O treinamento funcional dentro do futebol não prioriza a prevenção de lesões em detrimento ao alto rendimento, ele contribui para os dois objetivos agirem em conjunto proporcionando ao futebolista moderno um maior fortalecimento e equilíbrio muscular, potencializando o rendimento de forma complexa e específica.

    Por Sandro Sargentim

    FONTE



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  • Processo de ensino-aprendizagem-treinamento nos jogos esportes coletivos

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  • As discussões relacionadas aos processos de EAT nos jogos esportivos coletivos (JEC) têm aumentado consideravelmente nos últimos anos. Muitos são os contrapontos existentes entre as diversas correntes pedagógicas. Alguns autores defendem o modelo tradicional, centrado nas técnicas (BORSARI, 1989; KÄSLER, 1978; PAULA, 1994). Outros (BAYER, 1994; GRAÇA E OLIVEIRA, 1998; GRIFFIN et.al., 1997) defendem uma pedagogia de ensino relacionada ao modelo situacional- ativo centrado nas formas jogadas.

        Giménez (1999) enfatiza que o modelo tradicional centra-se em progressões de exercícios, tanto de assimilação como de aplicação no desenvolvimento das técnicas esportivas fundamentais, antes de abordar os aspectos táticos e de praticar o jogo em situação real. Já o modelo situacional-ativo associa-se à pedagogia do descobrimento e está fundamentada na proposta de experiências lúdicas vinculada ao contexto real de jogo desde o primeiro momento.

        Os JEC ocupam um lugar importante no quadro da cultura desportiva contemporânea (GARGANTA, 1998b). O esporte, por meio dos JEC, se estabeleceu como um fenômeno cultural, sua presença é assídua em clubes, escolinhas e principalmente nas aulas de Educação Física (EF). Porém, a dimensão sob a qual ele é ensinado, tem deixado algumas lacunas a serem preenchidas no que diz respeito à sua dimensão tática.

        Read e Devis apud Graça (1998) apontam que:

        [...] O ensino dos jogos esportivos coletivos tem sido concebido predominantemente como um processo de transmissão das técnicas básicas do jogo, apresentadas normalmente de uma forma descontextualizada e privilegiando os aspectos da realização motora dos gestos em detrimento dos aspectos do seu uso em situação [...] (p. 27)

        Muitos professores de EF e treinadores baseiam seu ensino centrado nas técnicas, fragmentadas em partes, do simples ao complexo, não vivenciando situações reais de jogo. Para Griffin et. al.(1997) esta abordagem focaliza o ensino das habilidades como um meio para responder à pergunta "como é feito?".

        De acordo com a natureza intrínseca dos JEC e a utilização, por parte dos praticantes, não apenas de certas habilidades (reprodução de gestos técnicos), torna-se necessário o esclarecimento das concepções de ensino. Constantemente o praticante necessita responder às incertezas produzidas no ambiente de jogo e para isto ele sempre deverá apresentar atitudes tático-estratégicas. Neste sentido este trabalho tem como objetivo esclarecer aspectos que promovam uma reflexão nas intervenções dos professores, capazes de auxiliar o processo de EAT destes esportes.

    2.     O que se ensina?

        No intuito de identificar características comuns dentro das práticas motoras em geral e nos jogos esportivos em particular, diversos autores, dentre os quais Bayer (1994), Moreno (1998 e 2000), Oliva (1995), Parlebas (2001) e Riera (1989), estabeleceram critérios para classificar as tarefas esportivas. Com essas classificações havia a intenção de apontar quais os princípios operacionais, a estrutura funcional e a lógica interna que regulam todas estas atividades.

        Para estabelecer uma aproximação entre a metodologia de ensino a ser adotada e elaborada pelo professor de EF, assim como das características estrutural-funcionais do esporte, é que apresentamos a seguir um conjunto de critérios de classificações das práticas motoras. Para tanto, Gonzalez (2004) apresenta um sistema de classificação desenvolvido com base nos critérios de cooperação e relação de oposição com o adversário. Ao combinar estes dois critérios, o autor apresenta as seguintes categorias:

    • Esportes individuais em que não há interação com o oponente: são atividades motoras em que a atuação do sujeito não é condicionada diretamente pela necessidade de colaboração do colega nem pela ação direta do oponente.

    • Esportes coletivos em que não há interação com o oponente: são atividades que requerem a colaboração de dois ou mais atletas, mas que não implicam a interferência do adversário na atuação motora.

    • Esportes individuais em que há interação com o oponente: são aqueles em que os sujeitos se enfrentam diretamente, tentando em cada ato alcançar os objetivos do jogo evitando concomitantemente que o adversário o faça, porém sem a colaboração de um companheiro.

    • Esportes coletivos em que há interação com o oponente: são atividades nas quais os sujeitos, colaborando com seus companheiros de equipe de forma combinada, se enfrentam diretamente com a equipe adversária, tentando em cada ato atingir os objetivos do jogo, evitando ao mesmo tempo que os adversários o façam.

    Quadro 1. Classificação em função da relação de cooperação e oposição

    Esporte

    Com interação com o adversário

    Sem interação com o adversário

    Coletivo

    Basquetebol

    Futebol

    Softbol

    Voleibol

    Acrosport

    Ginástica rítmica desportiva (grupo)

    Nado sincronizado

    Remo

    Individual

    Badminton

    Judô

    Paddle

    Peteca

    Tênis

    Atletismo (provas de campo)

    Ginástica olímpica

    Natação

    Fonte: Gonzalez (2004)

        Referindo-se exclusivamente aos esportes sociomotores é que Parlebas (1981) e Blasquez Sanchez (1983) apud Moreno (1998) apresentam uma classificação destes esportes relacionados ao uso do espaço (comum ou separado) e a forma de participação dos jogadores sobre o implemento do jogo (simultânea ou alternada).

        Polton (1956) e Gentil (1972) apud Magil (1998, p.9) apresentam outra classificação de acordo com as demandas sobre as habilidades motoras, na qual as características do contexto/ambiente influenciam na execução dessas:

    • Habilidades motoras predominantemente fechadas: o ambiente é estável, ou seja, não muda enquanto a pessoa estiver desempenhando a habilidade. O objeto sobre o qual se age não muda durante o desempenho.

    • Habilidades motoras predominantemente abertas: é uma habilidade desempenhada em um ambiente não-estável, onde o objeto ou o contexto varia durante o desempenho da habilidade.

        Dentre todas estas classificações apresentadas para os JEC, destaca-se a realizada por Almond (1986) apud Griffin, et.al. (1997). Nesta classificação estabelecem-se subcategorias para os JEC com interação que permitem agrupar as modalidades em função da semelhança dos princípios táticos básicos e da natureza dos problemas do jogo.

    Quadro 2. Categorias dos JEC com interação

    Invasão

    Rede/Parede

    Campo/Rebater

    Basquetebol

    Handebol

    PóloAquático

    Futebol

    Hóquei

    Rúgbi

    Futebol Americano

    Voleibol

    Badminton

    Tênis

    Tênis de Mesa

    Squash

    Beisebol

    Softball

    Críquete

        As classificações apresentadas aqui têm duas grandes finalidades: a primeira delas está relacionada à compreensão de que os esportes possuem diferentes estruturas funcionais, o que desta forma, coloca exigências sobre os seus praticantes que não são comuns entre eles. Não se pode considerar que as exigências colocadas ao lançador de dardo são as mesmas impostas ao atleta que realiza um arremesso ao gol no handebol.

        Já a segunda finalidade está centrada na compreensão de que o esporte, não tendo estruturas funcionais e exigências similares sobre a ação dos praticantes, necessite de um processo de EAT apropriado às demandas (motoras, cognitivas, regras, lógica interna, processamento de informação) que o esporte solicita. Não obstante, não se pode incorporar a mesma metodologia de ensino ao praticante de atletismo e a outro praticante de basquete. Então, ao falarmos em processo de EAT nos JEC, faz-se pertinente desenvolver o significado do que representa, enquanto natureza intrínseca, um esporte coletivo com interação de invasão.

    2.1.     Que esporte se está ensinando?

        As especificidades atribuídas aos JECI, pelas suas classificações, exigem de seus praticantes atitudes inteligentes, na tentativa de solucionar os problemas que surgem nas inúmeras situações no transcorrer do jogo. "A aleatoriedade, a imprevisibilidade e a variabilidade de comportamentos e ações são fatores que concorrem para conferir a esse grupo de esportes características únicas, alicerçadas na inteligência e na capacidade de tomada de decisão" (GARGANTA E OLIVEIRA, 1996).

        Muito mais do que a execução de habilidades motoras específicas, o aluno/praticante necessita, devido às características desses esportes (em particular os JECI), confrontarem os seus pensamentos com as situações problemas que surgem durante o jogo.

        Oliva (1995) expressa que:

        [...] em todos eles e desde o ponto de vista tático, são esportes onde o meio ambiente sempre é instável e isto possibilita uma necessária adaptação a esse meio, demandando uma atenção constante sobre o entorno e sobre si mesmo, além de ser necessário tomar decisões que afetam o tipo de execução e tendo que realizar em um curto período de tempo [...] (p. 86)

        Nos JECI desencadeiam–se a todo momento situações diferentes e imprevisíveis. O fator interação está constantemente presente, surgindo entre os jogadores que disputam a partida um sentido de cooperação/comunicação (jogadores com o mesmo objetivo/companheiro) e oposição/contra-comunicação (defrontamento de objetivos/adversário).

        São fatores fundamentais dentro desse grupo de esportes o apelo à cooperação entre os elementos da mesma equipe para vencer a oposição dos elementos da equipe adversária e o apelo à inteligência, entendida como a capacidade de adaptação a novas situações, isto é, enquanto capacidade de elaborar e operar respostas adequadas aos problemas colocados pelas situações aleatórias e diversificadas que ocorrem no jogo (noção de adaptabilidade) (GARGANTA, 1998a). Pelo fato de serem atividades coletivas situacionais de interação direta, ricas em acontecimentos imprevisíveis, elas exigem do praticante uma gama de variabilidades, não somente nas respostas motoras, como principalmente nas demandas cognitivas (leitura da situação, escolha e seleção da ação a ser realizada).

        Metzler (1987) apud Garganta (1998a) aborda que nos JEC, um dos problemas fundamentais que se coloca ao indivíduo que joga é primeiramente tático. Isso significa que o praticante precisa resolver sucessivamente e simultaneamente nas situações, cascatas de problemas não previstos a priori na sua ordem de ocorrência, freqüência e complexidade. Além disso, ele deve confrontar esses problemas em ambientes altamente subjetivos, em que a leitura e interpretação dos estímulos que demandam sobre cada jogador tornam a realização de uma ação aparentemente "simples", como um passe, em algo complexo a ser realizado.

        Seqüencialmente os jogadores devem adaptar suas ações e comportamentos às situações apresentadas. Os sujeitos, por atuarem em um espaço de jogo comum, elevam o grau de incerteza nas situações apresentadas. Portanto, esses praticantes são levados a constantes ajustes em suas ações.

        Uma categoria de esportes de habilidades preponderantemente abertas exige dos participantes adaptações regulares aos fatores externos no ambiente de jogo. O contexto se mostra instável na realização da ação motora, sendo marcado pela ação dinâmica e não repetitiva, onde as habilidades perceptivas e cognitivas assumem um destaque especial (REZENDE e VALDÉS, 2004).

    3.     Processando informações e tomando decisões

        Pelas classificações apresentadas e por sua natureza intrínseca podemos considerar que os JECI apresentam dentro do seu contexto interno, uma variabilidade de situações-problemas que estão recheadas de informações a serem filtradas e interpretadas. A riqueza de situações que surgem neste grupo de jogos requer dos seus praticantes a atenção a todo tipo de informação (motora, verbal, visual, sinestésicas), para conseguir tirar proveito sobre seus adversários na efetivação de uma ação motora. Pérez e Bañuelos (1997, p.47) apontam que "o ambiente esportivo está cheio de informações que devem ser captadas, selecionadas e interpretadas pelo atleta, para que possa aplicá-las na elaboração de seus projetos motores."

        A conferência da elaboração destes projetos motores acontece desde a captação da informação até o resultado motor. Nesse sentido, uma série de processos internos são ativados (consciente ou inconscientemente), para que o atleta consiga concretizar uma ação motora.

        Na decorrência desses processos senso–motor, para uma regulação das condutas motoras, alguns autores (ABERNETHY, WANN e PARKS, 2000; MEINEL, 1987; SCHIMDT e WRISBERG, 2001) apresentam três mecanismos gerais que indicam o modo de funcionamento do planejamento mental, ou seja, como se manifestam estes processos internos na realização de uma ação motora. Estes mecanismos são: Mecanismo de Percepção que está relacionado à leitura ambiental da situação de jogo (posição dos companheiros, adversários, móvel, propriocepção), mecanismo de Tomada de Decisão, a escolha mental da ação a ser realizada (passo para este, me desmarco para receber, etc.) e Mecanismo de Execução, a realização motora propriamente dita.

    Figura 1. Modelo de processamento de informação

    Fonte: Adaptado de Pérez e Bañuleos (1997)

        Estas demandas sobre o comportamento motor não são exigidas da mesma forma em todas as atividades. De acordo com o ambiente e as características das tarefas, a utilização destes mecanismos difere. Ou seja, ao realizar um passe no handebol, ao sujeito executante é necessário não somente coordenar os movimentos para a execução deste passe, mas também antes da realização desta ação, ele irá passar por um processo de percepção para avaliar qual é a melhor opção para passar a bola e de decidir de que forma e em que momento fará isto.

        Diferentemente de um lançamento de dardo no atletismo, onde o mecanismo execução é o mais exigido, devido às características estrutural-funcionais dessa tarefa, a situação se apresenta estável, desde o início da preparação para o lançamento até o seu final, não precisando o sujeito tomar decisões, ou seja, alterar o seu planejamento inicial para realizar a ação.

        As informações captadas, selecionadas, interpretadas e armazenadas influenciam significativamente a regulação dos movimentos. A ação de cada jogador está condicionada pela forma como ele recolhe as informações do ambiente e as utiliza. Este processamento informativo é o que dotará o atleta da compreensão da situação e favorecerá que aplique os recursos técnicos mais adequados à mesma situação (PÉREZ e BAÑUELOS, 1997).

        A forma como a informação é tratada pelo jogador nos JECI irá influenciar a maneira como este atuará. Neste sentido é que o sistema senso–perceptivo ganha importância, ou seja, o jogador consegue decodificar mais rapidamente as informações presentes no ambiente, podendo acelerar os processos de tomada de decisão e execução sem que ocorra um déficit na escolha/ seleção e realização do ato tático.

        Sabendo que os diferentes esportes reclamam de maneira diferente a participação dos mecanismos comentados, isto já deveria ser mais do que suficiente para considerar a maneira em que são treinados os desportistas nas múltiplas modalidades desportivas que conhecemos (PÉREZ e BAÑUELOS, 1997). Evidenciando que os JECI constantemente requerem uma grande demanda sobre o mecanismo de Tomada de Decisão, devido ao planejamento do jogador em relação a ação a ser realizada. O trabalho com este grupo de esportes deve estimular a capacidade de agir inteligentemente, não ignorando o comportamento cognitivo do sujeito.

        Os JEC, por serem atividades ricas em situações imprevistas às quais o indivíduo que joga tem que responder (GARGANTA, 1998a), atribui um papel fundamental na capacidade decisional do atleta que, por conseguinte, precisa tomar constantemente inúmeras decisões, para solucionar os problemas que surgem devido a esta imprevisibilidade. As situações de jogo apresentadas não possuem uma previsibilidade, o que acaba exigindo do praticante que constantemente regule suas ações, pois, necessita ajustá-las as situações e fazendo-as de uma forma inteligente.

        "A tomada de decisão joga um papel importante nas ações do atleta, pois a realização de movimentos conscientes é sempre precedida de uma decisão" (TAVARES, 1996, p.34). O praticante dos JECI se depara a todo o momento com perguntas relativas a o que fazer? "Para quem passo a bola?" "Como vou fazer para receber um passe?" "Qual o comportamento que devo ter para tirar vantagem sobre a ação do meu adversário?" São algumas das questões que os praticantes se defrontam constantemente durante uma partida.

        Abernethy, Wann e Parks (2000) consideram que o processo de tomada de decisão é a seleção do modo correto de agir, de acordo com as atuais circunstâncias, com o atual contexto e com as experiências passadas. No decorrer da elaboração da ação o atleta seleciona, dentro das inúmeras soluções mentais, qual será o produto final a ser visualizado.

        Portanto, "a qualidade das decisões tomadas (em termos de velocidade e precisão) será obviamente influenciada pela qualidade da informação sensorial recebida e também pelo conhecimento do indivíduo acerca do contexto e das expectativas da experiência passada" (ABERNETHY, WANN e PARKS, 2000, p. 62). A maneira como o jogador capta e seleciona essas informações ambientais, reflete na qualidade da sua tomada de decisão e no tempo gasto para emitir uma resposta a tal situação.

        Ao tomar decisões nos JECI, muitos são os fatores que influenciam esta seleção de qual ação realizar. Schimidt e Wrisberg (2001) exemplificam o número de alternativas estímulo-resposta; compatibilidade estímulo-resposta e quantidade de prática como alguns dos fatores que influenciam a reação na tomada de decisão.

        Subjacente a pergunta sobre "como fazer", o jogador necessita saber "o que fazer", "quando fazer" e "porque fazer". Na constatação que os JECI requerem uma grande demanda sobre o mecanismo de Tomada de decisão, o jogador precisa processar as informações ambientais que lhe são colocadas para então organizar, programar e controlar a sua ação motora.

    4.     Conteúdos táticos

        Considerando as características atribuídas aos JECI, não obstante, se estabelece uma grande valorização sobre as demandas cognitivas (processamento de informação, tomada de decisão, tática individual, geral, grupal e coletiva). Nesse sentido, não se está atribuindo à centralidade no desenvolvimento das técnicas pertencentes a cada esporte, mas sim, com o desenvolvimento de um comportamento tático dos praticantes frente às situações-problema.

        Griffin et.al. (1997) afirmam que, embora a execução de habilidades motoras seja imprescindível para o desempenho no jogo, decisões apropriadas com relação ao "que fazer" nas situações de jogo são igualmente importantes. As habilidades motoras são específicas para cada esporte, contudo os problemas e princípios táticos podem ser transferíveis a todos os JECI.

        Neste processo de EAT para uma consciência tática dos praticantes, Bayer (1994) apresentou os princípios operacionais que são comuns e idênticos a todos os esportes coletivos. Para esse mesmo autor, esses princípios constituem o ponto de partida, a base, pois representam a origem da ação, e definem as propriedades invariáveis. É por meio destes princípios que os jogadores conseguem organizar as suas ações no momento do jogo (objetivos parciais).

    Quadro 3. Princípios operacionais dos JEC

    Fonte: Bayer (1994 p.47)

        Seguindo essa linha, Lopez Leon (1997) e Lassierra et. al. (1993), especificamente com relação ao esporte handebol, e Griffim et.al. (1997) para o futebol, apresentam comportamentos deliberados que cada jogador deveria ter para resolver os problemas táticos que surgem durante o jogo. Nessas intenções táticas se encontram os papéis e sub-papéis que os jogadores assumem aleatoriamente, de acordo com a situação de jogo: atacante com posse de bola (ACPB); atacante(s) sem posse de bola (ASPB); defensor direto do atacante com posse de bola (DACPB) e defensor(es) do(s) atacante(s) sem posse de bola (DASPB).

        Dentro de cada sub-papel encontram-se inúmeros comportamentos táticos que o jogador deve realizar quando se localizar, em virtude ao indeterminismo característico dos JECI, em cada um deles.

    Quadro 4: Comportamentos táticos dos jogadores

        A categoria das combinações táticas é outra etapa importante no processo de ensino aprendizagem para uma consciência tática nos JECI. Dois ou três jogadores coordenam as suas ações (soma de ações), para conseguir os objetivos de ataque ou de defesa. Em situações específicas, conseguem reconhecer e sincronizar as suas ações com as dos companheiros, a fim de superar os adversários. Especificamente no basquetebol, têm-se no ataque os bloqueios diretos, indiretos, estáticos e dinâmicos, passe e vai ou passar e seguir e triangulação, entre outras. Na defesa teríamos a ajuda e a troca defensiva como as mais simples.

        Sobre a dimensão tática, ainda tem-se nos JECI, os sistemas de jogo que se constitui enquanto a organização/coordenação do comportamento de todos os jogadores de uma equipe dentro de um determinado tempo/espaço. Os JECI possuem três sistemas básicos de jogo: ataque, defesa e transição. O ataque pode ser posicional, de permuta ou livre. A defesa pode ser individual, zona ou mista e a de transição de defesa para o ataque pode ser direto ou indireto e do ataque para a defesa pode ser de pressão na 1ª linha ou na 2ª linha. São nos sistemas de jogo que surgem as especializações das funções onde cada praticante irá atuar.

        No que diz respeito à dimensão tática, esses conteúdos apresentados, em linhas gerais, são os conteúdos que necessitam serem ensinados. Dentro dessa dimensão, a tática individual, enquanto intenções táticas, as combinações táticas e os sistemas de jogo surgem como os conteúdos principais, visto que, contribuem diretamente no desempenho do jogador no momento em que atua dentro dos JECI.

        Dois pontos neste momento surgem como importantes na elaboração do processo de EAT. O primeiro deles centra-se no como ensinar esses conteúdos, enquanto metodologia de ensino a ser utilizada, e o segundo focaliza-se no âmbito do quando ensiná-los, ou seja, um programa marco de aproximação progressiva para o ensino desses conteúdos.

    5.     Considerações finais

        Pode-se evidenciar que um dos maiores problemas enfrentados pelos jogadores de JECI está na produção de incerteza do adversário sobre as ações táticas no jogo. No instante em que o jogador consegue eleger os sinais subjetivos e interpretá-los, cria-se a possibilidade de "decifrar" as ações do adversário, ou prever uma situação, permitindo-lhe antecipar seu comportamento. Assim, pode-se anular uma ação contrária ou tirar proveito de uma situação. Ao processar corretamente as informações aleatórias, múltiplas e inconstantes, presentes nos JECI, possibilita-se um melhor rendimento por parte do atleta sobre o jogo, isto na tentativa de facilitar, perante a seleção das informações que chegam a tomada de decisão a ser executada.

        Para ensinar este grupo de esportes, em um processo no qual se estimule a capacidade de agir inteligentemente deve-se desenvolver no praticante uma consciência tática de pensar na ação a ser realizada. Que ele possa interpretar os estímulos que são apresentados e buscar a solução mental para então colocar em prática a ação motora. Jogar coletivamente de forma inteligente requer do praticante a capacidade de agir conscientemente.

        O que precisamos é encontrar um equilíbrio entre esta aprendizagem tática e a técnica. Lassierra et.al. (1993) concluem que a técnica deve estar subordinada a tática, porém, sendo necessário como suporte dela. Os autores exemplificam que para haver uma atuação tática permanente enquanto se quica a bola, é imprescindível ter um controle unicamente sinestésico sobre a execução do movimento, a fim de utilizar-se o campo visual para as funções superiores da ação tática.

        O equívoco que aqui a maioria dos professores faz é considerar somente a técnica como necessária para jogar estes esportes excluindo completamente a dimensão tática. Muitos professores acreditam que o resultado é mais eficiente se permanecerem trabalhando nos modelos tecnicistas.

        Por meio deste artigo, buscou-se apontar subsídios (sinais relevantes) que direta ou indiretamente influenciem o processo de ensino treinamento nos JECI. Algumas considerações que devem ser relevantes ao se programar os conteúdos didáticos que serão ensinados por professores e treinadores, sejam em escolas, clubes e escolinhas. Ao apresentar as classificações que podem ser atribuídas aos esportes, à natureza intrínseca, o processamento de informação e a influência da tomada de decisão nos JECI, evidencia-se alguns argumentos que podem predicar a prática de intervenção para o EAT nessa categoria de jogos.

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    FONTE



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