Periodização no treinamento de Basquete










O treinamento físico no Basquetebol tem como finalidade elevar a intensidade com que o jogador executa as acoes técnicas ao longo de todo o jogo. O carater intermitente e o conteúdo variado dos períodos de esforço e recuperação no jogo de basquetebol tornam complexa a análise da interação das variaveis fisiológicas envolvidas no desempenho. As vias energéticas atuam tanto na produção de energia para as ações do jogo quanto para a ressíntese rápida dos substratos utilizados. Fatores neuromusculares determinam aspectos qualitativos importantes envolvidos nos gestos técnicos, como taxa de desenvolvimento de força e o impulso. A limitação no conhecimento sobre as interfaces dos aspectos energéticos e neuromusculares no basquetebol e determinante para a qualidade do treinamento que se desenvolve atualmente.

Como muitos esportes, o basquete, ao longo de sua história, também sofreu significativas mudanças para se tornar um mais dinâmico e mais atrativo ao público em geral. Sendo atualmente um esporte extremamente veloz e técnico, exigindo de seus atletas grandes competências e um ótimo condicionamento físico.

Treinamento

Podemos entender o treinamento como o aprimoramento em uma determinada área. Nesse caso o treinamento esportivo seria o aperfeiçoamento do preparo físico, técnico tático, intelectual, psíquico e moral do atleta através de exercícios físicos (WEINECK, 2003).

Segundo Platonov (2008, p. 507), para a preparação física de desportistas é importante destacar alguns elementos estruturais, como:


a preparação plurianual, como conjunto de etapas relativamente independentes e, ao mesmo tempo, inter-relacionadas;


os ciclos médios (mesociclos);


os ciclos pequenos (microciclos)


as sessões do treinamento.

No treinamento a parte mais abrangente é denominada macrociclo, composta por meses, que consiste em uma etapa completa de treinamento. Dentro do macrociclo aparecem os mesociclos que são uma etapa relativamente completa do processo de treinamento. Através deles se tem um melhor controle do programa de treinamento, pois a sua utilização "permite sistematizar a preparação de acordo com a tarefa principal do período" (PLATONOV, 2008, p. 592). Os mesociclos mais conhecidos são os de quatro semanas. Por sua vez, os microciclos tem a duração de alguns dias, geralmente uma semana, e são neles que são realizadas atividades específicas de cada fase de treinamento. Já a sessão de treino nada mais é do que um dia de treinamento.

Tendo ciência da nomenclatura utilizada na definição da periodização do treinamento, ressaltamos que nossa equipe irá iniciar a preparação conosco um mês antes do início do campeonato (março). Nessa fase inicial iremos avaliar os indivíduos, para que possamos ver em que nível de treinamento eles se encontram e o que deve ser dado maior ênfase nos treinamentos.

Para Weineck (2003), os ciclos de treinamento devem ser divididos em: preparatório, período de competições e período de transição. Haddad e Daniel (2005) ressaltam que na fase de preparação deve ser priorizado o desenvolvimento atlético, partindo do simples para o complexo e aumentando o volume e intensidade gradativamente. Boa parte desse tempo deve ser destinada para a preparação muscular, inicialmente com exercícios básicos e de grandes grupos musculares. A relação entre volume e intensidade se inverte na fase final de preparação, quando a intensidade ganha predominância, nessa fase é levada em consideração trabalhos mais complexos e específicos da modalidade, como o desenvolvimento de gestos. Na fase final, há a predominância do trabalho técnico sobre o físico. Já na fase de competição, o treinamento é prioritariamente para a manutenção dos ganhos previamente adquiridos, no qual o trabalho tático prevalece sobre o físico e técnico.

Macrociclo

Esta é a fase mais abrangente do treinamento, nossos atletas realizarão um treinamento de seis meses conosco. Totalizando seis mesociclos, nos quais serão realizados testes, trabalho de base para a pré-temporada, trabalho de reforço muscular, flexibilidade, treinamento aeróbio, anaeróbio lático e alático. Treinamento dos fundamentos específicos do basquete e também a parte tática.


Mesociclo 1 (março – pré-temporada)

Nesta fase tem-se por objetivo conhecer o atleta, é nesse momento que são realizados os testes físicos para ver em que fase de treinamento cada atleta se encontra. A pré-temporada é de fundamental importância, pois é ela que dará a base para um bom desempenho esportivo ao longo da temporada. Além dos testes trabalharemos a resistência geral e o trabalho de ganho de força, inicialmente com exercícios envolvendo grandes grupos musculares. Cabe salientar que no trabalho de força é fundamental o trabalho dos membros inferiores, pois eles são muito exigidos nessa modalidade. Nessa fase, também, é indispensável o trabalho da flexibilidade, pois ela será um agente que ajudará na prevenção de lesões articulares e musculares, bem como é uma capacidade que facilita a aprendizagem e a execução dos fundamentos do basquete (JUNIOR; TRICOLI, 2005). A resistência aeróbia apesar de não ser a principal característica neste esporte, também será desenvolvida para servir de base para o desenvolvimento das demais resistências e para ajudar na recuperação dos atletas. Nessa fase também será abordado o trabalho aeróbio lático através de corrida de tiros e o trabalho técnico através dos fundamentos do basquete.

Inicialmente serão feitos os seguintes testes a fim de levantar subsídios para a estruturação do treinamento:


Resistência aeróbia: teste de Cooper, ou seja, corrida de 12 minutos (WEINECK, 2003);


Resistência anaeróbia: teste de 40 segundos (MATSUDO, 1979);


Força explosiva membros inferiores: salto vertical, de grande significado para o desempenho no basquete. Facilmente avaliado através do teste jump and reach (pule e alcance) (WEINECK, 2003).


Flexibilidade: sentar e alcançar, sem o banco de Wells (pela facilidade).


Avaliação da força muscular membros inferiores e superiores: teste de 1 RM. (DIAS et al., 2005).

Após a realização dos testes os atletas realizarão três treinos semanais exemplificados a seguir:

Microciclo de março



Mesociclo 2 (abril – início do campeonato)

Neste mesociclo se iniciará o campeonato, a equipe realizará três treinos semanais mais os jogos aos domingos. Nessa fase será mantido o treino de força, um pouco mais intenso e no meio da semana para não prejudicar o jogo do final de semana. Um treino regenerativo no dia seguinte ao jogo, treino de flexibilidade, resistência anaeróbia, trabalho tático e aumento do treino técnico. No qual podemos entender a "técnica" como "conjunto de procedimentos e ações que garantem soluções mais eficazes para as tarefas motoras, de acordo com a especificidade da modalidade" (PLATONOV, 2008, p.354).

Microciclo de abril



Mesociclo 3 (maio)

Nesta fase do treinamento o campeonato já terá um mês de duração. Aqui se pretende manter o condicionamento alcançado bem como aperfeiçoar o desempenho da resistência anaeróbica alática, tendo em vista que esta rota metabólica é predominante no basquete. Treinos de força serão mantidos para prevenção de lesões e os treinos técnicos serão os mais desenvolvidos durante as sessões.

Microciclo de maio



Mesociclo 4 (junho)

Fase importante do treinamento, pois aqui a equipe chegará à metade do campeonato. Nesta fase é esperado que o condicionamento geral dos indivíduos esteja em um ótimo nível. O trabalho técnico e a resistência anaeróbia alática continuaram predominando. O trabalho tático receberá a mesma atenção e iniciaremos um trabalho de pliometria para membros inferiores e também superiores. Weineck (2003) avalia que o treino pliométrico é uma boa forma de se desenvolver a força rápida, desde que para isso sejam tomados alguns cuidados como: realizar de seis a 10 repetições; iniciantes não são aconselhados a realizar mais do que duas ou três séries, já avançados indica-se de três a seis séries e atletas de alto nível de seis a 10 séries. Os intervalos entre uma série e outra devem ser em torno de dois minutos e este tipo de trabalho só deve ser realizado na ausência de fadiga e com os atletas bem aquecidos.

Microciclo de junho



Mesociclo 5 (julho)

Nesta fase o campeonato já terá passado da metade, a preocupação maior é para que os atletas não se lesionem devido à carga acumulada até o momento. Aqui já começaremos a baixar a intensidade dos treinos dando ênfase para o técnico e tático sobre o físico.

Microciclo de julho



Mesociclo 6 (agosto – final do campeonato)

Esta fase do treinamento tem como objetivo manter os ganhos previamente adquiridos no treinamento. Aqui temos mais do que nunca a preocupação para que os atletas não se lesionem, pois como é o último mês de competição eles já se encontraram em uma fase em que o desgaste é muito grande. O principal fator abordado neste último mês de treinamento será a parte tática.

Microciclo de agosto



Conclusão

Para que um atleta tenha sucesso em uma modalidade esportiva, seja o basquete ou qualquer outra, é necessário o estabelecimento de objetivos possíveis e, principalmente, um planejamento adequado de seu treinamento. Dessa forma, é fundamental que a periodização seja feita de forma muito cuidadosa, levando em consideração as especificidades do indivíduo e da modalidade.

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