Métodos de ensino para Esportes Coletivos







O esporte faz parte da vida do homem desde os primórdios da humanidade. A importância do jogo é fundamental para o individuo em vários aspectos: motores, tomadas de decisão, psicomotor, cognitivo e afetivo-social. Sabendo disso, o professor que transmite esse conhecimento aos alunos deve escolher um método de ensino que melhor se adapte ao público alvo.

O método Analítico-Sintético

    Esse modelo surgiu, primeiramente, nos esportes individuais. É, particularmente, representado pelo método parcial e assume várias definições que apontam para um mesmo ponto: as habilidades são treinadas fora do contexto de jogo para que, depois, possam ser transferido para as situações de· jogo. De acordo com Dietrich, Durwachter e Schaller (1984), esse método, parte do princípio que a divisão corrente do jogo em 'técnica', 'tática' e 'treino' deve também determinar a metodologia. Esse método pode ser considerado como "exato", por sua preocupação demasiada com os detalhes de cada fundamento. Já Greco (1998), complementa que, nesse método.

O aluno conhece, em primeiro lugar, os componentes técnicos do jogo através da repetição de exercícios de cada fundamento técnico, os quais são logo acoplados a série de exercícios, cada vez mais complexos e mais difíceis; à medida que a ajuda e a facilitação diminuem, gradativamente aumenta a complexidade e a dificuldade das ações. À medida que o aluno passa a dominar melhor cada exercício, passa a praticar uma nova sequência. Estes movimentos já dominados passam a ser integrado em um contexto maior, que logo permitirão o domínio dos componentes básicos da técnica inerente ao jogo esportivo, na sua situação do modelo ideal.

O método Global - Funcional

    O método global parte da totalidade do movimento e caracteriza-se pelo aprender jogando; parte-se dos jogos pré-desportivos (jogos com algumas alterações nas suas regras) para o jogo formal; utiliza-se, inicialmente, de formas de jogo menos complexas cujas regras vão sendo introduzidas aos poucos (REIS, 1994). Quando se trata de treinamento moderno, o método globalizado segundo Lopes (2004) vem sendo o mais empregado, na medida em que interagem aspectos como a criatividade, a imaginação e o pensamento tático dos jogadores. Este autor define três objetivos principais desse método: (a) a constante tomada de decisões dos alunos, desenvolvendo assim sua inteligência tática, permitindo solucionar problemas que ocorrem durante a partida, (b) facilitar a compreensão por parte do jogador, da verdadeira estrutura do jogo com fases defensivas e ofensivas que requerem do jogador posturas diferenciadas e (c) permite, também, que os alunos enfrentem com mais segurança a competição, já que enfrentam a mesma situação em treinamentos. Assim o método parte do principio lógico que o aluno aprenderá a jogar jogando, observando dentro da vivência total do jogo seus detalhes e necessidades, além de atender a principal exigência dos alunos que é a de jogar.

O Método Misto

    De acordo com Costa (2003) o método Misto é a junção dos métodos Analítico-sintético e Global-funcional. Este método possibilita a prática de exercícios isolados, bem como a iniciação ao jogo através das formas jogadas do futsal. O método misto permite que o professor utilize dentro da mesma aula exercícios e jogos, independente da ordem ou da quantidade de atividades estabelecidas, mais jogos ou mais exercícios.

Método em Séries de Jogos

    Para Tenroller (2003) o método tem muitas semelhanças ao global em forma de jogo, até mesmo a terminologia. No entanto, na pratica ele pode ser entendido mais facilmente. Pode ser utilizado na forma de série de pequenos jogos, onde cada um irá trabalhar um dos fundamentos técnicos do Futsal por exemplo. O método em séries de jogos tem bastante aplicabilidade na observação dos atletas durante as chamadas 'peneiradas', que são os testes para seleção, ou para avaliar determinados aspectos a serem executados pelo conjunto de jogadores dentro do jogo proposto.

Método Recreativo

    Segundo Voser (2001) esse método, se não o é mais em voga na atualidade, é o mais popular adotado na iniciação do Futsal. Muitos estudiosos o defendem em suas teorias, a adoção desse método faz-se presente em todas as realidades e níveis do Futsal. É possível que os elementos técnicos ou táticos, abordados de uma maneira lúdica, ou seja, recreativa, propiciem ao docente um melhor aprendizado do desporto. Já no alto nível, o seu efeito ''anti-estressante'' é muito valorizado.

Método Transfert

    Método proposto por Bayer (1986), na Europa, com jogadores de handebol. Adotando-o, podemos trabalhar mais de uma modalidade desportiva na mesma atividade, associando-se gestos técnicos desses esportes. Assim, ao se trabalhar a condução do Futsal ou a progressão do handebol, por exemplo, estaremos exercitando e desenvolvendo os nossos alunos nos eixos corporais: inferior e superior, além de estarmos desenvolvendo as percepções óculo - pedais e óculo – manuais em uma só atividade. É um excelente meio para estimular nos alunos as percepções de espaço, a inteligência para outros elementos presentes num contexto durante o jogo.

Método da Cooperação-Oposição

    As noções de companheiro e de adversário são básicas para o ensino e para o entendimento da estrutura funcional do jogo. Assim, deve-se dar ênfase aos valores de cooperação entre os participantes que, para acontecer o jogo ou a competição, precisam do adversário, e este devera ser visto como um cooperador. Caso contrário, não teremos como jogar contra. Esse método, assim, enfatiza o significado do jogar "com" em detrimento do jogar "contra". As duas situações são imprescindíveis no processo educacional (TENROLLER, 2003).

Abordagem Metodológica segundo Paes e Balbino

    Para Paes (2001), o meio de intervenção no processo ensino-aprendizagem dos esportes coletivos, defende o jogo possível, que remete a uma forma simples do jogo principal, ou seja, brincadeiras, pequenos jogos, apresentando características técnico-táticas e estrutura funcional parecida com o grande jogo, estes jogos devem estar de acordo com as características e o conhecimento dos envolvidos. Conforme Balbino (2001), uma proposta de ensino-aprendizagem sob a ótica das inteligências múltiplas, permite um olhar ampliado do ser humano, para além do jogo e de seus métodos de ensino. Para o autor o ambiente e a estrutura das atividades poderão estimular diferentes inteligências ao mesmo tempo, as estratégias para alcançar tais objetivos, devem ter sua essência no jogar por meio do jogo.

Abordagem Metodológica segundo Scaglia e Freire

    Para Freire (1998), o ensino deve estar integrado ao jogo, ao ambiente que o aprendiz pertence. O jogo deve estar adaptado a realidade do seu ambiente. Para o autor o que determina o sucesso ou insucesso do aluno e sua história, suas experiências motoras. O método de ensino esta baseado nos jogos populares. Conforme Revertino e Scaglia (2009), nos esportes o processo de ensino-aprendizagem deve dar ênfase aos jogos táticos, na qual os alunos possam compreender o jogo e suas estruturas, estimulando o pensar. Para o autor é importante o entendimento do jogo para desenvolver as capacidades cognitivas.

Abordagem Metodológica segundo Garganta e Graça

    Conforme Garganta (1995), o ensino dos jogos coletivos deve ser por meio dos jogos condicionados, estimulando a compreensão dos mesmos (o que fazer), integrando a técnica (o como fazer). Para o autor é necessário a assimilação dos princípios comuns do jogo no aprendizado, e este deve ser feito através de jogos acessíveis ao conhecimento do educando. De acordo com Graça (1995), o ensino dos jogos deve ser feito através de atividades (jogos) modificadas, orientadas para um determinado objetivo. Neste sentido o autor coloca ser necessário, atividades que contemplem o que e o como fazer não fugindo aos princípios funcionais dos jogos.

Abordagem Metodológica segundo Kröger e Roth e Greco e Benda

    Para Kröger e Röth (2002), o ensino dos jogos coletivos deve ser por meio de jogos situacionais, estes abrangendo fatores como precisão, organização, complexidade, tempo e carga. Os autores citam que as atividades devem ser construídas para trabalhar os movimentos específicos dos esportes (técnica). Na mesma perspectiva Greco e Benda (1998), enfatizam a importância do trabalho da técnica e das capacidades motoras, no aprendizado dos jogos coletivos. Conforme os autores subsequentemente e trabalhado o desenvolvimento do jogo isto é os aspectos táticos, por meio de jogos situacionais e funcionais.

Referência Bibliográfica

ELLIOT, B.; MESTER, J. O treinamento no esporte: aplicando ciência no esporte. Guarulhos: Phorte, 2000.

FILGUEIRA F.M. ET AL. Futebol: um estudo sobre a capacidade tática no processo de ensino aprendizagem–treinamento. São Paulo. Rev. Bras. Futebol 2008 Jul-Dez; 01(2): 53-65 53.

FONSECA, Cris. Futsal: o berço do futebol brasileiro. Cris Fonseca. – São Paulo: Aleph, 2007.

FREIRE, João Batista. Pedagogia do Futebol. João Batista Freire. Londrina: Midiograf, 1998.

GARGANTA J. Competências no ensino e treino de jovens futebolistas. EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, 2002; 45. http://www.efdeportes.com/efd45/ensino.htm

_______________. Modelação táctica do jogo de futebol: estudo da organização da fase ofensiva em equipes de alto rendimento. 1997. 312 p. (Doutorado). Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação Física da Universidade do Porto, Universidade do Porto, Porto, 1997.

GARGANTA, Júlio. Para uma teoria dos jogos desportivos colectivos. In: Graça, A.; Oliveira, J. (Org.). O ensino dos jogos desportivos. 2. ed. Porto: Universidade do Porto, 1995.

GRAÇA, A. OLIVEIRA J.. O Ensino dos Jogos Desportivos. Centro de Estudos dos Jogos Desportivos. Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação Física Universidade do Porto. 1998.

GRECO, P.J. (org.). Iniciação Esportiva Universal 2: metodologia da iniciação esportiva na escola e no clube. Belo Horizonte: UFMG, 1998.


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