segunda-feira, 27 de junho de 2011

Metodologia para iniciação de voleibol para crianças de 7 a 14 anos

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  • Em tempos hodiernos, onde a competição impera na sociedade, e a espera por resultados rápidos é enorme, a iniciação esportiva vem sofrendo várias situações que vão contra os princípios básicos da pedagogia da iniciação desportiva, entre eles, especialização precoce, estabilização da aprendizagem, entre outros inúmeros fatores. Sendo assim é de suma importância a utilização de uma metodologia de ensino adequada para cada faixa etária, respeitando-se a questão motora, cognitiva, social, e afetiva.

    Na iniciação esportiva existem inúmeros fatores que a tornam altamente complexa, pois além de se trabalhar com seres humanos, o que por si só já é complexo, ela trabalha também com aprendizagem. Sendo assim é de suma importância estudos que dêem um norte para os professores e treinadores, haja vista as inúmeras mudanças que ocorrem com crianças em idade de iniciação esportiva. Inúmeros enfoques metodológicos já foram formulados por estudiosos, cada um com suas particularidades. Sendo assim fica a pergunta no ar, quais as metodologias de ensino dos esportes são mais adequadas? Quais as diferenças entre as faixas etárias? Qual a idade ideal para o início da prática do vôlei?

    Identificar quais as metodologias mais cabíveis na iniciação é o objeto de nosso estudo, sendo assim foi necessário verificar quais as metodologias existentes, verificar se essas metodologias seguem os princípios básicos da aprendizagem motora, e também verificar a existência dos pequenos jogos utilizados na iniciação esportiva.

    Sendo o ensino dos esportes coletivos um processo na busca pela aprendizagem, é de suma importância uma metodologia de ensino coerente com o público-alvo. Baseada em conhecimentos técnicos e científicos e não apenas em conhecimentos empíricos e em repetições de sistemas que deram certo com alguns públicos, mais que podem não dar certo em alguma população diferente. A importância desta pesquisa se apresenta na possibilidade de dar um maior embasamento teórico aos professores e técnicos que lecionam na modalidade de voleibol, visando que este assunto deve ser debatido freqüentemente, sem jamais se tomar uma metodologia como verdade científica.

    Diversos autores corroboram com diferentes metodologias de ensino dos jogos esportivos coletivos, entre eles destacamos: Bayer (1994), Oliveira & Paes (2004), Greco (1998), Paes (2001), entre muitos outros mais. Em todas as metodologias existem falhas e acertos, que segundo Greco (1998) a idéia básica consiste em não ter uma receita e sim um conjunto de alternativas didáticas e metodológicas que combinadas na forma de um quebra-cabeça permitam as crianças e adolescentes à construção do conhecimento do jogo na fase de iniciação ao esporte. Jogar se aprende jogando, através de jogos pode-se construir o conhecimento e a inteligência motora.

    Nossa pesquisa se caracteriza por uma revisão de literatura que segundo Belo (1999) é a localização e a obtenção de documentos para avaliar a disponibilidade de material que subsidiará o tema do trabalho de pesquisa. Buscando definições sobre metodologia de ensino dos esportes coletivos, focando-se no voleibol, buscando compreender as mais coerentes para a iniciação. Para o levantamento de literatura serão utilizadas as palavras chaves: metodologia de ensino, iniciação de voleibol, aprendizagem motora, processo de ensino aprendizagem.

    2. Revisão de literatura

    Nos dias atuais tem se observado um aumento considerável nas discussões acerca das metodologias de ensino-aprendizagem-treinamento dos jogos esportivos coletivos (JEC). Por estas razões se fazem necessárias uma seqüência de estudos e debates sobre o tema, considerando-se a complexidade do mesmo, já que o mesmo engloba aspecto morfo-funcionais, psicológicos cognitivos e sociais.

    Nosso objetivo neste estudo foi avaliar as diferentes metodologias de ensino do voleibol, focado na iniciação. Segundo Muller (2009) o voleibol ocupa um lugar proeminente no cenário esportivo nacional e internacional. Uma grande quantidade de participantes faz do voleibol um dos três esportes mais praticados em todo o mundo. Sendo assim se faz necessário que o planejamento do voleibol, tanto de alto rendimento, como na iniciação sejam baseados em conhecimentos científicos e não apenas em conhecimentos empíricos, ou em cópias de sistemas que deram certo em algum tipo de população.

    Metodologia de ensino dos esportes coletivos

    Vários autores apresentam propostas de ensino dos esportes coletivos, buscando novos conhecimentos e procedimentos acerca de novos procedimentos pedagógicos:

    Mertens & Musch apud Oliveira & Paes (2004) apresentam uma proposta para o ensino dos jogos coletivos, tomando como referência a idéia do jogo, no qual as situações de exercícios da técnica aparecem claramente nas situações táticas, simplificando o jogo formal para jogos reduzidos e relacionando situações de jogo com o jogo propriamente dito.

    Bayer (1994) afirma coexistir duas correntes pedagógicas de ensino para os jogos desportivos coletivos: uma utiliza métodos tradicionais ou didáticos, decompondo os elementos (fragmentação), na qual a memorização e a repetição permitem moldar a criança e o adolescente à modelo adulto. A outra corrente destaca os métodos ativos, que levam encontra os interesses dos jovens e que a partir de situações vivenciadas, iniciativa, reflexão, possa favorecer a aquisição de um saber adaptado às situações causadas pela imprevisibilidade. Esta abordagem é chamada de pedagogia das situações.

    Já para Galão e Osmum apud Oliveira & Paes (2004) apregoam que uma abordagem desenvolvimentista que, ao ensinar as habilidades motoras (técnicas) para a faixa etária de 7-10 anos, a aprendizagem deve ser totalmente aberta, ou seja, os conteúdos do ensino são aplicados pelo professor e praticados pelos alunos, sem interferência e correção dos gestos motores. Para a faixa etária de 11-12 anos, o ensino é parcialmente aberto, isto é há breves correções na técnica dos movimentos. Na faixa de 13-14 anos, o ensino é parcialmente fechado, pois inicia-se o processo de especificidade dos gestos de cada modalidade na procura da especialização esportiva e somente após os 14 anos de idade deve acontecer o ensino totalmente fechado.

    Greco (1998) sugere o ensino através do método situacional, em situações 1x0- 1x1-2x1, em que situações, isoladas dos jogos, são aprendidas com número reduzidos de praticantes. A técnica desportiva é praticada na iniciação aos conceitos da tática, ou seja, aliando o “como fazer” à “razão de fazer”.

    Em relação a pedagogia da iniciação esportiva Paes (2001) define experiências práticas em situações de jogo, também em 1x1, 2x2, 3x3, e ainda o “jogo possível” como uma possibilidade de ensinar jogos desportivos coletivos, pois o mesmo pode propiciar aos alunos o conhecimento e a aprendizagem dos fundamentos básicos das modalidades coletivas.

    3. Fases da iniciação esportiva

    Segundo Paes & Oliveira (2004) a etapa de iniciação esportiva é um período que abrange desde o momento em que as crianças iniciam-se nos esportes até a decisão por praticarem uma modalidade. Segundo os mesmos autores a iniciação esportiva é dividida em três fases, I, II, III.

    Fase de Iniciação Esportiva I

    Esta fase corresponde da 1ª a 4ª séries do ensino fundamental, atendendo crianças da primeira e da segunda infância, com idades entre 7 e 10 anos. O envolvimento destas crianças nas atividades desportivas deve ter caráter lúdico, participativo e alegre, a fim de oportunizar o ensino das técnicas desportivas, estimulando o pensamento tático, Paes & Oliveira (2004). Ainda segundo Müller (2009) antes de aprender a jogar voleibol ou qualquer outro esporte, a criança deve trabalhar com habilidades motoras e capacidades físicas gerais.

    Paes (1989) pontua que, no processo evolutivo, essa fase- participação de atividades variadas de caráter recreativo- visa à educação do movimento, buscando-se o aprimoramento dos padrões motores e do ritmo geral por meio das atividades lúdicas ou recreativas. Ainda segundo Paes & Oliveira (2004) as crianças encontram-se favorecidas, aproximadamente entre os 7 e os 10 anos, em função da plasticidade do sistema nervoso central, e as atividades devem ser desenvolvidas sob diversos ângulos: complexidade, variabilidade, diversidade e continuidade durante todo o processo de desenvolvimento.

    A educação física escolar tem função primordial nesta fase, pois através da mesma se tem um aumento da quantidade e das qualidades das atividades, onde o foco e o melhoramento das capacidades motoras e físicas, auxiliando no aprendizado das demais fases.

    Fase da Iniciação Esportiva II

    Esta fase é marcada por oportunizar os jovens o aprendizado de várias modalidades esportivas, atendendo as crianças e adolescentes da 5ª a 7ª séries do ensino fundamental, com aproximadamente de 11 a 13 anos, correspondendo a primeira idade puberal.

    Segundo Paes & Oliveira (2004) a importância da diversificação, ou seja, da prática de varias modalidades esportivas contribui para futuras especializações. Ainda segundo os autores supramencionados, a diversificação dos conteúdos de ensino de uma modalidade, evitando todavia, a repetição dos mesmos, repetição esta que leva à estabilização da aprendizagem, empobrecendo o repertório motor dos praticantes.

    De acordo com a literatura os iniciantes devem participar de jogos e exercícios advindos de esportes específicos e de outros, que auxiliem a melhora de sua base multilateral e no preparo com base diversificada pára o esporte escolhido.

    Para Weineck (1991) Esta fase além de ser ótima para aprender, no qual as diferenças em relação à fase anterior são graduais e as transições são contínuas, as capacidades coordenativas dão base para futuros desempenhos.

    Nesta fase o tempo dedicado ao treinamento segundo Gomes (1997) gira em torno de 300 a 600 horas anuais, dos quais apenas 25 % do tempo é dedicado a conteúdos específicos e 75% aos conteúdos da preparação geral.

    Segundo Paes & Oliveira (2004) nesta fase a escola é o melhor local para a aprendizagem, pois são inúmeros os motivos no qual crianças e adolescentes procuram o desporto, entre eles: encontrar e jogar com outras pessoas da mesma idade, diversão, aprender a jogar, e na escola ainda o professor terá o controle da freqüência e da idade dos alunos, facilitando as intervenções pedagógicas.

    Fase da Iniciação esportiva III

    Segundo os autores neste momento do processo, esta fase corresponde à faixa etária de 13 a 14 anos, ás 7ª e 8ª séries do ensino fundamental, passando os atletas-alunos pela pubescência, nesta fase ocorrem o refinamento das habilidades aprendidas até então.

    Automatização e refinamento da aprendizagem anterior

    De acordo com Gallahue apud Paes & Oliveira (2004) nesta fase acontece a passagem do estágio de aplicação para estabilização, a qual ficará o resto da vida. De acordo com Stallings apud Paes & Oliveira (2004) a automatização se refere a persistência da proficiência em uma habilidade depois de um período sem prática, sendo assim a habilidade motora pode ser considerada aprendida quando ela é incorporada ao acervo motor da criança. Para Weineck (1999) a automatização de uma habilidade motora permite ao aluno se concentrar não no mecanismo da execução da mesma, mais sim nas situações onde elas deverão ser executadas.

    Nesta fase é comum iniciar-se a especialização em uma modalidade, sendo importante que os jovens decidam por conta própria este momento.

    Especificidades de cada fase

    Segundo Müller (2009) cada fase tem suas especificidades no processo de ensino aprendizagem:

    Fase I. Desenvolvimento básico segundo Müller (2009)

    Objetivos


    -motivar as crianças a gostarem de voleibol;

    -adquirir habilidades básicas dos fundamentos;

    -iniciação as táticas coletivas e individuais;

    -desenvolver espírito de equipe e respeito pelos colegas, árbitros e adversários;

    -diversão e participação são o que mais importa;

    -jogar uma grande variedade de jogos modificados;

    -Reconhecer as regras básicas.

    Técnicas


    -ensinar a mecânica das técnicas básicas;

    -processo evolutivo;

    -posição expectativa/ deslocamentos;

    -toque;

    -recepção/Manchete;

    -saque por baixo

    -ataque (passada e movimentos de braços).

    Tática


    -introdução ás táticas básicas;

    -postura e movimentação dentro da quadra;

    -formação básica (6x0)

    -tática de equipe (sistemas básicos)

    -recepção, ataque e defesa

    -regras básicas.

    Habilidades de jogo


    -jogos pré-desportivos: mini vôlei, 1x1, 2x2, peteca, etc.;

    -participar em competições (objetivos educacionais);

    -experimentar a alegria de jogar dentro dos fundamentos e situações de jogo;

    -usar as habilidades dos fundamentos aprendidos de forma bem executada;

    -transição ao voleibol regular.

    Físico


    -coordenação motora geral;

    -desenvolver velocidade, agilidade e tempo de reação;

    -corrigir e aprimorar deslocamentos e saltos.

    Psicológico


    -introduzir técnicas de treinamento mental;

    Motivação

    Concentração

    Percepção

    -ensinar/preparar o jogador para vencer e perder.

    Geral


    -Definição do “espírito de equipe”;

    -comunicação eficiente entre colegas e técnico.

    Sessões


    -3 vezes por semana;

    -treinos de no máximo 90 minutos;

    Treinos de deslocamento e coordenação.



    Fase II. Aperfeiçoamento

    Objetivos


    -aperfeiçoamento das técnicas simples e aprendizado das técnicas mais complexas;

    -desenvolvimento da condição física geral;

    -ensinar táticas fundamentais;

    -polimento dos fundamentos;

    -adicionar algumas habilidades complementares;

    -Individualizar o treinamento técnico, físico e treino continuado para todas as posições.

    Técnicas


    -aperfeiçoamento das técnicas básicas

    -introduzir novas técnicas;

    -saque por cima;

    -levantamento, todas as posições, saltando;

    -bloqueio simples e duplo;

    -defesa em queda e em extensão;

    -ataque: variações de ataques e alvos.

    Tática


    -individual;

    -analise e percepção da ação do oponente

    -equipe

    -formação básica de ataque e defesa;

    -formação de percepção do saque.

    Habilidades de jogo


    -principais sistemas de jogo;

    -apitar para aprender as regras;

    -participação em competições (objetivos formativos).

    Físico


    -desenvolvimento das capacidades aeróbicas e anaeróbicas, velocidade, agilidade, tempo de reação;

    -treinos de resistência, pliometria e flexibilidade.

    Psicológico


    -melhorar as habilidades psíquicas;

    -concentração;

    -motivação;

    -percepção;

    Imaginação.

    Geral


    -cooperação e responsabilidade com a equipe.

    Sessões


    -3 a 5 treinos por semana;

    -treinos de 90 a 120 minutos;

    -treinos específicos de tática.



    Fase III. Especialização

    Objetivos


    -aperfeiçoamento das técnicas e táticas individuais;

    -treinamento em posição específica, dentro da técnica, tática e preparação física exigida para a posição;

    -individualizar o treinamento técnico e tático;

    Condicionamento físico específico para cada posição/jogador.



    Técnicas


    -refinamento dos detalhes técnicos;

    -consolidação das técnicas;

    -variações: saque/viagem

    -novas técnicas coletivas;

    -bloqueio duplo e triplo;

    -variações e combinações de ataque;

    -levantadores: habilidades e criatividade;

    - determinar funções

    -passadores;

    -levantadores;

    -atacantes: pontas, meios, saídas/opostos, fundo

    -bloqueadores: extremas e meio;

    -especialistas em defesa e passe;

    -líbero;

    -passadores.



    Táticas


    -melhor escolha de uma resposta motora;

    -treino tático avançado;

    -formação de equipe e combinações táticas;

    -sistema de jogo completo:

    Sistema de ataque e contra-ataque

    Sistema de cobertura de ataque

    Sistema de recepção

    Sistema de bloqueio

    Sistema de defesa

    Habilidades de Jogo


    -voleibol com aplicações técnicas e táticas de maneira correta;

    -participação em competições (objetivos competitivos)

    -identificação/entendimento pelos jogadores dos sistemas de jogo;

    -conhecimento geral das regras.



    Físico


    -desenvolver capacidades físicas específicas ao voleibol e à posição;

    -pliometria e velocidade;

    -grande flexibilidade, braço rápido e força.

    Psicológico


    -desenvolver e manter uma atitude positiva;

    -concentração;

    -motivação, percepção e imaginação;

    -traçar objetivos de carreira.


    Geral


    Dinâmicas sociais de grupo

    Sessões


    -4 a 8 treinos por semana;

    -treinos de 60 a 180 minutos;

    -treinos físicos em separado.

    Esta não é uma fórmula pronta a ser seguida, mais sim um norte para onde conduzir e sistematizar o planejamento da iniciação ao voleibol levando em conta os vários aspectos apresentados.

    Seqüência pedagógica

    Segundo Bojikian (2005) seqüência pedagógica é um procedimento metodológico pelo qual um determinado movimento é ensinado em partes e estas vão sendo associadas entre si progressivamente. Ensina-se um fragmento de habilidade motora, que uma vez aprendido, a ele será conectado um outro elemento, depois outro, até que se tenha a execução completa. Stallings apud Bojikian (2005) afirma que : a cada estágio sucessivo da habilidade motora, a nova habilidade é construída sobre aprendizagens anteriores. Magill (1998) chama este processo de transferência de aprendizagem, aonde a influência da experiência anterior no desempenho de uma nova habilidade num novo contexto ou na aprendizagem de uma nova habilidade. Esta transferência pode ser positiva, quando melhora a qualidade de desempenho de uma habilidade devido a experiência anterior, ou negativa, quando a experiência prévia foi negativa de modo que a pessoa apresenta um desempenho pior do que teria sem a experiência prévia.

    Jogos Pré-desportivos e a iniciação do voleibol

    Os jogos pré-desportivos são muito importantes na iniciação do voleibol, principalmente na fase I da iniciação, aonde o principal objetivo é desenvolver além das capacidades físicas e coordenativas, o gosto pela prática do esporte em questão. Segundo Müller (2009) o gosto pelo jogo é fundamental para a manutenção do atleta no esporte, sendo a maior motivação para o aprimoramento das exigências técnicas, táticas, e físicas.

    Existem diversos jogos pré-desportivos, como por exemplo: mini-volei, peteca, câmbio, jogo dos quatro cantos. Iremos tratar mais a fundo do mini-volei.

    Segundo Gotsch apud Konnor Quadros & Gordia (2007) o mini-volei é um método simples e adaptado ás necessidades das crianças de 8 à 14 anos, para o aprendizado do voleibol, jogando em duas equipes compostas de menos de 6 jogadores em cada time, resultante de reflexões didáticas onde as ações complexas se reduzem a situações de jogos simplificados, correspondente ao estado de desenvolvimento dos jogadores. Ainda segundo Konnor Quadros & Gordia (2007) apesar das vantagens do mini-volei para o desenvolvimento das crianças de 8 a 14 anos são poucas as escolas que utilizam esta prática esportiva, fato este que acare ta tanto em prejuízos ao desenvolvimento dos alunos/atletas.

    Fases do mini-volei

    Fase um, 1x1

    Nesta fase a criança se familiariza com a bola, a quadra , a rede, ensinando as posturas básicas e movimentação na quadra; segurando, arremessando, lançando e rolando diferentes tipos de bola (plástico, borracha, vôlei, futebol, etc.) praticando diferentes tipos de pequenos jogos para desenvolver qualidades físicas como velocidade, agilidade, força e reação (Santos, 1999).

    Fase dois, 2x2

    São ensinados os princípios de formação inicial, movimentos de acordo com as situações de jogo, cooperação com o colega, observação do oponente e posicionamento da quadra, bem como contínuo desenvolvimento de preparação física básica, através de movimentos rápidos em direção a bola saltos e deslocamentos de diferentes formas (Santos, 1999).

    Fase 3, 3x3

    Nesta fase o objetivo é a aquisição de gestos técnicos básicos: toque, manchete, saque por baixo, ataque em toque, bem como estimular situações que são exigidas no voleibol.

    Fase 4, 4x4

    Introdução do bloqueio e da defesa, melhora dos fundamentos e habilidades técnicas e táticas, aperfeiçoamento em todos os fundamentos, novas variações. Na preparação física, continuação da preparação física geral e o aperfeiçoamento de todas as habilidades relativas aos fundamentos. (Santos, 1999).

    No mini-volei todos os jogadores atacam, defendem, levantam, evitando assim uma especialização precoce, algo que deve ser evitado ao máximo tendo em vista que a mesma acarreta em estabilização do desenvolvimento motor.


    Considerações finais

    Fica claro ao fim deste estudo que inúmeras perguntas continuam sem resposta e que novos estudos desta natureza devem ser feitos sob diversos enfoques, e que debates acerca deste tema devem acontecer sempre que plausível. Fica claro porém que algumas metodologias devem ser seguidas, como por exemplo jogos pré-desportivos na fase I (7 a 10 anos) com uma aprendizagem aberta, na fase 2, a aprendizagem deve ser parcialmente aberta, proporcionando aos jovens o maior número possível de vivências motoras, buscando uma base multilateral para a fase III, onde ocorre o refinamento das aprendizagens anteriores. Também fica claro ao fim deste estudo que o técnico ou professor, devem ter um conhecimento contextual, sempre priorizando por conhecimentos técnicos e científicos, tanto em sua prática de ensino como em seu planejamento e estruturação.

    Fonte

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  • quinta-feira, 23 de junho de 2011

    O que acontece com o ácido lático e como é o processo de sua remoção?

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  • O ácido lático é removido do sangue e dos músculos durante a recuperação após um exercício exaustivo. Em geral, são necessários 25 minutos de repouso para remover a metade do ácido lático acumulado.

    A fadiga surge após os exercícios nos quais se acumularam quantidades máximas de ácido lático, a recuperação plena implica na remoção desse ácido tanto do sangue quanto dos músculos esqueléticos que estiverem ativos durante o período precedente de exercícios.

    Em geral pode-se dizer que são necessários 25 minutos de repouso-recuperação após um exercício máximo para se processar a remoção de metade do ácido lático acumulado, isso significa que cerca de 95% do ácido serão removido em 1 hora e 15minutos de repouso, após um exercício máximo.

    O termo repouso-recuperação se dá pelo fato que o ácido lático é mais velozmente removido se a recuperação ativa em baixa intensidade for empregada após o exercício, do que se o individuo permanecer em repouso (inativo) logo após o exercício.

    Durante um exercício submáximo, porém árduo, no qual o acúmulo de ácido lático não é tão grande, será necessário menos tempo para sua remoção durante a recuperação.

    Em condições aeróbias, o ritmo de remoção do lactato por outros tecidos correspondentes ao seu ritmo de formação, resultando na ausência de qualquer acúmulo efetivo de lactato, isto é, a concentração sanguínea de lactato se mantêm estável. Somente quando a remoção não mantém parelismo a produção, o lactato acumula-se no sangue.

    Existem 3 destinos possíveis para o ácido lático

    - Excreção na urina no suor - sabe-se que o ácido lático é excretado na urina e no suor. Entretanto, a quantidade de ácido lático assim removido durante a recuperação após um exercício é negligencial.

    - Conversão em glicose e/ou glicogênio - já que o ácido lático é um produto da desintegração dos carboidratos (glicose e glicogênio), pode ser transformado de novo em qualquer um desses compostos no fígado, na presença de energia ATP necessária, contudo, e como já dissemos, a ressintese do glicogênionos músculos e no fígado é extremamente lento, quando comparado com a remoção do ácido lático. Além disso, a magnitude das alterações nos sanguíneos de glicose durante a recuperação também é mínima, portanto, a conversão do ácido lático em glicose e glicogênio é responsável apenas por uma pequena fração do ácido lático removido.

    - Oxidação / conversão em Co2 e H2o, o ácido lático pode ser usado como combustível metabólico para o sistema do oxigênio, predominantemente pelo músculo, porém o músculo cardíaco, o cérebro, o fígado e o rim também são capazes dessa função. Na presença de oxigênio o ácido lático é transformado primeiro em ácido pirúvico, e a seguir em Co2 e H2o no ciclo de krebs e no sistema de transporte de elétrons, respectivamente. É evidente que o ATP é ressintetizado em reações acopladas no sistema de transporte de elétrons.

    http://www.jefersonporto.com.br/wp-content/uploads/2008/05/exercise.gif

    O uso de ácido lático como combustível metabólico para o sistema aeróbio é responsável pela maior parte do ácido lático. É fornecida pelo oxigênio consumido durante a fase de recuperação lenta (intensidade de trabalho abaixo de 60% do Vo2).

    Como podemos lidar com o ácido atiço e o que fazer para sustentar a intensidade do exercício na presença dele.

    A capacidade de gerar altos níveis sanguíneos de lactato durante um exercício máximo aumenta com o treinamento anaeróbio especifico de velocidade-potência e, subseqüentemente, diminui com um mau condicionamento.

    A manutenção de um baixo nível de lactato conserva também as reservas de glicogênio, o que permite prolongar a duração de um esforço aeróbio de alta intensidade.

    Foi observado em pesquisas que, a elevação dos níveis de lactato nos indivíduos treinados quando exercitados agudamente foi significativamente menor que a observada nos sedentários. Tais resultados reproduzem os achados clássicos descritos na literatura, o que nos permite avaliar como eficazes, tanto na intensidade do exercício agudo na determinação de modificações no metabolismo energético, quanto a protocolos de treinamento físico na produção de adaptações orgânicas.

    Em outras palavras, treinar para aumentar o limiar anaeróbio.

    Fonte

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  • domingo, 19 de junho de 2011

    Questões sobre treinamento físico no Futebol

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  • Sem dúvida nenhuma o esporte mais popular no mundo inteiro é o futebol capaz de despertar desde os mais nobres sentimentos do ser humano arrancando lágrimas e sorrisos, paixão e ódio transformando jogadores em ídolos que numa partida pode também ir do céu ao inferno numa única jogada. Quando todos torcem por um único time como é o caso da Copa do Mundo é capaz de unir uma nação.

    Cada vez mais competitivo o futebol na mesma proporção exige valências físicas cada vez mais apuradas de acordo com a posição ocupada no campo onde cada jogador torna-se especialista. Em função disso o treinamento físico passou a ser diferenciado, mas a capacidade aeróbia e a força física de todos continuam a ser as valências mais importantes para suportar uma partida decisiva por 90 minutos ou mais.

    Pela sua complexidade é o esporte que mais atrai investimento sendo excelente meio de comunicação, educação e aplicação da ciência dando mais oportunidades para preparadores físicos, nutricionistas, médicos, fisioterapeutas, psicólogos entre outros da área de saúde.

    O futebol ao longo dos anos passou por profundas mudanças tanto nas regras como na forma de jogar sempre visando aprimorar a defesa o ataque e a marcação na tentativa de surpreender os adversários. Cada treinador tem as suas preferências na hora de posicionar seus jogadores em campo que pode mudar também em função do adversário. Quem não se lembra da seleção holandesa em 1974 que para dificultar a marcação adversária tentou inovar com seus jogadores mudando sempre de posição, o chamado carrossel holandês que, no final das contas acabou não dando em nada? A Noruega em 1998 tentou um 4x5x1 com uma forte marcação formando um paredão no meio tentando sempre um perigoso contra-ataque.

    Para que tudo isso funcione tornou-se necessário a existência de jogadores especialistas em cada função e preparador físico igualmente especialista em treinamento científico adequado a cada jogador. De posse de testes e gráficos o preparador analisa os resultados e aplica novos treinamentos de tal forma que hoje não adianta só ter talento sem ter força, velocidade e muita resistência. Dessa forma não dá para imaginar um jogador encantar a multidão sem treinar da forma que quer jogar. Estrelas têm que treinar tanto ou mais que os outros e não se admite mais como de vez em quando presenciamos nos campeonatos regionais certos jogadores pleiteando mordomias para não treinar e/ou chegar atrasado nos treinos. A competição moderna depende diretamente da preparação porque o futebol agora, como se diz no popular é “pegado”. Os tempos de Garrincha e Pelé eram outros e se davam ao luxo de ter vida social intensa.

    O futebol se caracteriza por atividade intervalada onde o jogador corre para receber um lançamento e o adversário corre para interceptá-lo, logo depois dá uma parada enquanto a bola volta para o ouro lado do campo. Entretanto esse breve intervalo é imprevisível como também é imprevisível a mudança de direção com a bola nos pés. Corre, pára, dribla, volta, corre em outra direção o mais rápido possível. A especificidade das tarefas têm sido crescente e hoje vemos atacantes com funções de ter que voltar para buscar a bola, meio-campistas ofensivos, volantes defensivos, laterais cobrindo um dos lados do campo e apenas os zagueiros e o goleiro com funções bem distintas, mas mesmo assim existem zagueiros com capacidade de em determinados momentos partirem rapidamente ao ataque e goleiros que batem faltas e pênalti muito bem tendo que voltar o mais rápido possível para as suas posições. Daí surgiu estudos mostrando quantos quilômetros correm cada jogador e a que velocidade de acordo com a função durante uma partida com seus 90 minutos identificando o desenvolvimento da capacidade aeróbia e anaeróbia de cada um. Na média os laterais e meio-campistas são os mais exigidos em campo tendo que correr muito e rápido, mas ainda assim a base do treinamento continua ser a capacidade aeróbia. Só não dá para prever, devido os milhares de dólares que o futebol movimenta no mundo, os acordos políticos e as “marmeladas” que possam surgir durante um campeonato mundial já presenciada em outras edições como, por exemplo, dois times combinarem um empate para eliminar um terceiro ou um time estranhamente perder de 6 a 0 numa semifinal para eliminar um favorito.

    Para Refletir: Tudo na vida é relativo. Na guerra se matamos muita gente somos condecorados herói. Numa briga de trânsito se matamos uma pessoa somos condenados assassino. (Moraes 2010)

    Sobre a Ética: Dizem que a melhor expressão de felicidade é o orgasmo. Então quem tem orgasmo todo dia é feliz, quem tem de vez em quando é mais ou menos feliz, quem nunca tem é infeliz. (Moraes 2010).

    Cartas para: lcmoraes@compuland.com.br



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  • quinta-feira, 16 de junho de 2011

    O que é Macrocilclo, mesociclo e microciclo?

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    O conceito de periodização no treinamento foi revelado originalmente em 1972 por um cientista russo e incorporado nos esquemas de treinamento para atletas, tanto novatos quanto de elite. A idéia de periodização consiste em subdividir um período específico de treinamento (macrociclo) em períodos menores ou fases (mesociclos), com cada mesociclo sendo separado novamente em microciclos semanais.

    O fracionamento do macrociclo em suas partes componentes tem por finalidade manipular a intensidade do treinamento, o volume, a freqüência, as séries, as repetições e os períodos de repouso (para prevenir o supertreinamento) e alterar a variedade das sessões de treino. Espera-se com isso uma redução de quaisquer efeitos negativos do treinamento e culminar em um desempenho máximo do indivíduo ao final do período do macrociclo.

    Macrociclo

    Representa a organização de todo o treinamento que será desenvolvido em um determinado período de tempo. A estruturação desse período de treinamento obedece a um plano de expectativas e, geralmente, encerra-se num ponto máximo de performance (peak) do individuo.

    Dividi-se em fase de preparação, que abrange duas etapas: uma básica (ou de base) e outra específica (ou de especialização). Visando proporcionar um condicionamento da aptidão do individuo que permita-o alcançar “performances máximas” em etapas mais avançadas do treinamento; na fase básica trabalha-se com maior volume e menor intensidade, visando desenvolver a resistência aeróbia, a resistência muscular localizada, a resistência da força estática, a flexibilidade, etc.; já na fase específica diminui-se o volume e aumenta a intensidade, uma vez que o objetivo do treinamento é dar ênfase na resistência anaeróbia, na força dinâmica, estática e explosiva. Além também, de se proporcionar a manutenção dos ganhos, das qualidades físicas, obtidos na fase básica.

    Período de Performance, ou de competição, é o período onde se atinge o auge da performance do indivíduo, onde se reduz o volume e a intensidade (em 20 a 30%) do treinamento visando o “polimento final” da condição atlética, a performance máxima.

    Período de transição, que é o final do macrociclo, e situa-se entre o período de competição e reinicio de um novo ciclo de treinamento (macrociclo). Sua função principal é promover uma recuperação total do individuo em função dos exigentes esforços a que foi submetido nas fases anteriores do treinamento.

    Mesociclo

    Um macrociclo é composto de vários mesociclos (no mínimo quatro). Um mesociclo é formado por vários microciclos – normalmente de três a seis (Dantas, 1985).

    Esse ciclo de treinamento encontra-se intimamente correlacionado aos princípios da sobrecarga e da interdependência volume-intensidade, com vistas a proporcionar a aplicação de cargas crescentes com respectiva recuperação, visando progressos na performance.

    Microciclo

    É o menor ciclo de treinamento. Normalmente possui a duração de sete dias, coincidindo com o período de uma semana.

    Observamos nessa etapa a alternância de intensidade das cargas de treinamento. Dependendo da etapa do treinamento e da qualidade física desenvolvida essa composição de intensidades vai variar. O importante a destacar é que essa variação das cargas de trabalho é que vai proporcionar as adaptações fisiológicas que objetivamos naquele momento. A manutenção de cargas sempre fortes poderá levar a um estado de supertreinamento (overtraining), já a manutenção de cargas de trabalho sempre fracas não proporcionará os benefícios que desejamos, caracterizando uma estagnação do treinamento.

    Assim sendo, devemos variar os estímulos de forma que haja um estímulo, uma adaptação ao estímulo e conseqüente recuperação para podermos dar um novo estimulo, isto para não gerar fadiga por estímulos fortes consecutivos.

    Fonte

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  • domingo, 12 de junho de 2011

    Periodização esportiva: macrociclo de treinamento no voleibol

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    Citius, Altius, Fortius! Criado na Grécia antiga, o lema do mundo esportivo mostra claramente que desde aquela época o objetivo máximo de um atleta ou equipe gira em torno da quebra de recordes, superação dos limites (pessoais ou coletivos), busca pelo sucesso (ser campeão!), etc. Para BENTO (2004, p. 51) “o lema do desporto é afinal o da vida e de todas as formas de lhe dar sentido e significado”.

    No entanto, para que se atinja o sucesso idealizado, seja no mundo esportivo ou em qualquer outra área da atividade humana, é necessário anos de preparação e planejamento sistematizado, que no caso do esporte estão fundamentados nos conhecimentos científicos a cerca do desempenho físico, psicológico e motor dos atletas, além dos conhecimentos adquiridos na prática cotidiana do treinador, sem esquecer que também é preciso muita dedicação e entrega por parte do atleta e, de todos os envolvidos no processo.

    Desta forma, a partir da década de sessenta, com a disseminação das teorias metodológicas de organização do treinamento desportivo desenvolvidas pelo russo L. P. Matveiev, o esporte de alto nível passa a fazer da periodização do treinamento um fator básico para a obtenção dos melhores resultados e, conseqüentemente, do sucesso esportivo (VERKOSHANSKI, 1998). Vale lembrar, também, que já na Grécia antiga havia uma preocupação dos atletas em organizar os seus treinamentos de forma adequada e coerente, com as distribuições das cargas de trabalho visando sempre à maximização do seu rendimento atlético (CERVERA e GRANELL, 2003).

    A partir da década de 1970, e principalmente começo dos anos 80, o treinamento esportivo com ênfase na criança e no adolescente vem assumindo papel de destaque nas discussões, seminários, congressos e outros eventos que envolvem os profissionais do esporte (BARBANTI e TRICOLI, 2004). De forma bem sintética, podemos dizer que estes debates quase sempre giravam, e ainda giram, em torno da questão: formar versus especializar; chegando quase que invariavelmente a conclusão que o mais adequado é propiciar a criança e ao adolescente que praticam uma modalidade esportiva uma formação com a maior abrangência possível, tendo como objetivo básico o amplo desenvolvimento de um leque de habilidades e capacidades físicas e motoras, que lhe serão benéficas em um provável alto rendimento desportivo.

    A importância de uma vivência esportiva para uma criança, e/ou adolescente, já está mais do que comprovada e difundida entre pais, escolas, clubes e autoridades responsáveis por cuidar do bom desenvolvimento sociocultural destes indivíduos. Conforme coloca DE ROSE JR., apud FERRAZ, 2002 e MESQUITA, 1997, “ela [a vivência esportiva] faz parte do processo formativo e educativo da criança, promovendo valores relativos ao ‘saber ser’ (autodisciplina e controle), ao ‘saber estar’ (respeito mútuo, companheirismo, espírito de equipe) e ao ‘saber fazer’ (aquisição de habilidades motoras gerais e específicas)” (2004 p. 254). De acordo com WEINECK (2000; 2003), para que atinjam um desenvolvimento harmônico, nos que concerne aos aspectos psicofísicos, às crianças necessitam de uma dose adequada de movimento, que é conseguida através da prática esportiva bem orientada e supervisionada.
    Contudo, para que os benefícios advindos da prática esportiva sejam atingidos, é preciso que o trabalho realizado com as crianças e com os adolescentes esteja muito bem sistematizado e amparado no conhecimento que a ciência dispõe sobre os métodos de trabalho para estas idades, de acordo com suas particularidades de desenvolvimento, crescimento e aprendizagem.

    Portanto, o cuidado com a intensidade, o volume e o tipo de treinamento, assim como a atenção mais enfática no aprendizado do aluno e não com seu desempenho imediato deve ser o guia norteador de qualquer tipo de trabalho neste estágio de desenvolvimento de todo indivíduo envolvido com a prática desportiva, isto é, durante a infância e a adolescência a prática desportiva deve ser caracterizada pela multilateralidade das atividades, onde o aluno seja levado a descobrir, a cada momento, novas possibilidades de movimentos além de proporcionar uma melhora nas suas relações cognitivas, afetivoemocionais e psicossociais.

    Veja o artigo completo clicando aqui

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  • quarta-feira, 8 de junho de 2011

    Treinamento físico em Handebol

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  • A periodização é a formulação de um projeto detalhado de preparação, embasado nos princípios científicos do treinamento desportivo, levando em consideração o desporto e as diferentes qualidades ou capacidades físicas nele implícitas e a serem treinadas, o sexo e a idade dos praticantes bem como seu nível anterior de preparação, para de acordo com objetivos preestabelecidos obter o melhor rendimento desportivo.


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    O principal objetivo do treinamento é fazer com que o atleta atinja um alto nível de desempenho em dada circunstância, especialmente durante a principal competição do ano com uma boa forma atlética (Bompa, 2001).

    Considerando que as faixas etárias entre 14 e 15 anos, que é considerada categoria "Cadete", e 16 e 17 anos, considerada categoria "Juvenil" pela Confederação Brasileira de Handebol, devemos observar as características destes atletas, que ainda se encontram em idade escolar, onde muitas vezes acumulam funções como freqüência em cursos, jornada de trabalho, entre outras condições que possam intervir em um programa de treinamento. Não havendo, portanto, um direcionamento metodológico quanto à periodização de treinamento desportivo para a idade escolar ou não profissionalizado, permitindo o surgimento de metodologias aleatórias, segregadas e, muitas vezes, inadequada para esta realidade. A proposta de periodização aqui descrita tem a pretensão de assegurar uma planificação que possa ser adaptadas ainda, às situações mais comuns na nossa sociedade, e mais especificamente a realidade da Educação Física e do desporto no Brasil, visto que as principais pesquisas científicas que tratam do assunto, apresentam uma proposta de periodização apenas em nível de alto rendimento, com microciclos semanais de domingo a domingo.

    MACROCICLOS, MESOCICLOS E MICROCICLOS:

    A forma geralmente concentrada da preparação dos atletas é a organização do treinamento através de períodos e etapas. A periodização é um dos mais importantes conceitos do planejamento do treinamento. Esse termo origina-se da palavra período, que é uma porção ou divisão do tempo em pequenos segmentos, mais fáceis de controlar denominados fases (Bompa, 2001). Esta forma de estrutura do treinamento desportivo tem como seu idealizador o russo Matveiev, sendo criada nos anos 60 durante até nossos dias, e se divide em macrociclo, mesociclo e microciclo de treinamento:

    Macrociclo: Representa a organização de todo o treinamento que será desenvolvido em um determinado período de tempo. A estruturação desse período de treinamento obedece a um plano de expectativas e, geralmente, encerra-se num ponto máximo de performance (peak) do individuo.

    Mesociclo: Um macrociclo é composto de vários mesociclos (no mínimo quatro). Um mesociclo é formado por vários microciclos – normalmente de três a seis (Dantas, 1985).

    Microciclo: É o menor ciclo de treinamento. Normalmente possui a duração de sete dias, coincidindo com o período de uma semana.

    A montagem de nosso macrociclo foi idealizada em função do semestre escolar, ou cinco meses, não se incluindo o período de férias escolares de um mês, atingindo seu "peak" no último mesociclo, onde aconteceria a competição mais importante.

    ESTRUTURAÇÃO DOS MESOCICLOS

    Um conceito alternativo de classificação dos mesociclos que é proposto por Issurin y Kaverin (1986) que diferenciam três tipos: acumulação, transformação e de realização. Sua essência radica na periodicidade e a troca da orientação preferencial do treinamento, estas trocas se conseguem alternando esses três tipos de mesociclos (Navarro, 1994). Vejamos quadro abaixo:

    PERIODIZAÇÃO DOS NÍVEIS DE APRENDIZAGEM

    Nível de treinamento ou estado de treinamento é o estado aumentado da capacidade de rendimento; compreende: aptidão física, psicológica e intelectual, técnica desportiva, preparação tática e certas qualidades psíquicas; desenvolve-se de forma contínua, enquanto o processo de treinamento não sofrer interrupções e as exigências do treino respeitarem a capacidade individual do atleta. No intuito de valorizar a importância da heterogeneidade no nível de aprendizagem presente no treinamento do handebol, podemos dividir quatro níveis básicos de aprendizagem:

    1.Iniciantes

    2.Iniciados

    3.Intermediários

    4.Alto nível (Não abordado em nossa pesquisa)

    A existência desses diferentes níveis indica a necessidade de direcionar a uma metodologia também diferenciada. Assim sendo, os meios utilizados foram divididos em três campos de ação e assim adaptados para o handebol:

    a)Meios de caráter geral – exercícios básicos e fundamentais: São os que procuram desenvolver o potencial do atleta, formando base para futura especialização.

    b)Meios de caráter direcionado – exercícios direcionados: Caracteriza-se por atividades voltadas à especificidade dos movimentos, e visam a realização dos comportamentos executados em jogos e competições.

    c)Meios de caráter especial – exercícios especiais: Reproduz uma forma específica, com o objetivo de obter a união de todo o acervo motor, para o desenvolvimento de movimentos técnicos presentes em circunstancia de competição.

    FUNDAMENTOS BÁSICOS DO HANDEBOL

    Para se projetar o treinamento, deve-se ter conhecimento do desporto, principalmente das qualidades técnicas e físicas envolvidas e metabolismo energético correspondente a modalidade, este conhecimento é determinado pelajogabilidade e pelos fundamentos básicos, para direcionar nosso estudo, enumeramos de forma pedagogicamente hierarquizada os principais fundamentos básicos no handebol:

    1. Recepção - é a ação específica de receber, amortecer e reter a bola de forma adequada nas diferentes posições e situações em que o jogador for solicitado.
    2. Passe - é a ação de enviar e dirigir a bola ao companheiro, de forma correta, para facilitar a próxima ação. O passe e a recepção são técnicas utilizadas pelos jogadores na preparação da finalização, ou seja, na colocação de um companheiro em condições favoráveis de arremessar a bola em direção ao gol adversário.
    3. Arremesso - é a ação de enviar a bola em direção ao gol adversário, aplicando um forte impulso (força) na mesma, para dificultar a ação do goleiro, procurando que ela adentre ao gol, tendo como objetivo, assim, a marcação de um gol.
    4. Progressão - é a ação de deslocar-se na quadra, movimentando-se de um lugar a outro, de posse da bola, obedecendo as regras do jogo no que diz respeito ao manejo da bola.
    5. Drible - é a ação de impulsionar e dirigir a bola em direção ao solo, uma ou mais vezes, sem perder o controle da mesma. O drible serve para progredir na quadra ou reter a bola em situação especial.
    6. Finta - é a ação que o jogador realiza, de posse de bola, para dirigir os movimentos do defensor numa direção falsa, desviando a sua atenção da própria real intenção, causando-lhe o desequilíbrio. A finta tem como objetivo enganar e passar pelo adversário além de desorganizar a defesa.

    Relacionando o nível de treinamento do atleta aos campos de ação e aos fundamentos básicos, poderemos dizer que a prioridade do treinamento deve seguir esta progressão:

    QUADRO 1: Ordem de prioridade de treinamento dos fundamentos básicos

    ORDEM

    NÍVEL DE

    TREINAMENTO

    CAMPO DE AÇÃO

    FUNDAMENTO A SER PRIORIZADO

    Iniciantes

    Exercícios Básicos e Fundamentais

    Passe

    Recepção

    Iniciados

    Exercícios Direcionados

    Arremesso

    Progressão

    Intermediários

    Exercícios especiais

    Drible

    Finta

    QUALIDADES FISICAS EXIGIDAS EM UM JOGO DE HANDEBOL

    Resistência

    §Resistência Muscular: Existem dois tipos de resistência muscular: a muscular geral e a muscular localizada.

    §A resistência muscular geral: refere-se a mais de um sétimo a um sexto da musculatura esquelética total, e é limitada pela capacidade dos sistemas respiratório e cardiovascular e pelo fornecimento de oxigênio. Esta resistência muscular geral é expressa em função do consumo máximo de oxigênio.

    §A resistência muscular localizada: refere-se a menos de um sétimo ou um sexto da musculatura esquelética total e é, paralelamente à resistência geral, determinada em grande parte pela força específica, pela capacidade anaeróbica e pelas formas limitantes da força como resistência de velocidade, resistência de força e resistência de força rápida, bem como pela especificidade das disciplinas para a coordenação neuromuscular. Em suma, a resistência muscular localizada é a capacidade que um músculo tem de realizar o maior número possível de movimentos em uma unidade de tempo.

    §Resistência aeróbica : Atua sob o ponto de vista da mobilização energética para o músculo. Na resistência aeróbica há oxigênio suficiente para a queima oxidativa de substâncias energéticas. São estímulos de média (2 a 8 minutos) e de longa duração (acima de 8 minutos) utilizando energia da glicose e dos ácidos graxos.

    §Resistência anaeróbica alática: Mobilização energética sem utilização do oxigênio, em um espaço de tempo de 0 a 10 segundos, utilizando o fosfogênio como fonte de energia imediatamente disponível para o músculo.

    §Resistência anaeróbica lática: São estímulos de 10 segundos a 2 minutos, utilizando a quebra do glicogênio muscular com rapidez com uma taxa respectivamente alta de formação de lactato.

    Força

    §Força dinâmica: Força que o sistema neuromuscular pode desenvolver por uma contração voluntária dentro de uma determinada seqüência de movimentos.

    § Força explosiva: Definição: Capacidade de desenvolver uma força num curto intervalo de tempo. A força explosiva depende da velocidade de contração das unidades motoras das fibras musculares. (f. exp. força X velocidade)

    Velocidade:

    §Velocidade de movimento: É a capacidade de efetuar ações motoras num espaço de tempo mínimo; depende da mobilização dos processos nervosos, da explosão, elasticidade e relaxamento musculares, qualidade da técnica desportiva, força de vontade e mecanismos bioquímicos.

    §Velocidade de reação: Capacidade de reagir a um estímulo num menor espaço de tempo. É uma forma de velocidade pura e depende do sistema nervoso central e de fatores genéticos.

    §Coordenação: Também ligada diretamente ao sistema nervoso central, capacitam o atleta para ações motoras em situações previsíveis (estereótipos) e imprevisíveis (adaptação) e para o rápido aprendizado e domínio de movimentos no esporte, fazendo com que os mesmos sejam executados com economia e precisão.

    §Agilidade: Capacidade que o atleta tem em mudar de direção e sentido o mais rápido possível.

    Flexibilidade

    §Flexibilidade: Capacidade de um atleta em executar movimentos de grande amplitude, ou sob forças externas, ou ainda que requeiram a movimentação de muitas articulações.

    PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO DESPORTIVO

    Todo o trabalho desenvolvido na periodização do treinamento deve encontrar-se enquadrado nos Princípios do treinamento desportivo. Sendo assim, o valor dessa periodização assume dois papéis de grande relevância: organização de todos os estímulos de forma apropriada, em consonância com todos os objetivos previamente determinados; e proporcionar a otimização da performance através de um equilíbrio entre os esforços de treinamento e o tempo de recuperação necessário para o restabelecimento das reservas orgânicas.

    O respeito a esses princípios, proporcionará o desenvolvimento de um treinamento seguro, rápido (não confundir com rapidez, aceleração do processo; é o "tempo", correto do treinamento), e eficiente.

    Princípio da Individualidade biológica:

    Onde se baseia o principio das diferenças individuais, ou seja, somos resultado da associação do genótipo - nossa carga genética, adquirida de nossos ancestrais, principalmente dos pais - com o fenótipo - as influências que o meio-ambiente exerce sobre nós.

    Segundo Dantas (1985,24), o princípio da adaptação no treinamento tem por objetivo "quebrar", através de stresses físicos, a homeostase do organismo (estado de equilíbrio instável mantido entre os sistemas constitutivos do organismo vivo, e o existente entre este e o meio ambiente), desencadeando um processo denominado de Síndrome de Adaptação Geral (SAG). Os agentes estressantes (esforços físicos) desencadeiam a SAG em três etapas: fase de excitação, fase de resistência (que provoca adaptações ao organismo), e fase de exaustão (que provoca danos ao organismo). A periodização tem por objetivo desencadear essa SAG até a sua segunda etapa, evitando os processos de "over training", ou seja, os excessos do treinamento.

    Princípio da sobrecarga:

    Também conhecido como o principio da elevação progressiva da carga. Este principio relaciona-se às adaptações sofridas pelo organismo em conseqüência aos estímulos de treinamento (esforço físico). O aumento regular e progressivo da carga (total) de trabalho é que possibilitará a almejada melhoria de rendimento. Observa-se que essa reação do organismo é muito rápida inicialmente, tornando-se mais lenta à medida que o indivíduo atinge níveis de performance cada vez maiores e melhores.

    Dosar bem todo esse processo é fundamental, pois um período de recuperação demasiadamente longo não levará a modificações da performance, já um período de recuperação insuficiente fatalmente levará a um estado de strain(Carlyle 1967, por Tubino 1984) ou supertreinamento (Weineck 1989), evidenciando conseqüentemente sintomas de exaustão. Segundo Dantas (1985) "o processo de exaustão possui um caráter progressivo e exponencial".

    Sobre o tempo médio desse intervalo de recuperação, que inclui uma perfeita interação ente o sono (descanso) e a nutrição (alimentação), Matveíev (1981 por Gomes/ Araújo Filho 1992) preconiza um intervalo médio de 48 horas para estímulos de treinamento com altas intensidades.

    Princípio da continuidade:

    O treinamento baseia-se na aplicação de cargas crescentes, progressivamente assimiladas pelo organismo. O fator que não só proporciona como também, e principalmente, assegura essa melhora de rendimento é a continuidade do processo de treinamento, caracterizado pela alternância entre os stress crescentes (esforços físicos) e o período proporcional de recuperação.

    Princípio da interdependência volume-intensidade:

    Este princípio aborda os diferentes tipos de sobrecargas, ou seja, quando há um aumento no volume de treino ou quando o aumento se dá na intensidade o treinamento.

    Na periodização de um treinamento, a ênfase no volume (quantidade) da carga de trabalho desempenha uma função de base para aquisição de futuros resultados, por outro lado, o incremento na intensidade (qualidade) assume como propósito alcançar o "peak" (ápice do condicionamento físico).

    Princípio da especificidade:

    Este princípio, como a própria terminologia propõe, baseia-se nas particularidades, nas características específicas da atividade. Assim, todo o treinamento deve ser direcionado em função dos requisitos específicos da própria atividade escolhida, levando-se em consideração principalmente às qualidades físicas, o sistema energético predominante e a coordenação motora exigida (técnicas específicas).

    Princípio da variabilidade:

    Este princípio encontra-se fundamentado na idéia do treinamento total, ou seja, no desenvolvimento global, o mais completo possível, do indivíduo. Para isso deve-se utilizar das mais variadas formas de treinamento que incluem o estímulo de diferentes métodos, estratégias, exercícios, intensidades, tudo de acordo com os objetivos previamente estabelecidos. Quanto maior for a diversificação desses estímulos - é óbvio que estes devem estar em conformidade com todos os conceitos de segurança e eficiência que regem a atividade - maiores serão as possibilidades de se atingir uma melhor performance.

    MACROCICLOS, MESOCICLOS E MICROCICLOS:

    A forma geralmente concentrada da preparação dos atletas é a organização do treinamento através de períodos e etapas. A periodização é um dos mais importantes conceitos do planejamento do treinamento. Esse termo origina-se da palavra período, que é uma porção ou divisão do tempo em pequenos segmentos, mais fáceis de controlar denominados fases (Bompa, 2001). Esta forma de estrutura do treinamento desportivo tem como seu idealizador o russo Matveiev, sendo criada nos anos 60 durante até nossos dias, e se divide em macrociclo, mesociclo e microciclo de treinamento:

    Macrociclo: Representa a organização de todo o treinamento que será desenvolvido em um determinado período de tempo. A estruturação desse período de treinamento obedece a um plano de expectativas e, geralmente, encerra-se num ponto máximo de performance (peak) do individuo.

    Mesociclo: Um macrociclo é composto de vários mesociclos (no mínimo quatro). Um mesociclo é formado por vários microciclos – normalmente de três a seis (Dantas, 1985).

    Microciclo: É o menor ciclo de treinamento. Normalmente possui a duração de sete dias, coincidindo com o período de uma semana.

    A montagem de nosso macrociclo foi idealizada em função do semestre escolar, ou cinco meses, não se incluindo o período de férias escolares de um mês, atingindo seu "peak" no último mesociclo, onde aconteceria a competição mais importante.

    ESTRUTURAÇÃO DOS MESOCICLOS

    Um conceito alternativo de classificação dos mesociclos que é proposto por Issurin y Kaverin (1986) que diferenciam três tipos: acumulação, transformação e de realização. Sua essência radica na periodicidade e a troca da orientação preferencial do treinamento, estas trocas se conseguem alternando esses três tipos de mesociclos (Navarro, 1994). Vejamos quadro explicativo abaixo:

    QUADRO 2: Classificação dos mesociclos de treinamento

    TIPOS DE MESOCICLOS

    OBJETIVOS E TAREFAS PRINCIPAIS

    CONTEÚDOS

    Acumulação

    Elevação do potencial técnico e motor.

    Treinamento com volumes relativamente altos e intensidade moderada para a capacidade de força, resistência aeróbica, formação técnica básica e correção de erros.

    Transferência

    Transformação das capacidades técnica e motoras na preparação específica.

    Treinamento com volume ótimo e intensidade moderada, exercícios concentrados de força dentro da estrutura da técnica básica.

    Realização

    Alcances dos melhores resultados dentro da margem de preparação.

    Modelamento da atividade competitiva, intensidade máxima.

    PERIODIZAÇÃO DO TREINAMENTO DO HANDEBOL

    Os conhecimentos investigados nesta pesquisa estão sintetizados numa planificação de treinamento, o modelo proposto pode ser utilizado na preparação de equipes de handebol nas categorias cadete e juvenil, direcionando a uma metodologia que contempla ao andamento paralelo do aprendizado das qualidades motoras e das qualidades físicas exigidas na prática do handebol.

    GRÁFICO 1: PERIODIZAÇÃO SEMESTRAL DE TREINAMENTO DE HANDEBOL

    Referências Bibliográficas:

    Bompa, T. Periodização: Teoria e Metodologia do Treinamento. , São Paulo. Phorte ed, 2001.

    Forteza, A. Entrenar para ganar. Metodologia del entrenamiento deportivo, , Ed. Pila Teleña, Madrid, 1997.

    GOMES, Antonio Carlos e ARAÚJO FILHO, Ney Pereira de. Cross Training – Uma Abordagem Metodológica. Londrina, Paraná. Ed. A.P.E.F., 1992.

    POLLOCK, Michael L. e WILMORE, Jack H. Exercícios na Saúde e na Doença – Avaliação e Prescrição para Prevenção e Reabilitação. Rio de Janeiro. Medsi, 1993.

    McARDLE, William D.; KATCH, Frank I. e KATCH, Victor I. Fisiologia do Exercício – Energia, Nutrição e Desempenho Humano. Rio de Janeiro. Guanabara Koogan, 1992.

    Matveiev,L. El entrenamiento deportivo y su organizacíon. , Roma. Escuela de deportes.1990

    Navarro, Fernando V. La Resistencia., Madrid, Ed. Gymnos, 1998.

    Forteza, A. Y. A. Ranzola Bases Metodológicos del Entrenamiento Deportivo. , La Havana. Ed. Científica Técnica, 1988.

    DANTAS, Estélio Henrique M. A Prática da Preparação Física, Rio de Janeiro. Sprint. 1985.

    TUBINO, Manoel José G. Metodologia Científica do Treinamento Desportivo. São Paulo. Ibrasa, 1984.







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  • sábado, 4 de junho de 2011

    História do Treinamento Desportivo

  • Treino Funcional e Cross - Passo a Passo (em vídeo)
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    No Egito Antigo e Mesopotâmia

    As primeiras civilizações no Egito e Mesopotâmia, milênios antes dos Jogos na Grécia antiga, já tinham a tradição de atividades atléticas. Isto é comprovado por fontes literárias e iconográficas descrevendo cenas atléticas já em 3.000 a.C.


    No Egito e Mesopotâmia, o interesse por atividades atléticas ficou registrado em templos e tumbas. O esporte no Egito antigo incluía: luta, combate com varas, boxe, acrobatismo, arco e flecha, vela, jogos de bola e eventos eqüestres. Tudo indica que os eventos atléticos eram restritos aos membros das classes elevadas. Textos egípcios mostram a importância da atividade física na preparação do faraó e membros da corte.
    Os gregos pré-clássicos - micênicos e minuanos

    Além do Egito e Mesopotâmia, outras civilizações, inclusive na própria Grécia pré-clássica, já praticavam o atletismo antes dos Jogos Olímpicos.

    Os minuanos, civilização que habitava a ilha de Creta no período de 2.100 a 1.100 a.C. tinham interesse especial pela ginástica. Os afrescos indicam que as atividades atléticas eram praticadas por membros da nobreza em áreas perto do palácio.

    Na cultura minóica os touros eram muito importantes (lembrem-se da lenda do minotauro de Creta) e também faziam parte dos eventos atléticos através do salto sobre o touro. Onde os atletas realizavam saltos sobre touros vivos e provavelmente não muito amistosos!

    Outros esportes praticados pelos minóicos eram o boxe, a luta e, acrobacias. Os estudos indicam que havia um componente religioso forte nos eventos atléticos.

    Já os miocenos (1600-1100 a.C.), adotaram os esportes minóicos e acrescentaram à corrida de bigas e competições de pista. Tal qual na Creta minuana, os esportes tinham caráter religioso, porém os micênicos preferiam à luta e o boxe.
    Jogos Olímpicos da Antiguidade

    Os Jogos Olímpicos começaram em 776 a.C. em Olímpia, na Grécia antiga, e duraram por mais de mil anos. Entretanto, o evento religioso que deu origem aos Jogos é bem mais antigo podendo datar do século 13 a.C.

    Tal qual a Olimpíada moderna, os jogos eram realizados de 4 em 4 anos. Porém eles sempre aconteciam em Olímpia, os esportes eram menos numerosos e só podiam participar homens que falassem o idioma grego.

    Olímpia atraía homens de todo o mundo grego. Não se sabe quantas pessoas compareciam aos Jogos, mas o estádio olímpico tinha a capacidade estimada entre 45 mil e 50 mil espectadores.

    Apenas os cidadãos livres e natos que estivessem inscritos para a competição podiam participar dos Jogos Olímpicos. Os atletas treinavam em suas cidades de origem durante os quatro anos que separavam os Jogos Olímpicos. Esse período era denominado Olimpíada. No entanto, a 60 dias dos Jogos, todos os atletas se concentravam na cidade de Elis, onde passavam a se dedicar integralmente à sua preparação física.

    Os competidores chegavam a Olímpia um mês antes do início oficial dos Jogos e passavam por um treinamento moral, físico e espiritual sob a supervisão dos juízes.

    Os treinadores especializados; a alimentação, a massagem, os planos de treinamento e a idéia de treinamento total colocaram a Grécia como pioneira no treinamento desportivo. Esses treinamentos eram basicamente intuitivos, sem nenhum caráter científico.

    A preparação geral era realizada através de marchas, corridas e saltos e a preparação especifica através de sacos de areia, fardos e pedras em forma de halteres; treinadores específicos para as provas de corrida e lutas e seguiram uma rotina de treinamento, realizadas em ciclos de quatro dias, denominadas tetras (Costa, 1968a; Rocha, 1983). A dificuldade em se quantificar o treinamento já era grande e alguns atletas chegavam a morrer durante a preparação para competições.

    A participação dos atletas era estabelecida por um código rígido de conduta e qualquer infração era punida com rigor.

    A vitória nos Jogos Olímpicos consagrava o atleta e proporcionava glória também à sua cidade de origem.

    Evolução do treinamento desportivo.

    Quanto à evolução do treinamento desportivo, podemos afirmar que este passou por cinco períodos:

    Arte;
    Improvisação;
    Sistematização;
    Pré-científico;
    Científico.

    Os três primeiros foram marcados pelo empirismo, cuja principal característica era as sensações: os treinadores guiavam-se por elas como ponto de referência técnica de condição física. Era o tempo do conhecimento adquirido pela prática.

    A corrida foi o único esporte praticado nas primeiras 13 Olimpíadas. A distância era de um "stadia" que correspondia aproximadamente a 85 metros. Depois foram acrescentadas corridas mais longas como o "diaulos" (365 metros) e o "dolichos" (24 "stadias" ou 2 km). Em 708 a.C. foram acrescentados o pentatlo e eventos de luta, em 688 a.C. o boxe e em 680 a.C. a corrida de bigas.

    O prêmio pela vitória era uma simples coroa feita de ramos de Oliveira. Entretanto os atletas viravam celebridades e era comum os vitoriosos receberem benefícios tais como ter toda a sua alimentação paga pelo resto da vida, ou ter um lugar reservado na primeira fileira dos teatros.

    Com o domínio romano sobre os gregos os Jogos Olímpicos foram perdendo sua identidade. Na época do Imperador Nero, no lugar de cidadãos livres, escravos passaram a competir por suas vidas contra animais selvagens. Em 393 d.C. os gloriosos Jogos Olímpicos foram abolidos por decreto do Imperador Romano Teodósio.

    Com o ressurgimento dos Jogos Olímpicos em 1896, (Atenas), passou-se a ter maior interesse e divulgação, do esporte, entre os diferentes povos o mundo. Foi o início os jogos na era moderna, quando o barão de Couberttin destaca a importância da competição em detrimento da vitória; e o treinamento esportivo passou a evoluir e ao longo das primeiras sete décadas do século XX, exceção aos períodos das I e II guerras mundiais, atletas e treinadores inovaram e criaram vários métodos de treinamento que são utilizados até hoje.

    Os períodos pré-científico e científico surgiram aos poucos para completar a vivência empírica. Na década de 20, Krumel da Alemanha e Pikala da Finlândia, tentaram demonstrar que as resistências aeróbica e anaeróbica não eram adquiridas somente com corridas de longa distância, mas também por corridas curtas e de grande intensidade, seguidas de repouso.

    Em 1930, Gosse Holmer da Suécia, criou o Fartlek, um método natural, mais conhecido como "jogo de velocidade", de intensidade bastante variável, e que o atleta executava conforme sua vontade, mesmo assim, sem controle rigoroso era bastante sistemático, pois determinava: corridas em plano, subidas, descidas e trechos de areia e grama, fases cronometradas e trabalho de musculação de forma natural.

    Entre 1933 e 1936 surgiu Gerscheler da Alemanha que ainda de forma empírica, usava distâncias curtas com pausa.. Percebendo que estas pausas eram muito importantes, estabeleceu que o atleta deveria acostumar-se também com o ritmo da prova em treinamento. Posteriormente surgiram Reindel e Roskam ambos da Alemanha, que baseados no método de Gerscheler e em pesquisas fisiológicas, criaram o método conhecido como intervall-training ("os famosos tiros"), iniciando naquele momento o período científico do treinamento desportivo.
    A Segunda grande guerra mundial retardou a aplicação do Interval-Training.

    Em 1945, iniciou-se nos EUA, o trabalho com pesos, Weigth-Training, mas somente como reeducação funcional para os feridos de guerra. Este método foi estudado cientificamente por Yakalov e Korobcov, sendo aplicado posteriormente no atletismo e outros esportes pela Rússia e Alemanha.

    Entre 1948 e 1960, ocorreu a fase áurea do Interval-Training, onde a união deste método com Weigth-Training promoveu grandes resultados no mundo esportivo.

    Na metade da década de 60, as performances se nivelaram levando os treinadores a tentarem novos métodos. Daí surgiram os "Neomodernos" que rebelaram-se contra o Interval-Training puro e passaram a preconizar o retorno à natureza, ao trabalho longe das pistas, sem esquemas rígidos. Três grandes nomes surgiram nesta época: Lydiard da Nova Zelândia, Van Aaken da Alemanha e Cerutty da Austrália. Todos se voltaram para o trabalho em longas distâncias. Grandes resultados surgiram nas Olimpíadas de Roma, Tóquio, México e Munique.

    No processo de evolução histórica, todas as correntes contribuíram para o aperfeiçoamento do treinamento científico.

    O desenvolvimento de equipamentos sofisticados destinados à pesquisa da fisiologia e um rigoroso acompanhamento da aplicação do treinamento diário, não permitemhttp://www.blogger.com/img/blank.gif a utilização de um único método como forma de preparação geral, nem improvisações do dia-a-dia típico de treinadores sem conhecimento científico adequado.

    Hoje em dia é impossível se imaginar o treinamento sem o aval da ciência, pois esta tendência é sem sombra de dúvidas uma das estudadas em todo o mundo.

    Dessa forma, faz-se necessário uma estruturação muito bem organizada das paramentas que compõem toda a estrutura de um programa de treinamento, tais como:

    Exames de saúde, avaliação e acompanhamento nutricional, avaliação da capacidade aeróbica (vo2), limiar anaeróbico, limiar de lactato, frequência cardíaca, testes de potência (força rápida), velocidade, etc...

    Fonte

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  • quarta-feira, 1 de junho de 2011

    Curso Online de Atividade Física para Hipertensos

  • Treino Funcional e Cross - Passo a Passo (em vídeo)
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    Conteúdo Programático do curso online Atividade Física para Hipertensos

    • Hipertensão arterial: Diagnóstico, classificação e mecanismos.
    • O papel do exercício físico na identificação de risco e na prevenção da hipertensão;
    • O treinamento físico pode contribuir para a prevenção da hipertensão arterial;
    • Substâncias que podem aumentar a pressão arterial;
    • Efeitos potenciais dos medicamentos anti-hipertensivos para o exercício e a performance esportiva;
    • Betabloqueadores;Vasodilatadores .
    • Prescrição de exercícios para hipertensos;
    • Resposta aguda da pressão arterial ao exercício;
    • Efeito do treinamento sobre a pressão arterial Indicações e restrições ao hipertenso no exercício.
    • Identificação de respostas inadequadas e procedimentos recomendados; Cuidados especiais;
    • Medida da pressão arterial e freqüência cardíaca em repouso e durante o exercício.
    • Prescrição de treinamento aeróbio;
    • Prescrição de treinamento com pesos;
    • Progressão do treinamento.
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