quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Artigo - Intensidade de sessões de treinamento e jogos oficiais de futebol

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  • Introdução

    A medida da freqüência cardíaca (FC) é usada como método válido e prático para se estimar a demanda fisiológica durante diversas atividades, inclusive no futebol (BANGSBO, 1994; CAPRANICA, TESSITORE, GUIDETTI & FIGURA, 2001; ESPOSITO & IMPELLIZZERI, 2004). Com o desenvolvimento de monitores portáteis de FC que armazenam as informações sem a necessidade da utilização de monitores de pulso, o que é proibido pelas regras desse esporte, tornou-se possível a caracterização da demanda fisiológica associada com os jogos. De fato, diversos estudos identificaram a intensidade de esforço (IE) dos jogos de futebol com o uso da FC (ALI & FARRALLY, 1991; HELGERUD, ENGEN, WISLOFF & HOFF, 2001; MOHR, KRUSTRUP, NYBO, NIELSEN & BANGSBO, 2004; O'CONNOR, 2002; TUMILTY, 1993). O conhecimento mais detalhado da IE na qual os atletas de futebol realizam suas atividades durante o jogo é importante para que os treinamentos sejam aperfeiçoados, o que poderia levar a um melhor desempenho nos jogos. Esse fato justifica o crescente interesse dos pesquisadores sobre esse tema (WILMORE & HASKELL,1972).

    Geralmente os programas de treinamento no futebol são estruturados para incorporarem três principais áreas: tática, técnica e física (FLANAGAN & MERRICK, 2002). Apesar de freqüentemente serem realizadas sessões de treinamento direcionadas para cada uma dessas áreas, é possível integrá-las em um treinamento, poupando tempo e propiciando o desenvolvimento integral e específico dos atletas (BANGSBO, 1994; HOFF, WISLOFF, ENGEN, KEMI & HELGERUD, 2002).

    No entanto, cada tipo de treinamento irá determinar uma demanda fisiológica específica aos jogadores. Por isso é essencial quantificar a demanda fisiológica nas sessões de treinamento para que os pesquisadores e treinadores possam aplicar de forma correta cada tipo de treinamento (ENISELER, 2005).

    Na preparação física, a intensidade das atividades é um dos principais componentes da sobrecarga e determina quase sozinha a existência ou não de adaptações positivas (DENADAI, 2000). Assim, um dos objetivos dos programas de treinamento no futebol é regular adequadamente a intensidade do treinamento (SASSI, REILLY & IMPELLIZZERI, 2004). Diante disso, alguns estudos investigaram métodos de treinamento para os futebolistas. HELGERUD et al. (2001) avaliaram a intensidade de esforço em jogos realizados antes e após um período de quatro semanas de treinamento aeróbio intervalado intensivo a 95% da freqüência cardíaca máxima (%FCmáx), e verificaram que a intensidade foi maior após o treinamento. MACHADO, SANZ e CAMERON (2003) concluíram que a adição do treinamento contínuo no limiar de lactato aumenta o desempenho de jogadores de futebol. No entanto, mesmo que os treinamentos sugeridos pelos estudos citados tenham surtido efeitos positivos de adaptação ao treinamento, os métodos utilizados não foram os mais específicos para atletas de futebol.

    Os programas de treinamento com objetivo de preparação física para jogadores de futebol deveriam incluir atividades físicas específicas, tais como jogos modificados e jogos treino contra times oponentes com o objetivo de simular as situações reais de jogo (ENISELER, 2005). Seguindo essa recomendação e considerando a intensidade como parâmetro determinante, alguns estudos investigaram sessões de treinamento em campo reduzido (CAPRANICA et al., 2001; HOFF et al., 2002; IMPELLIZZERI, RAMPININI & MARCORA, 2005; MILES, MCLAREN, REILLY & YAMANAKA, 1993; REILLY & WHITE, 2004; SASSI, REILLY & IMPELLIZZERI, 2004), freqüentemente utilizados pelos treinadores e preparadores físicos. Entretanto, além de serem poucos os estudos disponíveis na literatura sobre esse tema, diferentes metodologias foram empregadas, com variações no número de jogadores, jogos femininos, masculinos e mistos. Além disso, alguns estudos não indicaram a IE dos treinamentos em valores individualizados em %FCmáx, como recomendado (KARVONEN & VUORIMAA, 1988), o que dificulta comparações e até mesmo a aplicação prática.

    Portanto, o objetivo desse estudo foi identificar e comparar a IE de duas sessões de treinamento (coletivo e campo reduzido), freqüentemente utilizadas no futebol profissional masculino, com a IE de jogos de uma competição oficial de futebol, representada como o monitoramento da FC em valores individualizados apresentados em %FCmáx e também em batimentos por minuto (bpm).

     

    Métodos

    Amostra

    Participaram do estudo 26 atletas do sexo masculino, da categoria juvenil, pertencentes a um clube da primeira divisão do futebol brasileiro, que mantém treinamentos regulares e participação em competições reconhecidas pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Entretanto, para a análise dos dados foram utilizados apenas os atletas que participaram durante todo o tempo dos jogos oficiais e dos treinamentos avaliados. Dessa forma, oito atletas foram selecionados. As características desses atletas estão descritas na TABELA 1. Destes atletas, dois eram pertencentes a cada posição desempenhada por eles em campo, que eram as posições de atacante, zagueiro, lateral e meio-campo.

     

     

    Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (COEP) da Universidade Federal de Minas Gerais (ETIC-476/2004) e respeitou todas as normas estabelecidas pelo Conselho Nacional da Saúde (Res. 196/96) envolvendo pesquisas com seres humanos. Todos os atletas voluntários assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido onde confirmaram estarem cientes dos objetivos e métodos utilizados e da possibilidade de abandonar o estudo a qualquer momento sem a necessidade de justificativa.

    Procedimentos

    A FC dos jogadores foi medida e registrada durante duas sessões de treinamento (coletivo e campo reduzido) e durante seis jogos de uma competição oficial. Todos os atletas tiveram a FC registrada nos treinamentos e em pelo menos quatro dos seis jogos oficiais. As FCs médias dos treinamentos foram comparadas com as FCs médias dos jogos oficiais. A FC média dos jogos avaliados foi considerada como %FCmáx e valores absolutos em bpm.

    Os jogos oficiais transcorriam de acordo com as regras oficiais da CBF, para esta categoria, que consistia em dois tempos de 40 minutos, mais acréscimos se necessário, em campo gramado com medidas oficiais.

    O treinamento coletivo foi realizado com número de atletas de um jogo normal, 11 contra 11 e no campo com medidas padrão. A duração desta atividade foi de 50 minutos.

    O treinamento em campo reduzido foi realizado por três equipes com oito atletas em cada, em um espaço correspondente a um quarto das medidas de um campo de futebol oficial. Esta atividade foi contínua, dividida em cinco fases de 10 minutos, sendo interrompida rapidamente somente para a troca das equipes, tendo em vista que jogavam duas por vez, e com reposição de bola constante pelos companheiros de time que não estavam jogando. Os atletas deste estudo participaram de quatro das cinco fases da atividade.

    Para a medida e registro da FC, utilizou-se um conjunto de cardiofreqüencímetros (Polar® Electro Oy, Polar Team System, Finland). Esse equipamento permite o registro da FC durante uma atividade sem a utilização de um monitor de pulso, o que é proibido em jogos pelas regras do futebol por oferecer risco a integridade do atleta, de seus companheiros e adversários. A taxa de amostragem de FC registrada foi de 5 s em 5 s.

    Os cardiofreqüencímetros foram colocados junto ao peito dos jogadores antes do início dos jogos e dos treinamentos. Ao término das atividades, eles eram recolhidos pelo pesquisador. Posteriormente os dados armazenados eram transferidos para um computador por meio de um aparelho interface, catalogados e analisados no "software" Polar Precision Performance SW 3,0.

    Foram avaliadas as FC do primeiro e segundo tempo dos jogos oficiais e dos treinamentos para a determinação da FC média de cada atividade.

    A FCmáx foi determinada como a maior FC encontrada dentre as duas situações descritas a seguir:

    1. Teste para a estimativa do consumo máximo oxigênio (VO2máx) (MARGARIA, AGHEMO & PIÑERA LIMAS, 1975): consistiu em percorrer uma distância pré-determinada em terreno plano no menor tempo possível. No presente estudo utilizou-se a distância de 2400 m em um local já conhecido pelos atletas;

    2. FCmáx durante os jogos avaliados: a maior FC de cada jogador registrada ao longo dos jogos avaliados neste estudo foi considerada como a FCmáx durante os jogos (ANTONACCI, MORTIMER, RODRIGUES, COELHO, SOARES & SILAMI-GARCIA, 2007).

    A FCmáx determinada foi utilizada para a relativização da IE, representada como a FC registrada nos jogos e treinamentos.

    Análise estatística

    Para a análise dos dados foi aplicada uma Análise de Variância de um fator ("one-way") seguida do teste de "post-hoc" de Tukey, quando apropriado. Os dados referentes ao monitoramento da FC são apresentados como média e erro padrão. O nível de significância adotado foi p < 0,05.

     

    Resultados

    Como mostra a TABELA 2, a IE registrada durante os jogos da competição oficial foi maior em comparação com a IE registrada durante o treinamento coletivo. Não houve diferença entre a IE dos jogos da competição oficial e a IE do treinamento em campo reduzido.

     

     

    O monitoramento da FC nas três situações avaliadas foi ilustrado em seus respectivos gráficos que foram, Jogos oficiais (FIGURA 1), coletivos (FIGURA 2) e campo reduzido (FIGURA 3).

     

     

     

     

     

     

    Discussão

    Identificou-se no presente estudo que a IE, representada como bpm e %FCmáx, foi menor em jogos coletivos de futebol, freqüentemente utilizados para treinamentos, em comparação com jogos oficiais desta modalidade. Já o treinamento em campo reduzido produziu valores de FC semelhantes aos valores de FC dos jogos oficias. Essa característica se manteve quando os valores de FC foram apresentados em bpm ou %FCmáx.

    A partir dos resultados obtidos pôde-se identificar que as sessões de treinamento avaliadas foram realizadas em uma IE intermediária (70-85 %FCmáx) para atletas de futebol (COELHO, 2005; HELGERUD et al., 2001), e consideradas como alta para indivíduos saudáveis (ACSM, 1998).

    Entretanto, HOFF et al. (2002) registraram uma IE de 91,3 %FCmáx em um jogo em campo reduzido com duas equipes compostas por cinco jogadores cada e com constante reposição de bola. É possível que a menor IE encontrada no presente estudo seja devido ao maior número de atletas em cada equipe em comparação com HOFF et al. (2002). Com isso, os jogadores teriam uma menor participação efetiva no jogo, o que diminuiria a IE realizada por cada atleta. Esse fato foi descrito por SASSI, REILLY e IMPELLIZZERI (2004), que registraram uma maior IE no treino com equipes compostas por quatro jogadores em comparação com o treino com equipes compostas por oito jogadores.

    Além de HOFF et al. (2002), outros estudos investigaram a IE de jogos de futebol em campo reduzido. CAPRANICA et al. (2001) identificaram a IE realizada por jogadores de futebol de 11 anos de idade, enquanto MILES et al. (1993) registraram a IE em um jogo feminino com quatro jogadoras. No entanto, a IE avaliada nos dois estudos citados foi apresentada em valores absolutos de FC e não em valores relativos de %FCmáx, como recomendado (KARVONEN & VUORIMAA, 1988), dificultando a comparação com o presente estudo.

    Os resultados do presente estudo diferem do estudo de ENISELER (2005), que encontrou valores de FC menores em treinamentos em campo reduzido (135 ± 28 bpm) em comparação com jogos oficiais (157 ± 19 bpm). Essa diferença pode ser devido ao fato de que ENISELER (2005) utilizou 11 jogadores em cada equipe, ao contrário do presente estudo que utilizou oito jogadores. Como demonstrado por SASSI, REILLY e IMPELLIZZERI (2004), um número maior de atletas nos jogos em campo reduzido faz com que a IE do treinamento diminua. Além disso, a IE registrada por ENISELER (2005) no treinamento em campo reduzido (135 ± 28 bpm) foi menor em comparação com o presente estudo (157 ± 5 bpm e 79 ± 2,6 %FCmáx). No entanto, essa comparação torna-se difícil já que ENISELER (2005) também não apresentou os resultados em valores relativizados como %FCmáx, o que seria mais adequado (KARVONEN & VUORIMAA, 1988).

    De acordo com BARBANTI, TRICOLI e UGRINOWITSCH (2004), seria interessante para o desempenho em uma modalidade esportiva, que a IE do treinamento fosse similar ou maior do que aquela imposta nas situações de competição. Portanto, a semelhança entre as IEs do treinamento em campo reduzido e dos jogos oficiais registradas no presente estudo sugere que um estímulo específico de treinamento aeróbico para essa modalidade foi alcançado nesta atividade. Já ESTEVELANAO, FOSTER, SEILER e LUCIA (2007) não identificaram que as altas intensidades fossem fatores determinantes no aumento do rendimento de corredores espanhóis de meio-fundo, ao monitorar grupos que treinaram com programas com intensidades diferentes por um longo tempo (cinco meses). Deve-se considerar a diferença entre as especificidades da modalidade avaliada no presente estudo, classificada como intermitente de altaintensidade relativo também a fatores como força e velocidade determinantes, e as corridas.

    Tendo sido identificado que a IE dos treinamentos em campo reduzido representada em valores absolutos e relativizados não foi diferente da IE de jogos oficiais, supõe-se como implicação deste achado, que estas atividades podem representar um estímulo de treinamento aeróbio semelhante (HOFF et al., 2002) ou, às vezes, até mais intenso e específico para o futebol em comparação com outros tipos de treinamentos, como o treinamento aeróbico intervalado (SASSI, REILLY & IMPELLIZZERI, 2004). Pode-se sugerir também que jogos em campo reduzido podem substituir em parte este tipo de treinamento, com o objetivo de manter o condicionamento físico durante a temporada competitiva (REILLY & WHITE, 2004).

    Já o treinamento coletivo produziu uma IE menor em comparação com os jogos oficiais. Mesmo essa sendo uma atividade comumente utilizada nos treinamentos e de grande valor para o aperfeiçoamento técnico e tático dos jogadores, pode não representar um estímulo tão eficiente no aperfeiçoamento e manutenção da capacidade aeróbia.

     

    Referências

    ALI, A.; FARRALLY, M. Recording soccer players' heart rates during matches. Journal of Sports Sciences, London, v. 9, p 183-9, 1991.         [ Links ]

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    ANTONACCI, L.; MORTIMER, L. F. ; RODRIGUES, V. M.; COELHO, D.B.; SOARES, D.D. SILAMI-GARCIA, E. Competition, estimated, and test maximum heart rate. Journal of Sports Medicine and Physical Fitness, Torino, v.47, p.418-21, 2007.         [ Links ]

    BANGSBO, J. The physiology of soccer, with special reference to intense intermittent exercise. Acta Physiologica Scandinavica, Stockholm, v.151, 1994. Suplementum 619.         [ Links ]

    BARBANTI, V.J.; TRICOLI, V.; UGRINOWITSCH, C. Relevância do conhecimento científico na prática do treinamento físico. Revista Paulista de Educação Física, São Paulo, v.18, p.101-9, 2004.         [ Links ]

    CAPRANICA, L.; TESSITORE, A.; GUIDETTI, L.; FIGURA, F. Heart rate and match analysis in pre-pubescent soccer players. Journal of Sports Sciences, London, v.19, n.6, p.379-84, 2001.         [ Links ]

    COELHO, D.B. Determinação da intensidade relativa de esforço de jogadores de futebol de campo durante jogos oficiais, usando-se como parâmetro as medidas da freqüência cardíaca. 2005. 114f. Dissertação (Mestrado em Educação Física) - Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte, 2005.         [ Links ]

    DENADAI, B.S. (Org.). Avaliação aeróbia: determinação indireta da resposta do lactato sangüíneo. Rio Claro: Motrix, 2000.         [ Links ]

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    REILLY, T.; WHITE, C. Reability of heart rate recorded during soccer training. Journal of Sports Science, London, v.22, n.6, p.559, 2004.         [ Links ]

    SASSI, R.; REILLY, T.; IMPELLIZZERI, F. A comparison of small-sided games and interval training in elite professional soccer players. Journal of Sports Science, London, v.22, n.6, p.562, 2004.        [ Links ]

    TUMILTY, D. The relationship between physiological characteristics of junior soccer players and performance in a game simulation. In: WORLD CONGRESS OF SCIENCE AND FOOTBALL, 2., 1991, Eindhoven. Proceedings... London: E & FN Spon, 1993. p.281-6.         [ Links ]

    WILMORE, H.J.; HASKELL, W.L. Body composition and endurance capacity of professional football players. Journal of Applied Physiology, Bethesda, v.33, n.5, p.564-7, 1972.        [ Links ]

    AUTORES::

    Daniel Barbosa Coelho; Vinícius de Matos Rodrigues; Luciano Antonacci Condessa; Lucas de Ávila Carvalho Fleury Mortimer; Danusa Dias Soares; Emerson Silami-Garcia



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  • sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

    Treinamento de força e seus benefícios

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  •                O aumento do uso do treinamento de força (musculação) nos dias atuais foi causado, em grande parte, pela capacidade de oferecer aos seus praticantes benefícios à estética, à aptidão física e à saúde que não são facilmente obtidos pelo treinamento aeróbio ou de flexibilidade (caminhadas, corridas, ginástica, dança, etc.).

                    Nesta modalidade o aumento da própria força é o primeiro dos benefícios alcançados, e pode ser evidenciado na melhora do desempenho das pessoas em suas atividades cotidianas, como, por exemplo, ao subir escadas, nos simples atos de sentar e levantar de uma cadeira, ao carregar as compras de supermercado, entre outras situações afins.

                    Com relação à velocidade no ganho de força, as mulheres, assim como os homens, quando participam de um programa de treinamento muscular, ganham força em ritmo similar ao do homem, ou até mesmo mais rápido  (Lemmer et al., 2000; Cureton et al., 1988).     Este ganho de força se dá pelo aumento da área transversal da fibra muscular, conhecida como hipertrofia muscular, que ocorre em ambos os sexos. Tanto o homem quanto a mulher alcançarão os mesmos ganhos percentuais no volume da fibra muscular ao realizarem o mesmo programa de treinamento, contudo, este volume será compatível com o "calibre" de cada indivíduo; nas mulheres, as fibras musculares são naturalmente menores, pois, fisiologicamente falando, elas apresentam uma distinção em relação aos homens nos âmbitos de volume corporal e de especificidade hormonal que limitam o ganho de massa muscular (Staron et al., 1991).

                    O treinamento de força ajuda a manter uma composição corporal adequada, preservando ou aumentando a massa corporal magra e diminuindo o percentual de gordura (Lemmer et al., 2001, 2000; Staron et al., 2000, 1994); quanto maior a massa corporal magra, maior a taxa de metabolismo e maior a taxa metabólica de repouso (calorias necessárias para manter as necessidades fisiológicas básicas de uma pessoa viva em repouso). Haja vista que muitas pessoas passam a maior parte do dia dentro ou nas proximidades da faixa de metabolismo de repouso, ou seja, sem muito gasto de energia, um pequeno aumento na taxa deste metabolismo pode ter significativo impacto no total de calorias metabolizadas durante o dia, o que muito ajuda no controle do peso corporal.

                    O treinamento com pesos realizado por 30 minutos ou mais por semana, em adultos, reduz o risco de doenças cardiovasculares em 23% (Tanasescu et al., 2002), suavizando fatores de risco associados, como redução dos valores da pressão arterial (sistólica) em repouso, decréscimos na resposta da freqüência cardíaca em repouso, melhoras no perfil lipídico (gordura corporal), entre outros.

                    Concluindo, a realização de exercícios físicos, e em especial, os treinamentos de força ou musculação, são de extrema importância para manutenção da saúde integral das pessoas, em todas as idades, e sempre com o devido acompanhamento profissional, o que certamente proporciona uma melhora significativa na qualidade de vida.

     

    REFERÊNCIAS

    SIMÃO R., FLECK S. Força – Princípios Metodológicos para o Treinamento. São Paulo. 1° Ed. Phorte Editora, 2008.

    Autor:  Prof. Arthur C.D. Amorim - CREF: 001622-G/RN




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  • quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

    Fatores que afetam à propulsão durante o nado

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  •    A Natação é considerada um esporte peculiar e suas características são bem distintas com relação aos outros devido o meio onde é praticado. Segundo Costill et al. (1995) a água é 1000 vezes mais densa que o ar e, assim, quando o corpo se desloca em uma determinada direção, o mesmo recebe uma resistência que é oposta ao movimento. Esse conceito de resistência é denominado arrasto. A locomoção aquática não depende somente das de habilidades propulsivas, mas também na capacidade de redução do arrasto durante o nado (RIBEIRO, 2006). Esta redução permite ao nadador se locomover em velocidades constantes com menor utilização de energia (McCABE e SANDERS, 2006). Sendo assim, vários são os trabalhos que visam à determinação dessa força de arrasto para a maximização da velocidade. (SEIFERT et. al. 2010, VILLAS BOAS et al. 2004, TOUSSAINT & TROJANS, 2005, BARBOSA et al. 2010).

        Costill et al. (1995) e Maglischo (1999, 2003) descrevem três tipos de arrastos: o arrasto de forma, de onda e o friccional. O primeiro está relacionado ao tamanho e forma do corpo do nadador durante o nado. Arrasto de onda deriva das ondas provocadas pelo atleta ao deslocar-se na água e o arrasto de fricção é a resultante do contacto da pele do nadador com a água.

        Todos esses três componentes são melhores entendidos a partir do momento em que são verificadas as atuações dos fluidos em decorrência ao avanço do nadador no meio líquido.

        Desta forma, destacar a influência das propriedades físicas da água no que concerne à propulsão é inevitável. A água consiste de moléculas que tendem a flutuar em correntes regulares até que algum corpo interrompa o movimento. Essas duas correntes foram definidas por Costill et al. (1995) como fluxo laminar e turbulento, onde o laminar oferece menor resistência ao avanço quando comparado ao turbulento. A medida que o nadador avança, as correntes saem do estado laminar e se transformam em correntes turbulentas. As correntes turbulentas criadas pelos nadadores recebem influências de três fatores: (1) o formato corporal dos nadadores, (2) a orientação de seu corpo na água e (3) a velocidade dos movimentos corporais (MAGLISCHO, 1999).

        O formato corporal dos nadadores tem relação íntima com a criação de fluxos turbulentos que retardam seu deslocamento. Essa afirmação foi corroborada por Toussaint e Beek (1992) ao verificarem alta correlação (r=0,82) entre o tamanho corporal dos nadadores e a criação de resistência ao avanço. Considerando a orientação do corpo com relação á água, o arrasto é aumentado quando os nadadores estão menos horizontalizados com relação á superfície da água e com relação a velocidade, os nadadores ao duplicarem a mesma, recebem uma resistência que é o quadrado dessa velocidade.

        Uma parte considerável do gasto energético na Natação é utilizada para vencer o arrasto (PENDERGAST et. al. 2003). Ao longo da história da Natação, tentativas têm sido feitas para medir as forças de arrasto. Já em 1905, Dubois- Reymond Apud Toussaint et al., (2000) rebocou pessoas com a utilização de um barco a remo, medindo a resistência com a utilização de um dinamômetro. Segundo Toussaint et al, (2000), os pesquisadores Amar na deçada de 20 e foi Karpovich, na década de 30 foram os primeiros a supor que a resistência da água estava relacionada com o quadrado da velocidade de nado de acordo com a equação:

    D= K.v2

        onde D denota a força de arrasto, K é uma constante do coeficiente de arrasto, área de secção transversa do corpo e densidade da água, enquanto V é a velocidade do nado. Tanto Amar quanto Karpovich usaram técnicas de medição de determinação da resistência dos nadadores em deslizes passivos através da água. Contudo, suspeitou-se que os movimentos dos nadadores eram criadores de maiores arrastos e desta forma iniciaram as tentativas de se avaliar o arrasto do indivíduo nadando (arrasto ativo) e não apenas sendo rebocado (TOUSSAINT,et al., 2000).

        Técnicas para determinar os arrastos ativos foram desenvolvidas por vários grupos nos anos subseqüentes (TOUSSAINT, et al., 2004). Em meados dos anos 80, Hollander, et al. desenvolveram um equipamento denominado Meansuremet Active Drag System (MAD System) para medir o arrasto ativo (Figura 1). A técnica baseia-se na medição direta das forças das braçadas do nado Crawl. Kolmogorov e Duplisheva (1992) desenvolveram outro método para determinar o arrasto ativo no qual denominaram de perturbação da velocidade onde os nadadores eram conduzidos a nadarem duas tentativas máximas na duração de 30 segundos: uma vez no nado livre, e uma vez nadando atados a um corpo hidrodinâmico que criava uma resistência adicional conhecida. O aspecto que favorece esse método é que o mesmo pode ser aplicado para os quatro nados competitivos, enquanto o sistema MAD é aplicável apenas ao nado Crawl.

    Figura 1. Desenho esquemático do sistema MAD System montado em uma piscina de 25 metros onde o mesmo permite que o nadador realize os 

    movimentos de braçadas apoiado a plataformas conectadas a um transdutor de força, permitindo a medição direta da força propulsiva das braçadas

        Vários autores têm sugerido que as forças de arrasto do nado na superfície pode ser reduzida melhorando a técnica do mesmo. (MAGLISCHO, 1999, SWEETENHHAM e ATIKINSON, 2003, PLATONOV, 2005). Para testar essa hipótese Hollander et al. (1986) determinou a relação entre as forças de arrasto e o desempenho em velocidade máximas na Natação. Nehuma relação significativa foi obtida (r = -0,27 homens e r = 0,07, nas mulheres). Sendo assim, o autor concluiu que as forças de arrasto por si só não foram determinantes da velocidade máxima de nado.

        Parece que o arrasto é determinado pelas dimensões antropométricas (área do corpo por exemplo, transversal e altura) em grupos de nadadores de elite que são homogêneos em relação à técnica de nado (TOUSSAINT, et al., 2000). Provavelmente uma pequena redução no arrasto pode ser alcançadas pelo alongamento do braço na fase de deslize e em menores áreas de secção tranversa das dimensões corporais (BARBOSA et. al., 2009).

    Teorias da propulsão

        Em 1950 Louis Alley apud Counsilman (1977) conduziu um experimento para determinar o melhor padrão de braçada, ou seja, a realização das mesmas com os cotovelos fletidos ou estendidos. O padrão de movimento com os cotovelos fletidos se dava pela flexão do mesmo a 90o e passando por debaixo da linha média do corpo. Alley conclui que a técnica com os braços estendidos era superior a dos cotovelos fletidos. (Figura 2)

        Os mecanismos envolvidos na geração de força propulsiva receberam pouca atenção após a publicação de Alley até a década de 60, quando Counsilman (1966) publicou a sua famosa análise cinemática das braçadas e começou a especular sobre o mecanismo dinâmico da propulsão. O autor apoiou a teoria de que as forças geradas pelas mãos gerando propulsão respeitavam a terceira Lei de Newton (ação e reação).

    Figura 2. Visão sobre a mecânica da propulsão. A mão é usada como um remo e percorre uma trajetória de frente para trás, criando propulsão de acordo com a Terceira Lei de Newton

        Logo em seguida um trabalho que foi um marco divisório e revolucionou os achados da época conduzidos por James Counsilman e Ronald Brown em 1971 foi publicado (TOUSSAINT et al., 2000). Os pesquisadores fizeram um experimento onde colocava luzes nas mãos dos melhores nadadores do mundo na década de 70 enquanto os mesmos nadam numa piscina com as luzes apagadas verificando que os melhores nadadores não utilizavam a trajetória retilínea em seus segmentos e sim curvilínea na maioria da trajetória subaquática. Neste novo conceito de braçada surge o modelo da trajetória em S apoiada no Princípio de Bernoulli que diz que a "pressão da água diminui a medida que sua velocidade aumenta". Desta forma, Cousilman e Brown sugeriram que nadadores de classe internacional aplicassem tração em grandes quantidades de água por um breve período de tempo e logo em seguida mudassem de direção para a aplicação em outras massas de água. Esse modelo foi proposto e muito aceito até então em todos os nados competitivos (Figura 3).

    Figura 3. Vista lateral, inferior e frontal do percurso das mãos no estilo crawl

        Pouco tempo depois, Counsilman (1971) também chamou a atenção para a importância das forças de sustentação, que atuam perpendicular à direção do movimento das mãos e afirmou que ambas as forças de sustentação e arrasto são importantes para a propulsão. Esta teoria poderia explicar os movimentos de palmateios realizdaso pelos nadadores nas braçadas observados com a fotografia subaquática. Na mesma década, Counsilman (1977) sugeriu que a velocidade de nadadores poderia ser aumentada por: a) diminuição das forças de arrasto, b) aumento das forças propulsivas geradas pelas braçadas e pernadas e c) combinação dessas duas variáveis.

        Logo em seguida, o pesquisador Cecil Colwin (1984) (citado por Maglischo, 1999) propôs outra teoria da propulsão da Natação que se baseava na formação e na emissão de vórtices. Segundo o autor, os vórtices ou remoinhos, originavam-se nas extremidades dos nadadores devido as diferentes pressões de água. O aparecimento destes remoinhos provoca um aumento da pressão na parte inferior das extremidades e, conseqüentemente, um aumento da força ascensional e da força de propulsão. Colwin distinguiu dois tipos de propulsão resultantes dos vórtices: a Propulsão Laminar que é o resultado das forças de sustentação produzidas pelo fluxo de água em torno de uma lâmina e a Propulsão por Anéis Concorrentes.

        As rápidas mudanças de direção das extremidades do nadador provocam a separação dos vórtices de periferia, que originam os anéis concorrentes. A formação destes anéis vai impulsionar o nadador para frente.

        Pesquisas clássicas apontam também para outros três fatores inerentes a propulsão aquática: direção, ângulo de ataque e velocidade. A direção em que os membros dos nadadores movem-se pode ser definida pelo estudo dos padrões de braçadas de nado, seus ângulos de ataque podem ser determinados com base na inclinação de seus membros e a velocidade está relacionada às mãos e pés ao se deslocarem na água (MAGLISCHO, 2003, STAGER & TANNER, 2008).

        De acordo com esses autores os padrões desenhados na água pelos segmentos corporais dos nadadores nos ajudam a compreender o modo pelo qual os membros nos nadadores afetam os da água. Essa mudança na direção principalmente das mãos tem a finalidade dos nadadores encontrarem maiores volumes de água sem turbulência a fim de um maior deslocamento como descreve o Princípio de Bernoulli (BIXLER e RIEWALD, 2002).

        O ângulo de ataque é o ângulo formado pela inclinação da mão, do braço, do pé ou da perna para a direção em que eles estão se movendo. As primeiras pesquisas na investigação das forças de sustentação com relação aos ângulos de ataque das mãos se deram na década de 70 onde Schleihauf (1979) realizou uma réplica em plástico da mão e a introduziu num canal de água que se deslocava a velocidade conhecida, medindo desta maneira os valores da força de arrasto e a força de sustentação em função do ângulo de ataque da mão e da velocidade da água. Os achados Schleihauf afirmaram que a força propulsiva aumentava consideravelmente quando o ângulo de ataque aproximava-se de 45 graus e diminuía a medida da aproximação dos 90 graus em relação ao centro de massas do corpo. Achados similares foram verificados por Silva et al., (2005) com a utilização de parâmetros tridimensionais.

        Na década de 80, Cousilman e Wasilak investigaram a relação entre a velocidade dos membros e concluíram que os melhores nadadores aceleravam suas mãos desde o início até o final da parte submersa de suas braçadas (MAGLISCHO, 1999). Contudo Schleihauf (1986) verificou que a velocidade da mão se dava através de pulsos, diminuindo e em seguida aumentando a cada mudança importante de direção durante as fases submersas da braçada. Takagi e Wilson (1999) utilizando uma luva instrumentada com transdutores na palma e no dorso registraram o componente perpendicular da força hidrodinâmica e verificaram que maior parte da força se produz na parte final da braçada.

    Aspectos relacionados à propulsão

        O desenho (design) da braçada dos membros superiores na Natação são denominados varreduras. As varreduras são divididas em quatro grupos: varredura para fora, para baixo, para dentro e para cima.

    Quadro adaptado de Maglischo, 1999

        Atualmente, há um consenço entre os treinadores durante a orientação das varreduras. Os nadadores são orientados a realizarem as ações propulsivas com os cotovelos em uma posição elevada (cotovelo alto) e não rebaixada (cotovelo baixo), criando assim melhor posição biomecânica que resultará em maior eficiência propulsiva. Essa terminologia (cotovelo alto e cotovelo baixo) foi inicialmente proposta por Cousilman ao afirmar que o cotovelo alto permite os nadadores colocarem seus braços numa posição otimizada a fim de tracionar a água para trás (MAGLISCHO, 1999). Além disso a fase propulsiva das braçadas está relacionada à profundidade das mãos, onde as mesmas devem se encontrar entre 15 a 30 centímetro de profundidade antes do início da aplicação de força (NAKAMURA, 1997).

        Contudo, não somente os braços possuem papel na propulsão na Natação. Deschodt et al. (1999) propulseram uma pesquisa onde verificaram a locomoção em quatro procedimentos experimentais: propulsão com apenas um braço, b) apenas com os braços, c) com um braço e duas pernas d) com os dois braços e com as duas pernas. Os autores verificaram aumentos médios de 10% na velocidade máxima quando as pernadas foram inseridas no teste concluindo a eficácia assegurada dos membros inferiores na propulsão aquática. Esse conceito foi incialmente descrito por Hollander et al. (1988) apud Maglischo (2003) utilizando o MAD System. Nesse experimento, 18 nadadores de nível nacional foram submetidos a duas condições: a) nadar em máxima velocidade com movimentos completos (braços e pernas) e b) em máxima velocidade apenas com a utilização dos braços, com as pernas apoiadas por um flutuador. Os resultados demonstraram que o nado com os braços e pernas foi 12% mais veloz do que apenas com os braços concluindo que essas velocidade adicional se deu através das pernadas dos nadadores.

        Parece que existem vários fatores que contribuem para a propulsão aquática, porém ainda não foi relatado qual o maior responsável por este fenômeno. Contudo, é importante a determinação dos parâmetros mecânicos (técnicos e forças de arrasto) para a otimização do desempenho da propulsão em nadadores.

    Fonte



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  • quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

    Barriga forte e chapada sem abdominal

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  • Barriga forte e chapada sem abdominal

    Foto: Ivan Berger

    Se existe um exercício que não sai da nossa rotina na academia, ano após ano, é o abdominal — barriga trincada, afinal, é o sonho de qualquer mulher. Acontece que, mesmo após incontáveis abdominais feitos na vida, muitas mulheres não notam uma melhora na silhueta correspondente ao esforço. É o seu caso? Chegou a hora de conhecer a modalidade que vai acabar de vez com o seu problema: o treinamento funcional.

    Enquanto os exercícios localizados convencionais se concentram em apenas um músculo por vez, os funcionais colocam toda a cadeia muscular para trabalhar com base nas atividades do praticante  das rotineiras, como caminhar, sentar e subir escada, às esportivas, tal qual jogar tênis e nadar. Essas particularidades são importantíssimas, entre outras razões, para evitar que a cadeia muscular fique forte ou flexível de maneira desigual, fator que costuma desencadear dores, lesões e má postura em praticantes de musculação e ginástica localizada.

    O treinamento funcional é indicado especialmente para quem quer secar e tonificar o core, área que compreende o abdômen, os quadris e a lombar. Uma de suas bases é o fortalecimento da região que dá equilíbrio ao corpo todo e promove a melhora postural, afirma a personal trainer e especialista em treinamento funcional Silvia Vieira Santilli, de São Paulo. Ajeitar a postura automaticamente ajuda a manter a barriga em forma, pois evita a formação de pneuzinhos ao redor da cintura. Durante o treino, utilizamos acessórios e superfícies instáveis que fazem com que o core seja ativado e o abdômen fique permanentemente contraído, mesmo que o aluno não perceba. Como os exercícios trabalham também a estabilidade, os músculos são duplamente exigidos, o que garante um resultado mais direcionado e eficaz.

    Queima de calorias e definição muscular, claro, fazem parte do pacote funcional, mas como consequência de um treinamento que tem um objetivo maior: transformar-nos em máquinas de locomoção e movimentação mais eficientes. Nenhuma atividade física é realizada, das prosaicas levantar e agachar, se os músculos do core não funcionarem plenamente, possibilitando que os membros superiores e inferiores executem bem suas funções.

    O corpo humano tem a função de se mover para todos os planos e direções, diz o personal trainer especialista em treinamento funcional Fernando Jaeger, do Instituto de Performance Humana no Brasil. Mas, com o avanço da tecnologia, nos mexemos cada vez menos." Durante o exercício, a força é estimulada em paridade com o equilíbrio e a velocidade, da forma mais parecida possível com a movimentação exigida na prática esportiva e nas atividades cotidianas.

    Afora a lista de vantagens do treinamento funcional sobre os abdominais convencionais, a modalidade dá um gás no metabolismo basal da praticante, promovendo maior gasto de energia, mesmo em repouso. Em um único exercício temos a contração de vários grupos musculares, o que eleva o gasto calórico e tonifica a musculatura sem aumentar muito o volume muscular, explica a educadora física Clóe Celentano, da 4US Consultoria e Assessoria Esportiva, em São Paulo.

    A pedido de WOMENS HEALTH, Clóe desenvolveu uma série que vai deixar sua barriga fortalecida e chapada  sem um único abdominal. Siga o nosso plano e prepare-se para apertar os furinhos no cinto a partir de um mês de dedicação.

    Centro de controle - Entenda o que é o core

    Core

    1. Abdominal reto

    O músculo que dá o desenho do tanquinho está no centro da barriga e auxilia a flexionar a região lombar.

     

    2. Oblíquos externos

    Vão da lombar às laterais do abdômen. Eles ajudam você a flexionar o abdômen e a respirar — sobretudo expirar.

     

    3. Oblíquos internos

    Localizados numa camada mais profunda da barriga, fazem com que você possa girar o tronco e inclinar para as laterais.

     

    4. Eretor da espinha

    Estes músculos que parecem cordas ficam atrás da coluna, do cóccix ao crânio. Eles trabalham em conjunto com os demais músculos para manter a coluna estável quando você se curva ou gira para as laterais.

     

    5. Abdômen transverso

    Incrustado na parte baixa do abdômen, estabiliza a pélvis. Fortalecê-lo vai fazer com que sua chance de cair de cara no chão, ao tropeçar no tapete do banheiro, diminua.

     

    >> Rumo ao tanquinho


    O treino funcional proporciona benefícios na estética e na saúde. Enquanto os abdominais convencionais trabalham músculos superficiais, o treino funcional exercita também as camadas profundas, que estabilizam a coluna. Siga o programa três vezes por semana, em dias alternados, por seis semanas. Os resultados serão potencializados se você fizer exercícios na bike, na esteira ou na piscina. Ao cabo de um mês, as transformações serão visíveis. Inicie as séries com um aquecimento de 5 minutos na bike ou na esteira, seguido por 5 minutos de alongamento. Termine com um alongamento suave de 5 minutos.

     

    >> 1ª Semana - Faça os exercícios três vezes por semana, em dias alternados, com 1 minuto de descanso entre eles.

    >> 2ª Semana - Siga a mesma sequência, agora com 30 segundos de descanso.

    >> 3ª e 4ª Semanas - Faça a sequência e aumente o número de repetições (aumente de dez para 12, de 12 para 15 e de 15 para 20), mantendo os 30 segundos de descanso.

    >> 5ª e 6ª Semanas - Realize os exercícios em forma de circuito. Faça uma série de cada exercício sem pausa e, ao fim, descanse por 1 minuto e realize o circuito mais duas vezes.

     

    CONFIRA O TREINO COMPLETO

    Conteúdo do site Women's Health




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  • terça-feira, 18 de dezembro de 2012

    Treinamento da Força no Basquetebol

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    O treinamento da força é importante para jogadores de basquetebol. Os elementos básicos de velocidade, mobilidade e resistência são todas funções de força muscular. De acordo com o President's Council (Conselho do Diretivo) de Physical Fitness and Sports (Preparo Físico e Esportes), melhorias na resistência muscular absoluta, habilidade motora e habilidades atléticas estão diretamente associadas com uma força muscular individual.

    Aulas de treinamento para Basquete

    Em geral, o treinamento da força no basquetebol tem duas finalidades:
    1. Melhorar a força em geral
    2. Desenvolver o equilíbrio muscular e evitar que o atleta se machuque
    O basquetebol exige uma energia anaeróbica significativa, que está diretamente relacionada à força muscular. Portanto, um músculo mais forte pode responder melhor a desafios sem incorrer em fatiga extrema e sem exigir um longo período de recuperação. Basicamente, o treinamento de força melhora a habilidade do atleta de correr rápido e produz energia anaeróbica. Jogadores de basquetebol precisam ser capazes de correr rápido – às vezes, muito rápido.

    Exemplos de rotina de treinamento de força

    1. Corrida leve para aquecimento
    2. Flexões
    3. Investidas
    4. Sentar-se — abdominais
    5. Arremessos com bolas medicinais
      • Arremessos sobre a cabeça
      • Arremessos para a frente
      • Arremessos laterais
      • Arremessos para o parceiro
    Flexões
    Flexões — posição para cima Flexões — posição para baixo Flexões com as palmas da mão
    Flexões – Posição para Cima Flexões — Posição para baixo Flexões com palmas
    Certifique-se de que seus atletas estenderam seus braços completamente na posição inicial, com as costas retas. Eles podem contrair o músculo abdominal para ajudar a manter as costas retas. Quando os atletas estão na posição inferior, os cotovelos devem ficar paralelos aos ombros. Para aumentar a variedade e a intensidade, adicione palmas aos exercícios de flexão. Isso pode ajudar os atletas a testarem si mesmos e os outros enquanto trabalham pesado, mas ainda assim se divertem.
    Investidas
    Investidas
    Ângulo de 90 graus, coxa paralela ao chão Impulsioneseu corpo do chão, fazendo força para cima a partir do chão
    Abdominais
    Abdominais – mãos atrás do pescoço (posição para cima) Abdominais – mãos cruzadas nos ombros
    Abdominais – Mãos Atrás do Pescoço (posição para cima) Abdominais – mãos cruzadas nos ombros (posição para baixo) Abdominais – mãos cruzadas nos ombros (posição para cima)
    Aqui, o atleta faz os abdominais para cima, puxando com os cotovelos. Da próxima vez, queremos trabalhar mantendo os cotovelos alinhados ao lado do corpo e paralelos ao chão. Para reduzir a tensão no pescoço, atletas podem colocar as mãos nos ombros opostos. Enquanto estiverem fazendo abdominais, eles obterão o resultado desejado — músculos abdominais mais fortes.


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  • quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

    O nível de aptidão física afeta o desempenho do árbitro de futebol?

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  • Introdução

    O futebol é um dos esportes mais praticados no mundo. Em 2003, cerca de 220 milhões de pessoas foram consideradas membros ativos da Federation Internationale de Football Association (FIFA), sendo que 150 milhões eram jogadores (homens e mulheres) em algum nível competitivo (CASTAGNA, ABT & D'OTTAVIO, 2007).

    Nas últimas décadas, o futebol experienciou significativo avanço do profissionalismo (GOMES & SOUZA, 2008). Essas mudanças ocorridas nos últimos anos, principalmente em função das maiores exigências físicas, intensificaram a carga de treinamento imposta aos atletas (COHEN, ABDALLA, EJNISMAN & AMARO, 1997). Sem dúvida, este maior nível de exigência física alterou o padrão de jogo, tornando-o mais rápido e intenso (METAXAS, KOUTLIANOS, KOUIDI & DELIGIANNIS, 2005).

    Neste contexto do futebol moderno, é plausível assumir que a demanda física dos árbitros também tenha sofrido aumento. Para atender esse novo padrão, o desenvolvimento da aptidão física específica para o futebol se torna fundamental. E, nesse processo, merecem destaque a composição corporal, a potência aeróbia e a potência anaeróbia. Entretanto, por não fazer parte, de forma importante, da economia do futebol, a preparação dos árbitros tem sido negligenciada ao longo dos anos (CASTAGNA, ABT & D'OTTAVIO, 2007).

    Recentemente, alguns estudos avaliaram o desempenho dos árbitros em testes físicos (BARTHA, PETRIDIS, HAMAR, PUHL & CASTAGNA, 2009; CASTAGNA, ABT & D'OTTAVIO, 2002A, 2002B, 2005; CASTAGNA, ABT, D'OTTAVIO & WESTON, 2005), durante as partidas (CASTAGNA & ABT, 2003; CASTAGNA, ABT & D'OTTAVIO, 2004; CASTAGNA & D'OTTAVIO, 2001; D'OTTAVIO & CASTAGNA, 2001; MALLO, NAVARRO, GARCÍA-ARANDA, GILIS & HELSEN, 2008; TESSITORE, CORTIS, MEEUSEN & CAPRANICA, 2007) e as relações existentes entre a performance obtida nos testes físicos e a atuação durante os jogos (CASTAGNA, ABT & D'OTTAVIO, 2002A, 2002B; CASTAGNA & D'OTTAVIO, 2001). No entanto, apesar do local de destaque do futebol brasileiro no cenário internacional, os estudos com árbitros brasileiros são escassos.

    CASTAGNA, ABT E D'OTTAVIO (2004) demonstraram que os árbitros de elite do campeonato italiano (série A) são os que percorrem maior distância durante os jogos (~13 km), seguidos pelos árbitros europeus (sem contabilizar os italianos) que atuam na Union of European Football Associations (UEFA) (~11,5 km). Alguns estudos internacionais reportaram que durante partidas oficiais os mesmos se deslocam entre 41,8 e 73,8% do tempo em baixa intensidade (3-13 km/h), 11 a 46,3% em média intensidade (>13-18 km/h) e 4,1 a 17,7% em alta intensidade (>18 km/h) (CASTAGNA, ABT & D'OTTAVIO, 2007). Somado a isso, a cada quatro segundos, aproximadamente, há alteração no modo de deslocamento, totalizando ~1.300 mudanças. Desse total ~45% e ~12%, respectivamente, ocorrem em baixa e alta intensidade (KRUSTRUP & BANGSBO, 2001).

    No que se refere ao perfil geral do árbitro de futebol, os dados supracitados devem ser levados em consideração, visto que esses indivíduos apresentam em média 15-20 anos a mais que os jogadores. Além disto, geralmente, os mesmos atuam de forma amadora e não podem ser substituídos durante as partidas (CASTAGNA, ABT & D'OTTAVIO, 2007).

    Portanto, diante da importância do árbitro para o jogo de futebol e da carência de trabalhos nacionais acerca da análise de desempenho desses profissionais durante partidas oficiais, o objetivo do presente estudo foi descrever o comportamento de parâmetros relacionados à demanda física (distância percorrida, velocidade e frequência cardíaca) imposta aos árbitros em jogos oficiais e verificar possíveis associações destes parâmetros com componentes da aptidão física (composição corporal e potência aeróbia). Além disso, considerando o aumento das demandas físicas do futebol, é plausível especular que o condicionamento físico dos árbitros influencie a qualidade da sua arbitragem. A fim de testar esta hipótese, o presente trabalho também investigou o nível de correlação entre a composição corporal e a potência aeróbia com o desempenho da arbitragem nas partidas, avaliado pelos critérios estabelecidos no "Manual do observador" da Confederação Brasileira de Futebol (CBF, 2007).

     

    Métodos

    Amostra

    A amostra do estudo foi composta por 11 árbitros profissionais (sexo masculino; 36,36 ± 6,34 anos; IMC = 24,54 ± 1,80 kg/m2; percentual de gordura = 16,45 ± 3,90%; O2máx = 44,98 ± 2,67 ml/kg/min, e; tempo de experiência = 8,90 ± 4,25 anos) do quadro "A" da Federação Norte-Rio-Grandense de Futebol (FNF). Todos os voluntários foram escalados para arbitrar, pelo menos, um jogo do campeonato Potiguar profissional da temporada de 2009. Os critérios de inclusão adotados foram: apresentar pelo menos três anos de experiência no quadro "A" da FNF e não apresentar nenhuma alteração osteomioarticular que limitasse parcial e/ou totalmente a realização dos testes físicos. Todos os participantes assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE), conforme resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. O trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Protocolo de nº 282/09).

    Procedimentos

    Inicialmente, foram realizadas a avaliação da composição corporal e o teste de 2.400 metros. Isso ocorreu nos dias de treinamento comum a todos, na última semana antes do início do campeonato Potiguar de 2009. As coletas referentes à análise da demanda física nas partidas ocorreram de acordo com a escala de arbitragem determinada pela FNF, sem que isso causasse qualquer alteração no cronograma da mesma.

    Avaliações físicas

    Foram realizadas as medidas da massa corporal (kg), estatura (m), IMC (kg/m2) e percentual de gordura. O cálculo do percentual de gordura foi efetivado por avaliador experiente através da plicometria (adipômetro Lange® científico com variação de 0,1 mm), através do protocolo de JACKSON e POLLOCK (1978) de sete dobras cutâneas (subscapular, tricipital, peitoral, axilar média, supra-ilíaca, abdominal e femural média). O teste de 2.400 metros (realizado em terreno plano) proposto por MARGARIA, AGHEMO e PIÑERA LIMAS (1975) foi utilizado para estimar o O2máx dos árbitros.

    Avaliação da demanda física durante as partidas

    Para avaliação da demanda física imposta aos árbitros durante as partidas foram estabelecidas as seguintes variáveis: distância percorrida (km), velocidade média e máxima (km/h), frequência cardíaca média e máxima (bpm). Para coleta das variáveis relacionadas com a demanda física durante os jogos foi utilizado um GPS (Global Positioning System) de pulso (Garmin® modelo Forerunner 405) com cardiofrequencímetro acoplado. Os árbitros foram, previamente, instruídos sobre o manuseio do equipamento.

    Análise do desempenho da arbitragem

    A análise do desempenho dos árbitros foi realizada por três avaliadores oficiais credenciados pela FNF. Por haver mais de uma partida por "rodada" no campeonato, somente um avaliador foi responsável por avaliar o desempenho da arbitragem em cada partida. Como instrumento avaliativo foi usado o "Manual do observador", ferramenta padrão - instituída pela CBF - para esse propósito.

    Foram contemplados três aspectos para análise de desempenho do árbitro, tendo cada um, tópicos específicos: a) aspecto técnico: 1) posicionamento com bola em jogo, 2) posicionamento com bola fora de jogo, 3) aplicação correta e coerente das regras, 4) coerência nos critérios das decisões, 5) utilização adequada das sinalizações, 6) utilização do som do apito, 7) agilização do jogo, 8) interpretação das vantagens, 9) interpretação da indicação do impedimento e 10) integração com os árbitros assistentes e o quarto árbitro; b) aspecto disciplinar: 11) autoridade constante em campo, 12) arbitragem preventiva, 13) controle emocional, 14) aplicação correta das advertências (cartão amarelo), 15) aplicação correta das expulsões (cartão vermelho), 16) postura na aplicação dos cartões e 17) presença nas jogadas, e; c) aspecto físico: 18) resistência física durante a partida, 19) velocidade (deslocamento rápido) e 20) aceleração.

    Para avaliação do desempenho geral da arbitragem adotou-se a recomendação da CBF. Cada aspecto supracitado (técnico, disciplinar e físico) foi avaliado através de seus tópicos correspondentes. Nesse sentido, o avaliador da partida definiu um escore variando de 0-10 para cada um dos 20 tópicos supracitados (ex. aspecto técnico, tópico 1. posicionamento com bola em jogo = 7,0). Após isso, todos os escores foram somados e divididos por 20, sendo definida, portanto, a nota final do árbitro na partida. No tocante à análise do aspecto físico isoladamente, os escores de resistência, velocidade e aceleração foram somados e divididos por três, obedecendo ao mesmo critério definido previamente.

    Análise estatística

    Para caracterização e disposição dos resultados foi utilizada a estatística descritiva (média e desvio-padrão). Todas as variáveis apresentaram distribuição normal, verificado através do método Shapiro-Wilk. Para análise de diferença (primeiro vs. segundo tempo) foi utilizado o teste t de Student pareado. Para análise de correlação das variáveis analisadas foi utilizado o coeficiente de correlação de Pearson. O pacote estatístico SPSS® versão 15.0 foi utilizado para esses fins, sendo adotado um p-valor < 0,05 como significância estatística.

     

    Resultados

    Os dados referentes à demanda física imposta aos árbitros nas partidas do campeonato Potiguar de 2009 são apresentados na TABELA 1.

     

     

    Na TABELA 2 estão dispostos, separadamente, dados relacionados às exigências físicas referentes ao primeiro e ao segundo tempo de jogo. É possível observar que a velocidade média de deslocamento, assim como a frequência cardíaca média foram superiores no primeiro tempo (p < 0,05).

     

     

    Na TABELA 3 encontra-se a análise de correlação entre as variáveis relacionadas às demandas da partida e as variáveis da aptidão física (composição corporal e resistência aeróbia). Houve correlação positiva do O2máx com a distância percorrida no segundo tempo da partida, a velocidade máxima atingida no segundo tempo de jogo e a velocidade máxima durante a partida toda (p < 0,05). O percentual de gordura apresentou correlação negativa com a velocidade máxima empregada no segundo tempo de jogo (p < 0,05). Além disso, foi detectada correlação negativa entre o percentual de gordura e o O2máx (p < 0,01).

     

     

    Na TABELA 4 são apresentados os resultados referentes à análise de correlação da composição corporal e do O2máx com o desempenho da arbitragem. É possível observar que o desempenho físico e geral dos árbitros se correlacionou, negativamente, com o percentual de gordura e, positivamente, com o O2máx.

     

     

    Discussão

    O presente estudo teve como objetivo descrever a demanda física imposta aos árbitros de futebol durante partidas oficiais. Além disto, outro objetivo do estudo foi investigar a influência do nível de aptidão física sobre o desempenho da arbitragem. Os principais achados foram: a) os parâmetros relacionados à demanda física da partida (distância percorrida, velocidade e frequência cardíaca) apresentaram comportamento similar em comparação ao, previamente, observado em árbitros internacionais, caracterizando o alto padrão de demanda física destes profissionais, b) o critério de avaliação da arbitragem relacionado ao aspecto físico apresentou correlação com o O2máx (r = 0,748) e com o percentual de gordura (r = -0,758) e c) com relação à nota geral atribuída à arbitragem, também foram observadas correlações com o O2máx (r = 0,530) e com o percentual de gordura (r = -0,496).

    A média de idade observada foi semelhante à encontrada por DA SILVA e RODRIGUEZ-AÑES (2001) em árbitros paranaenses (34,5 anos) e RONTOYANNIS, STALIKAS, SARROS e VLASTARIS (1998), ao avaliar árbitros gregos (36,3 anos). Esses autores apontam ainda que a idade dos árbitros, quando comparada com a dos atletas, é superior em cerca de 10 anos, e que essa diferença é menor em outros esportes. CASTAGNA, ABT e D'OTTAVIO (2007) reportam delta ainda maior nesse aspecto, diferença de 15-20 anos entre os atletas e os árbitros.

    Com relação à composição corporal, o valor médio de percentual de gordura observado (16,5%) é muito semelhante ao encontrado no trabalho de RONTOYANNIS et al. (1998) (16,7%) e DA SILVA e RODRIGUEZ-AÑES (2003) (17,3%). Apesar do número de estudos com esse foco de investigação ser limitado, os dados disponíveis indicam que o nível de adiposidade da amostra avaliada encontra-se próximo aos índices observados na elite internacional (HELSEN & BULTYNCK, 2004).

    A respeito da demanda física imposta aos árbitros, os resultados reportados parecem corroborar os dados apresentados na literatura internacional. Tem sido relatado que os árbitros de futebol percorrem aproximadamente 10 km em partidas oficiais em uma intensidade média de 85-90% da frequência cardíaca máxima (CASTAGNA, ABT e D'OTTAVIO, 2007).

    A média da distância percorrida (~10,5 km) pelos árbitros potiguares foi superior ao valor médio percorrido por árbitros da primeira divisão australiana e inglesa (9,4 km) (CATTERALL, REILLY, ATKINSON & COLDWELLS, 1993; JOHNSON & MCNAUGHTON, 1994), árbitros brasileiros - série A e B - (9,15 km) (DA SILVA, FERNANDES & FERNANDEZ, 2008) e árbitros dinamarqueses (10 km) (KRUSTRUP & BANGSBO, 2001). Entretanto, os árbitros avaliados no presente estudo apresentaram valores inferiores aos percorridos por árbitros italianos da primeira divisão do Calcio (11,4 km e 13 km) (CASTAGNA, ABT & D'OTTAVIO, 2004; D'OTTAVIO & CASTAGNA, 2001) e europeus (não-italianos) filiados a UEFA (11,2 km) (CASTAGNA & D'OTTAVIO, 2001). Essa distância é semelhante à percorrida pelos jogadores (meio-campistas) que mais se movimentam durante as partidas (STOLEN, CHAMARI, CASTAGNA & WISLOFF, 2005).

    É importante salientar que pelo fato do futebol ser uma modalidade acíclica aberta, diversos fatores devem influenciar o volume de deslocamento do árbitro na partida, tais como o padrão tático das equipes, condições climáticas, situações específicas de jogo, estado de fadiga dos jogadores, entre outros. Esses fatores poderiam explicar a grande variabilidade no padrão de deslocamento nas investigações acima citadas. Além disso, a própria condição física do árbitro influencia na quantidade de deslocamento durante os jogos (CASTAGNA, ABT & D'OTTAVIO, 2002a; CASTAGNA & D'OTTAVIO, 2001).

    Diante da alta demanda física imposta aos árbitros, a capacidade cardiorrespiratória parece ser fundamental para o desempenho dos mesmos. Já é sabido que o VO2máx é o melhor indicador de capacidade cardiorrespiratória (ACSM, 2000). CASTAGNA, ABT e D'OTTAVIO (2007) e STOLEN et al. (2005) apontam que o árbitro de futebol profissional possui em média 45-50 ml/kg/min de O2máx. Os resultados dos árbitros potiguares encontram-se dentro desse perfil. De fato, já foi observado que o nível adequado de VO2máx parece influenciar diretamente o desempenho físico dos árbitros durante as partidas (CASTAGNA & D'OTTAVIO, 2001). Somado a isso, dada a forte correlação encontrada entre o percentual de gordura e o O2máx nos árbitros da FNF, a composição corporal é outro aspecto que deve ser considerado na avaliação física destes profissionais.

    CASTAGNA e D'OTTAVIO (2001) verificaram que árbitros italianos com maior O2máx percorreram maiores distâncias nos jogos, além de terem permanecido mais tempo em maior intensidade de deslocamento e menos tempo em repouso. Ainda nessa linha, CASTAGNA, ABT e D'OTTAVIO (2002a) verificaram, em árbitros da comissão nacional de arbitragem da Itália, correlação positiva entre a distância percorrida em alta velocidade no segundo tempo de partidas oficiais e a distância atingida no teste de 12 minutos. Os dados reportados no presente estudo parecem confirmar tais achados, haja vista que houve correlação positiva entre o O2máx e a distância percorrida no segundo tempo. Da mesma forma, o O2máx também apresentou correlação positiva com a velocidade máxima de movimentação.

    A investigação referente à associação entre a potência aeróbia e o desempenho nas partidas poderia avançar, significativamente, através de padronização dos testes empregados nos estudos. No presente estudo foi utilizado o teste de 2.400 m, pela facilidade de aplicação e interpretação dos resultados. Entretanto, no cenário internacional os trabalhos têm realizado, preferencialmente, testes intermitentes, como o "Yo-Yo Intermittent Recovery Test", por apresentar características semelhantes ao futebol (CASTAGNA, ABT & D'OTTAVIO, 2007; KRUSTRUP, MOHR, NYBO, JENSEN, NIELSEN & BANGSBO, 2006). Sem dúvida, essa é uma limitação do presente estudo. CASTAGNA, ABT e D'OTTAVIO (2005) verificaram que o teste de corrida de 12 minutos não foi capaz de detectar diferença no desempenho aeróbio de árbitros de nível alto (série A e B do campeonato italiano), médio (série C) e baixo (série D). Já o "Yo-Yo Intermittent Recovery Test" mostrou-se bastante sensível para detectar estas diferenças.

    No que diz respeito à análise dicotômica entre o primeiro e o segundo tempo de jogo, só foi verificada diferença entre a velocidade média e a frequência cardíaca média (p-valor < 0,05). Estes resultados são conflitantes aos apresentados previamente na literatura. CASTAGNA e D'OTTAVIO (2001) verificaram diferença na distância percorrida por árbitros italianos nos diferentes tempos de jogo, havendo queda de 6% na segunda etapa (5,9 vs. 5,6 km). D'OTTAVIO e CASTAGNA (2001) avaliando árbitros da primeira divisão da Itália, observaram dados semelhantes, com diminuição de 4,1% no segundo tempo (5,8 vs. 5,6 km). Entretanto, DA SILVA, FERNANDES e FERNANDEZ (2008), ao monitorar árbitros brasileiros, não encontraram diferença na distância percorrida durante a primeira e a segunda etapa (4,6 vs. 4,5 km).

    Apesar da redução na velocidade e na frequência cardíaca média dos árbitros durante o segundo tempo, a velocidade máxima e a frequência cardíaca máxima, indicadores de movimentação em alta intensidade, permaneceram semelhantes aos valores observados no primeiro tempo. Tal fato parece corroborar os achados de CASTAGNA e D'OTTAVIO (2001) e DA SILVA, FERNANDES e FERNANDEZ (2008) que não observaram diferença na distância percorrida em intensidade máxima entre o primeiro e o segundo tempo. D'OTTAVIO e CASTAGNA (2001), entretanto, encontraram maior distância percorrida em velocidade máxima (>24 km/h) no segundo tempo em comparação ao primeiro tempo (225 vs. 202 m).

    Com relação à avaliação da arbitragem, os resultados apresentados corroboram a hipótese inicial de que a aptidão física influencia o desempenho dos árbitros. Estes dados suportam o pressuposto que a qualidade da preparação física e o consequente desenvolvimento da aptidão física desses profissionais são aspectos que podem auxiliar a atuação dos mesmos.

    Sendo o futebol dependente, de forma predominante, do metabolismo aeróbio, é plausível especular que a maior potência aeróbia dos árbitros maximize sua movimentação durante a partida, permitindo o acompanhamento das jogadas de forma mais precisa. Além disso, a capacidade cardiorrespiratória adequada maximiza a recuperação entre esforços intermitentes de alta intensidade, que são característicos do futebol moderno (STOLEN et al., 2005). Isso pode facilitar o deslocamento do árbitro na partida, sem prejuízo no desempenho das ações em intensidade alta (>18 km/h) e máxima (>24 km/h) (CASTAGNA, ABT & D'OTTAVIO, 2007; KRUSTRUP & BANGSBO, 2001).

    Somado ao exposto anteriormente, o baixo percentual de gordura favorece o maior O2 relativo, além de beneficiar ações relacionadas ao desenvolvimento de força rápida, como sprints de curta duração (15-20 m) em velocidade máxima (>24 km/h). Em contra partida, o excesso de peso e gordura corporal poderia afetar, negativamente, o padrão de movimentação dos árbitros e, por consequência, o julgamento das jogadas. Em lances decisivos e polêmicos, esse acompanhamento poderá determinar o resultado da partida.

    É importante ressaltar que, apesar das correlações observadas, uma limitação do presente estudo foi a ausência de testes mais específicos para avaliar os componentes envolvidos na aptidão para o desempenho esportivo. É plausível especular que estes componentes também apresentem relação com o desempenho dos árbitros.

    Os achados do presente estudo indicam que os parâmetros associados à sobrecarga física/fisiológica da partida de futebol, analisados nos árbitros da FNF, são muito similares ao observados previamente em árbitros internacionais. Estes dados revelam que a demanda física do árbitro é muito semelhante à demanda dos jogadores que apresentam o maior nível de movimentação. No presente estudo foi observada correlação entre as notas atribuídas à arbitragem (aspecto físico e geral) e o nível de aptidão física dos árbitros. Estes dados reforçam a necessidade do treinamento físico específico direcionado a estes profissionais.

    Estudos adicionais são necessários a fim de comparar a sobrecarga física imposta aos árbitros de futebol em diferentes regiões do Brasil, uma vez que parece existir diferenças no padrão de jogo, nas condições climáticas, no tamanho dos campos e no horário das partidas, variáveis intervenientes que podem influenciar a qualidade da arbitragem.

     

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    Caio Max Augusto VieiraI; Eduardo Caldas CostaII; Marcelo Saldanha AokiIII

    IDepartamento de Educação Física, Universidade Federal do Rio Grande do Norte
    IIPrograma de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Universidade Federal do Rio Grande do Norte
    IIIEscola de Artes, Ciências e Humanidades, Universidade de São Paulo

     



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